Ordem dos Médicos confirma racionamento na saúde

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Bastonário da Ordem dos Médicos confirma ao Expresso que há hospitais públicos a racionar cuidados de saúde e que a causa destes cortes está no “financiamento hospitalar totalmente errado”.

O Observatório Português dos Sistemas de Saúde afirma que há “indícios de racionamento” nos serviços públicos de saúde, o Governo já o negou, mas a Ordem dos Médicos garante ao Expresso que a razão está do lado dos investigadores.

“Não nos admira esta conclusão do Observatório Português dos Sistemas de Saúde. O Governo nunca irá reconhecer que há racionamento, mas temos uma entidade independente que o diz e que nós, médicos, sentimos no terreno”, afirma José Manuel Silva.

Segundo o bastonário, na origem dos cortes na assistência médica pública está “o financiamento hospitalar totalmente errado e que se baseia naquele conceito peculiar de que concentrar poupa dinheiro, o que não é verdade porque os custos indiretos e para as pessoas não são avaliados”.

Na prática, “as administrações para garantir o financiamento dos hospitais tomam medidas de má gestão e danosas para o Serviço Nacional de Saúde”, afirma o bastonário da Ordem dos Médicos.

O secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, contradiz este diagnóstico. Em entrevista esta manhã à TSF, garantiu que “os hospitais têm as dotações adequadas para o provimento dos seus cuidados”. E acrescentou: “Se existirem algumas unidades de saúde que extravasem as suas competências e façam algum mecanismo de racionamento nos cuidados, para se acomodarem às suas boas necessidades de gestão, com certeza que estaremos atentos e não permitiremos que isso aconteça”.

Secretário de Estado ironiza

O governante até recorreu à ironia: “Não é uma andorinha que faz a primavera” – estação do ano que dá nome ao relatório, anual, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde.

O responsável pela coordenação científica do estudo, Constantino Sakellarides, confessa ao Expresso que “esperava que o Governo reagisse de outra forma”. E explica: “Há testemunhos de que há retração no tratamento de doentes e, por isso, referimos simplesmente que há indícios, embora não sejam desprezíveis e devam ser investigados para que não se alastrem”.

Aliás, tarefa que Leal da Costa já prometeu concretizar. “Queremos que haja boa gestão sem perturbação daquilo que é importante e, acima de tudo, sem que haja racionamento e quebras de qualidade dos serviços prestados. Estaremos atentos e se existir alguma dúvida, reforçaremos a vigilância para que não haja racionamento implícito, que não é aceitável”, diz.

Vera Lúcia Arreigoso (Rede Expresso)

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