O Papel da Imprensa na Defesa da Democracia

Luísa Travassos
Luísa Travassos
Diretora do Jornal do Algarve Carteira Profissional - 588 A

A propósito dos seus 65 anos, o JA, o Município vilarrealense e a Universidade do Algarve associaram-se para promover um grande debate sobre o Papel da Imprensa na Defesa da Democracia.
Estas comemorações trazem-nos um “amargo de boca”, uma vez que foram pensadas e planificadas ainda em vida do nosso querido diretor, Fernando Reis que, infelizmente, a pandemia levou impedindo-o, por um lado, de assistir àquilo que preparou e, por outro, de contribuir para a melhoria do nosso trabalho no JORNAL do ALGARVE, tanto era o que ainda tinha para dar.
A primeira iniciativa foi apresentar um novo e modernizado site, lançado a 30 de março, dia do aniversário do JA. A segunda é a promoção deste simpósio que, por si só, se enquadra no JORNALISMO DE CAUSAS que, desde sempre, o nosso semanário abraçou, ou não seja a defesa da Democracia uma das principais lutas que devemos travar todos os dias. Muitas outras iniciativas se seguirão das quais, atempadamente, daremos conta.
Mas vamos ao Jornalismo de Causas que, noutros artigos, já foi alvo de reflexão e que é o mote para um simpósio que tenta aglutinar diversas e importantes individualidades, quer da região quer do país, mas sempre com ligação ao Algarve. É com profunda gratidão que vejo a adesão dos convidados (individualidades oficiais, personalidades da cultura, professores e alunos da Universidade do Algarve, colegas jornalistas de diferentes órgãos de comunicação, comentadores políticos… praticamente todos eles indicados pelo JORNAL do ALGARVE), unidos a debater causas tão importantes como são a Imprensa e a Democracia.
Desde a sua fundação, sempre o JA esteve ligado à luta por uma região melhor. Foram as páginas deste semanário, dirigidas por um jornalista visionário do Século, José Barão, que lançaram a “Operação Algarve Turismo”, a luta pela construção de um aeroporto que trouxesse os turistas para as excecionais praias algarvias. Iniciou-se, assim, a construção hoteleira, cujo pontapé de saída foi o mítico Hotel Vasco da Gama. Mas faltavam muitas outras coisas. A Universidade, as infraestruturas básicas, o tão almejado Hospital Distrital.
Mas a luta por mais e melhor qualidade de vida é imparável. Continuámos a debater-nos, uma vezes propondo, outras ao lado de quem reivindicava, por abastecimento de água, saneamento básico, estradas, escolas, creches, bibliotecas, centros culturais, museus, realçando sempre as potencialidades do barrocal e do interior, desfazendo o mito do sol e praia.
Hoje, a nossa principal luta é a Saúde: um Hospital Central que teima em não vir para a região, apesar das muitas promessas, principalmente em período eleitoral. Para isso, tem que se formar e dar condições aos profissionais para que queiram vir para um Algarve caro e que não oferece a qualidade de vida que qualquer um deseja. É preciso ouvir os médicos e enfermeiros algarvios. São eles que conhecem mais bem do que ninguém o que a região necessita em matéria de saúde. É preciso que passemos a ter um verdadeiro SNS, ao serviço de todos e não ao serviço dos particulares.
Mas, se a saúde é importante, também o é o trabalho, a habitação, a educação e a ocupação de tempos livres, o apoio à terceira idade, a cultura…
Em matéria de trabalho, pede-se às empresas que paguem mais aos seus empregados (quando é o próprio Estado o empregador que mais mal paga) sem que se veja algum apoio para o poder fazer. Não podemos esquecer que o tecido empresarial algarvio é maioritariamente composto por micro e pequenas empresas.
A habitação escasseia e tem preços proibitivos.
Na educação e ocupação de tempos livres muita coisa é feita à custa do sacrifício de professores, muitos deles com a casa às costas e sem qualquer apoio de deslocação.
Se havia muitos idosos em isolamento, a pandemia veio acentuar a solidão. Quem estava só, assim continuou; quem está em lares deixou de poder contactar com a família… Situação que urge resolver. Os mais idosos são a nossa raiz, a nossa memória, têm que ser tratados com a dignidade e o respeito que merecem.
Por fim a cultura! Sem ela não há democracia!
O que se oferece ao nosso povo é entretenimento, partindo do princípio que é disso que gosta. Mas os responsáveis culturais e políticos esquecem que o povo se apercebe de tudo o que é mal conduzido e que o seu gosto também se educa, também se eleva.
Precisamos de uma população bem informada, com espírito crítico, com vontade de saber e conhecer mais e com melhor qualidade. Só assim se luta contra o populismo, só assim poderemos garantir a paz e a democracia.
A imprensa regional, apesar da falta de apoios governamentais, luta todos os dias para que isso seja uma realidade!
O simpósio é aberto a todos. Venham. Participem. A vossa opinião conta.

Luísa Travassos

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