O Brexit e o Algarve

A provável saída do Reino Unido da União Europeia pode ser bastante má para a economia do Algarve. Isto, sobretudo, devida à diminuição da vinda de turistas ingleses em busca de sol e praia.
Na realidade, o Brexit já está a afetar a economia do Algarve. A ameaça de Brexit levou à desvalorização da Libra. Assim, os ingleses ficaram com menos pode comprar para irem de férias.

O Brexit não está totalmente fechado apesar de no referendo realizado ter vencido a saída. Pelo menos, um dos principais partidos do Reino Unido é contra a saída. Porém, na prática, este é o cenário menos provável. Se acontecer o impacto no turismo é pouco ou nenhum.

Os efeitos no turismo do Algarve também podem ser poucos se o Brexit acontecer de forma ordenada. Ou seja, com um acordo entre a União Europeia e o Reino Unido. O problema é que o tratado que está em cima da “mesa” não é nada popular no Reino Unido e a União Europeia insiste que é este ou nenhum.

Alguns comentadores comparam a União Europeia a uma família mafiosa. Ou seja, metaforicamente escrevendo, só se saí da União Europeia na horizontal. Julgo existir algum exagero nisso, mas existe algum fundo de verdade nisso.
Uma das grandes razões porque o Reino Unido quer sair da União Europeia é poder controlar melhor quem entra no seu território. Dito por outras palavras, quer impedir a entrada de imigrantes que não deseja.

O Reino Unido é constituído pela Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte. O problema é que o tratado em jogo tem uma cláusula que prevê que as fronteiras continuem abertas entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. Isso, implicaria a existência de controlo de pessoas (para impedir a emigração) entre a Irlanda do Norte e o restante Reino Unido.

Talvez alguns dos leitores não estejam a ver o alcance dessa cláusula. Vou colocar a questão como se fosse Portugal a sair da União Europeia. Portugal saia da União Europeia mas as fronteiras do Algarve com a União Europeia continuam aberta e com o resto do país não. Isso implicaria, o estabelecimento de postos fronteiriços entre o Algarve e o Alentejo.
Acho que é fácil de compreender que essa cláusula é insultuosa para o Reino Unido. Mesmo que fosse à frente não duraria muito tempo.

Parece-me que o tratado não vai à frente tal como está. Se a União Europeia quer um tratado com o Reino Unido, terá, pelo menos, de ser algo alterado no que está em cima da mesa. Se isso não acontecer, é provável o Brexit desordenado, o que poderá implicações graves para a Economia do do Algarve, em geral, e o turismo, em particular.

Porquê? Duas razões, pelo menos. Uma das razões, é que a saída desordenada poderá ter consequências negativas para a Economia do Reino Unido. Assim, os ingleses tenderão a ter menos dinheiro no bolso e a fazer férias fora.

Outra razão é questão de eventuais vistos para vir a Portugal. Da parte do governo Português não deverá ser colocado qualquer dificuldade acrescida à presença de pessoas do Reino Unido em Portugal. O problema é a União Europeia que já demonstrou muita má vontade em relação à saída do Reino Unido.

Deste modo, pode querer visto para quem vêm do Reino Unido para o espaço dos países-membros da União Europeia. Isso não deixaria de ter um forte impacto negativo na vinda de turistas ingleses para o Algarve. Na situação atual, os ingleses não tem mais do que marcar as suas férias na internet e apanhar o avião para o Algarve. Obter vistos de entrada não só custa dinheiro como leva tempo. De certeza, que ingleses acabariam por optar por outros destinos turísticos menos complicados em termos turísticos.

Esperemos que o Brexit não seja desordenado. E se o for, que as duas partes não entrem em “guerra” que prejudica todos os países envolvidos. Não sei o futuro, mas o atual tratado ir avante tal como está ir avante, não me parece nada provável. Se alguém discordar disso, aceito apostas.

Ivo Dias de Sousa

professor da Universidade Aberta – ivo.sous@uab.pt

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