Os factos e os acontecimentos que marcaram o ano no Algarve

Foto: Facebook Serra de Monchique

Foto: Facebook Serra de Monchique

Do grande incêndio de Monchique – o maior do ano na Europa – aos avanços e recuos da exploração de petróleo, passando pelo fenómeno crescente dos tornados até à taxa turística que será aplicada em 2019, este foi um ano cheio de acontecimentos. Neste artigo, olhamos para os principais factos e temas que marcaram a atualidade regional em 2018, onde também se incluem o aumento brutal do preço das casas, o incrível ‘boom’ do alojamento local, a ameaça real do Brexit, a eterna promessa do novo hospital e a mortalidade que não pára de aumentar nas estradas da região

Nuno Couto/Jornal do Algarve

JANEIRO

Estradas algarvias batem recorde de acidentes

O ano de 2018 abriu com um triste balanço do ano anterior: 10.752 acidentes registados nas estradas da região, mais 511 em relação a 2016 e mais 1.262 do que em 2015. Estes acidentes resultaram na morte de 30 pessoas e 192 feridos graves. A Comissão de Utentes da Via do Infante lamenta que a região tenha batido “mais um recorde, bastante negro”. Infelizmente, este ano vai pelo mesmo caminho, ou pior…!

Algarve será “motor” económico de Portugal… e foi mesmo!

Na primeira edição do ano, o JORNAL DO ALGARVE publica em primeira página que o “Algarve será um ‘motor’ económico de Portugal em 2018”. Já nesta última semana, os números do INE – que ainda são relativos a 2017 – revelam que o Algarve foi, efetivamente, a região que mais cresceu nesse ano, impulsionado pelo turismo. Nos últimos anos, o contributo do PIB regional para o PIB nacional evoluiu de 4,39% (em 2015) para 4,49% (em 2016), sendo que essa tendência deverá continuar a acentuar-se em 2017 e 2018, escreveu o nosso jornal no início deste ano. Pois, de acordo com dados divulgados pelo INE na semana passada, o Algarve foi mesmo a região portuguesa que mais cresceu em 2017, registando um aumento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%. “O Algarve (4,8%), o Norte (2,7%), a Região Autónoma dos Açores (2,5%) e a Região Autónoma da Madeira (2,2%) registaram crescimentos superiores à média nacional”, refere o INE.

Sotavento é a zona mais penalizada com aumento de portagens

Percorrer toda a Via do Infante passou a custar desde o início deste ano mais 15 cêntimos (8,85 euros) para as classes 1, 3 e 4, e mais 20 cêntimos para a classe 2. Dez das 12 tarifas que sofreram aumento dizem respeito aos troços localizados entre Monte Gordo e Boliqueime. Em toda a Via do Infante são aplicadas 40 tarifas diferentes, dependendo dos dez troços pagos e das quatro classe de veículos.

Furo de petróleo avança à revelia das autarquias

O primeiro mês do ano ficou marcado pela autorização, dada pelo Governo, do prolongamento (por mais um ano) da prospeção de petróleo ao largo da Costa Vicentina, o que acontecia pela terceira vez. Esta autorização foi dada a 20 de janeiro de 2018, pelo secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches. O governante justificou a sua decisão com o chumbo pelo tribunal de três providências cautelares (apresentadas pela Comunidade Intermunicipal do Algarve e pela Câmara de Odemira) e com os investimentos “superiores a 76 milhões de euros” por parte de Eni-Galp nos últimos 10 anos. O consórcio petrolífero ganhava, assim, mais um ano para avançar com o plano de trabalhos ao largo de Aljezur, enquanto os autarcas e empresários algarvios lamentam o prolongamento de “um lamentável processo iniciado nas costas dos algarvios”.

Portimão eleita Cidade Europeia do Desporto 2019

A eleição de Portimão como Cidade Europeia do Desporto para 2019, anunciada no dia 19 de janeiro, também foi um dos acontecimentos do ano. O município vai hastear pela primeira vez esta bandeira no próximo dia 18 de janeiro de 2019, num grande evento que terá como palco o Portimão Arena. A presidente da câmara municipal, Isilda Gomes, já revelou que está a ser preparado “um espetáculo único sem paralelo em Portugal”. O programa da Cidade Europeia do Desporto para 2019 inclui mais de 350 eventos ao longo do próximo ano.

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FEVEREIRO

Grandes cruzeiros só chegam à região a partir de 2020

Enquanto os portos de Lisboa e do Funchal continuam a bater recordes, os portos algarvios continuam a ver passar navios. Em Portimão, o porto só deverá estar operacional para acolher grandes cruzeiros a partir de outubro de 2020, podendo passar dos atuais 30 mil para os 180 mil passageiros anuais. Em fevereiro, o parlamento pedia urgência nestas obras e recomendava ainda ao Governo que estude a possibilidade de utilização do porto de Faro neste segmento. Estes investimentos poderão representar “um fator de decisiva importância para o desenvolvimento deste segmento de negócio na região”. Se tudo correr como planeado, as obras deverão começar no porto de Portimão na segunda quinzena de junho de 2019.

Carlos Silva e Sousa

Morre o presidente da Câmara de Albufeira

O presidente da Câmara de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, morreu inesperadamente no dia 23 de fevereiro. O autarca, de 60 anos, foi vítima de doença súbita e faleceu quando estava em casa. Carlos Silva e Sousa tinha sido eleito em outubro de 2017 pelo PSD para um segundo mandato à frente da autarquia. Anteriormente, tinha desempenhado as funções de presidente da assembleia municipal de Albufeira durante três mandatos consecutivos. O autarca, que também se dedicava à advocacia e à produção de vinhos, era casado e pai de dois filhos. A autarquia decretou três dias de luto.

O trabalho duro e desvalorizado dos “homens do lixo”

O JORNAL DO ALGARVE mostra a profissão de cantoneiro de limpeza – ou “lixeiro” – que foi sempre uma das mais subvalorizadas pela sociedade. Além de passar despercebida aos olhos da maior parte da população, esta é uma das atividades mais atingidas por acidentes de trabalho na região. Entre os riscos que correm diariamente contam-se lesões, cortes, doenças, infeções e até atropelamentos, sem esquecer que trabalham à noite e ao frio. No Algarve, homens como o silvense Sérgio Cabrita – o principal protagonista da nossa reportagem – vão pendurados num camião, de porta em porta, de contentor em contentor, para recolher o lixo dos outros. É o preço que alguém tem de pagar para limpar a região e manter a vida a correr.

Suspenso furo de petróleo ao largo de Aljezur

Um mês e meio depois de o secretário de Estado da Energia ter assinado o prolongamento do contrato de pesquisa de petróleo do consórcio Eni-Galp, até final de 2018, a Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) e o Ministério do Mar acordaram em suspender todos os trabalhos ao largo da Costa Vicentina por um período de 90 dias. A decisão teve por base a informação de que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) “iniciou o processo de decisão de sujeição a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) dos projetos submetidos” pelo consórcio petrolífero. Mas este não foi o fim da história, como se verá mais à frente…

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MARÇO

Acidentes e mortes aumentam mesmo em troços renovados

Apesar de parte da requalificação da EN125 já estar concluída, as estatísticas mostram que o número de mortes e acidentes nas estradas da região continua a aumentar em 2018. Apesar de as obras já estarem concluídas entre Vila do Bispo e Olhão, a “estrada da morte” continua a merecer as maiores preocupações, depois de vários atropelamentos e colisões frontais. Na outra metade da EN125, o piso está cada vez em pior estado e os acidentes sucedem-se. Por isso, o Movimento de Cidadania dos Utentes da EN125 – Sotavento lançou neste mês uma petição pública na internet pela “requalificação e manutenção imediata” do troço da EN125 entre Olhão e Vila Real de Santo António, que contou com milhares de assinaturas. O Governo tinha prometido iniciar os trabalhos no terceiro trimestre de 2017, para estarem concluídos em 2018, mas até àquela data ainda não havia indicação de quando iriam começar. As autarquias de Vila Real de Santo António e de Castro Marim associaram-se ao movimento para exigir medidas “claras e urgentes” neste processo.

Foto: Beachcam Meo

Tornados são um fenómeno crescente no Algarve

A frequência do aparecimento de tornados na região algarvia está a aumentar, noticia o JORNAL DO ALGARVE, na primeira semana de março, depois de ventos entre os 117 e os 180 quilómetros por hora terem feito estragos nos concelhos de Faro, Olhão, Tavira, Castro Marim e Vila Real de Santo António. Este foi o segundo tornado na mesma semana e, pelo menos, o quinto registado nos últimos oito anos a provocar um rasto de destruição na região algarvia. O mais grave aconteceu em novembro de 2012, danificando centenas de habitações e provocando 13 feridos e um morto nos concelhos de Lagoa e Silves. Os meteorologistas já admitem um aumento da frequência do aparecimento de tornados, fenómenos que estão associados à humidade e massas de ar quente. Tudo porque estes fenómenos estão relacionados com o aquecimento global e, como o Algarve não é exceção, os especialistas consideram muito provável que venham a registar-se com maior frequência.

Taxa turística vai avançar em março 2019

Os turistas estão muito perto de vir a pagar para dormir no Algarve, noticia o JORNAL DO ALGARVE, seis meses antes de os municípios algarvios terem aprovado a aplicação de uma taxa turística de 1,5 euros por dormida, o que só viria a acontecer em setembro. A medida será aplicada entre os meses de março e outubro, ou seja, deverá entrar em vigor já a partir de 1 de março de 2019, e deverá render aos cofres dos municípios cerca de 20 milhões de euros por ano. Já o novo presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), João Fernandes, discorda da sua aplicação, do timing e do modelo escolhidos, uma posição que é subscrita pelos presidentes das associações mais representativas do alojamento na região (AHETA e AIHSA).

Utentes denunciam condições de “bradar aos céus” nos hospitais

As queixas dos utentes e dos profissionais de saúde em relação às condições do centro hospitalar algarvio não páram de aumentar. A população residente e flutuante no Algarve cresceu nas últimas décadas, mas os edifícios e o pessoal de saúde não “esticam”. O JORNAL DO ALGARVE revela neste mês que a situação já é encarada como uma emergência.

Monchique receia fogos provocados por linhas elétricas

A manchete do JORNAL DO ALGARVE de 29 de março não funcionou como aviso para o que viria a acontecer no verão. Quatro meses antes do grande incêndio que manchou a serra de negro e cinza, a assembleia municipal de Monchique alertava que o contacto das centenas de cabos das linhas elétricas com a vegetação – que já tinha provocado vários incêndios no concelho – poderia ser o ponto de origem da próxima tragédia, alertando que este constitui “um enorme fator de risco de incêndios e de perigo para a população”. O que aconteceu mais tarde, entre 3 e 9 de agosto, vai ficar na memória da população, como ainda estão os devastadores incêndios de 2003, 2004 e 2016.

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ABRIL

A saúde não pode esperar mais

Não é um facto que surgiu em 2018, mas a falta de médicos e enfermeiros, o atendimento ineficiente e a falta de capacidade dos hospitais de Faro, Portimão e Lagos são um problema cada vez recorrente na região algarvia. O exemplo mais flagrante é o abandono do projeto do novo hospital central, que está previsto há mais de uma década junto a um estádio que custou milhões e passa a maior parte do ano às moscas. Em abril, o JORNAL DO ALGARVE mostra como a saúde, apesar dos vários alertas e reivindicações de utentes, profissionais de saúde, autarcas e sindicatos do Algarve, parece que continua a ser relegada para um segundo plano.

O Algarve está a ficar disponível só para ricos!?

O sucesso do turismo algarvio tem um lado negro para quem procura casa: os aumentos “insuportáveis” para a maioria das famílias. Neste mês, o JORNAL DO ALGARVE revela como é cada vez mais difícil encontrar casas no Algarve a preços razoáveis. E torna-se quase impossível em zonas turísticas e do litoral, onde há uma crescente especulação. Este cenário está a ser alimentado pelo aumento da procura – que supera a escassez da oferta – e pelo significativo investimento estrangeiro ligado ao turismo. Atualmente, comprar casa no Algarve é 25% mais caro do que a média do país. E as imobiliárias ouvidas pelo nosso jornal dizem que esta é uma tendência que se vai manter em 2019. Ou seja, vai ser cada vez mais caro viver em determinadas zonas da região algarvia, em que o preço por metro quadrado já chega a atingir valores demasiado elevados para a maioria das famílias. “A curto prazo, muitos algarvios vão ter mesmo de optar por outras zonas mais baratas e que vão ao encontro das suas condições financeiras”, revela uma agente imobiliária de Lagos. Segundo apurou o JORNAL DO ALGARVE, o valor das habitações está a aumentar drasticamente em praticamente todos os concelhos da região algarvia, com exceção de Alcoutim e Monchique. Nos restantes 14 concelhos da região, os preços estão bem acima da média nacional, com alguns desses valores a revelarem-se mesmo proibitivos para a maioria das famílias algarvias. No topo da tabela sobressaem Loulé, Lagos, Albufeira, Lagoa e Tavira. Para muitos especialistas do setor, o fenómeno do sucesso do turismo e o consequente aumento da procura, que está por trás das subidas “insuportáveis” dos preços das casas e da crescente especulação em locais de interesse turístico, pode ser o prenúncio de uma “bolha” do imobiliário. Resta saber quando vai rebentar…?!

Inauguração de ETAR traz esperança para problema antigo

Ao fim de 36 anos, chegou a anunciada solução para os maus cheiros à entrada da cidade de Portimão, um problema antigo que já teve muitas soluções à vista mas que nunca chegaram a avançar ou a ter sucesso. A nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira foi inaugurada em abril para substituir o anterior equipamento que estava obsoleto. Os problemas relacionados com os maus cheiros à entrada da cidade de Portimão remontam a 1982, quando começou a funcionar a primeira estação de tratamento situada junto ao rio Arade. O equipamento foi desde logo muito contestado pela população por causa dos maus cheiros. A anterior ETAR, que entrou em funcionamento em 1995, também não contribuiu para resolver o problema, tendo por isso sido desativada e substituída por uma nova ETAR, que chega agora com mais de duas décadas de atraso.

Surgem os primeiros alertas em relação ao Brexit

Grão a grão, o Algarve tem vindo a perder turistas britânicos desde o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, em junho de 2016. É que, no ano passado, apesar de o Algarve ter recebido um número recorde de 4,2 milhões de turistas no alojamento classificado, gerando um total aproximado de 20 milhões de dormidas, o principal mercado – o britânico – caiu 8,6%. O que valeu à hotelaria algarvia para alcançar os resultados históricos foi a compensação feita pelo aumento do número de turistas alemães, irlandeses e ao crescimento de pequenos mercados. Ainda assim, os agentes do setor reconhecem que o turismo algarvio ainda está muito dependente do mercado britânico e este é mesmo considerado um mercado vital para o motor da economia regional. Por isso, a queda que se vem verificando do mercado britânico desde o ano passado deixa em alerta os agentes do setor.

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MAIO

Interior pode ficar “às moscas” em 29 anos ao ritmo atual

Não é preciso ser especialista em questões demográficas ou vidente para chegar à conclusão óbvia: ao ritmo atual, a população de várias localidades do interior algarvio poderá desaparecer nos próximos anos. A perda gradual e permanente de população está a atingir valores alarmantes em alguns concelhos do interior algarvio, podendo chegar ao risco de várias localidades desaparecerem do mapa. Segundo apurou o JORNAL DO ALGARVE, os dados do INE e Pordata sustentam que, se for mantido o atual ritmo, a população de Alcoutim vai desaparecer completamente dentro de 29 anos, assim como Monchique ficará sem habitantes em 53 anos. Esta “litoralização” do Algarve ameaça transformar muitas aldeias e vilas do interior em localidades fantasma.

Algarve perde 20% de dormidas de turistas britânicos

Estarão os britânicos – o maior mercado fornecedor de turistas da região – a perder o interesse pelo Algarve? Esta era a questão que o JORNAL DO ALGARVE levantava em maio, e que parece estar a confirmar-se. Os dados da principal associação hoteleira da região apontam o dedo ao ‘Brexit’ para explicar a queda acentuada e contínua de turistas britânicos que se verifica nos últimos meses. Só em maio, o número de dormidas de britânicos caiu mais de 20% nos alojamentos classificados.

Turismo faz disparar empregos… que ninguém quer!

As ofertas de emprego estão a crescer como cogumelos no Algarve, mas os baixos salários não atraem. Atualmente, mais de metade das pessoas que trabalham na indústria hoteleira e do turismo não recebe mais de 600 euros. É este o cenário do mercado de trabalho na região, retratado pelo JORNAL DO ALGARVE à entrada do último verão. As empresas queixam-se de que não encontram gente para trabalhar, enquanto os trabalhadores afirmam que o problema são os “péssimos salários e a imposição de horários cada vez mais longos e desregulados”, que tornam mais penosos estes trabalhos.

EN125 volta a liderar ranking das estradas mais perigosas

Em maio, os algarvios ficaram ainda a saber que a estrada nacional 125 voltou a constar na lista das mais mortíferas, com cinco pontos negros identificados onde se acumulam os acidentes com vítimas. No ano anterior, a EN125 tinha conseguido sair do topo desta lista, apresentando apenas dois lanços perigosos. Mas, agora, nos 187 quilómetros da estrada nacional foram identificados cinco pontos negros – lanços de estrada com um máximo de 200 metros de extensão onde se registaram pelo menos cinco acidentes com vítimas. Estes pontos negros estão localizados maioritariamente entre os concelhos de Lagoa e Faro e nem a recente requalificação de parte da EN125 veio alterar, até agora, esta situação.

Furo de petróleo avança sem avaliação de impacto ambiental

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) decidiu em maio que não iria submeter a Avaliação de Impacte Ambiental a realização do furo de prospeção de petróleo do consórcio Eni-Galp, ao largo de Aljezur. Segundo o presidente da APA, Nuno Lacasta, o projeto não é suscetível de causar impactes negativos significativos, por isso não carece de AIA. A decisão da agência foi muito criticada por autarcas, empresários e associações ambientalistas e de desenvolvimento local.

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JUNHO

Arrancam as “obras de beneficiação” na EN125

A Infraestruturas de Portugal (IP) anuncia no início de junho que vai dar início a “um conjunto de intervenções de emergência, no sentido de corrigir as patologias identificadas” na EN125. Enquanto a verdadeira requalificação não arranca, a IP avançou com estas “obras urgentes” que incluem trabalhos num troço com 38 quilómetros, entre Olhão e Vila Real de Santo António. No final do mês, o Tribunal de Contas recusou o visto para a revisão do contrato da subconcessão Algarve Litoral, que permitiria o início das obras de fundo e estruturais na EN125 no sotavento algarvio. O visto permitiria que a concessão entre Olhão e Vila Real de Santo António passasse para a Infraestruturas de Portugal, de forma a que esta empresa pública avançasse com as obras.

O desastre que pode mudar o Algarve

“A expressão ‘construção antissísmica’ dá às populações uma falsa expectativa”, denuncia ao JORNAL DO ALGARVE João Estêvão, especialista em engenharia sísmica da Universidade do Algarve. O investigador alerta para a falta de reforço sísmico das construções, mesmo nos edifícios alvo de reabilitação. “Só pretendem melhorar o conforto e a estética dos edifícios, o que é muito preocupante”, lamenta. O próprio simulador de risco sísmico para o Algarve concluiu que até o hospital de Faro, a principal unidade de saúde da região, ficaria inutilizada, devido aos danos estruturais no edifício…! O assunto volta a preocupar – e muito – os especialistas, devido ao forte impulso que está a ser dado atualmente à reabilitação urbana.

Algarve tem 3 hospitais públicos e 7 privados

O número de hospitais e clínicas privadas na região algarvia disparou na última década. Enquanto no resto do país a maioria dos hospitais pertence ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), no Algarve predominam as unidades privadas. Aliás, só na região algarvia – com sete hospitais privados e três públicos – e nas regiões autónomas da Madeira (seis privados e três públicos) e Açores (cinco privados e três públicos), é que predominam os hospitais privados. Ainda assim, são os hospitais públicos que asseguram a maior parte dos cuidados de saúde na região.

Enfermeiros alertam para dificuldades de resposta

“Ainda faltam 500 enfermeiros no Algarve”, alertavam os enfermeiros à porta de mais um verão. Este foi o mote da campanha pública que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) levou a cabo neste mês para alertar os turistas no Algarve para a rutura no atendimento. O sindicato estima que os hospitais da região necessitem de cerca de 350 enfermeiros, enquanto os centros de saúde precisariam de mais 150.

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JULHO

Ligação marítima entre Portimão e Madeira está de volta

A ligação por ferry entre o Funchal e Portimão foi retomada em julho, após uma interrupção de sete anos. As viagens repetiram-se todas as semanas, entre a ilha da Madeira e a cidade algarvia, até 20 de setembro. A viagem demora cerca de 23 horas e custa 58 euros para a ida e volta, mas apenas para os residentes na Madeira. Para os que não residem no arquipélago, a mesma viagem de ida e volta ronda os 170 euros. Se quiser viajar de carro, paga mais 125 euros, sendo que transportar apenas o veículo sem passageiros fica a 315 euros. O navio ‘Volcan de Tijarafe’, do navegador espanhol Navera Armas – que já tinha estado ao serviço desta linha, entre 2008 e 2012 –, tem capacidade para mil pessoas e cerca de 300 viaturas.

Há cada vez mais estrangeiros a residir no Algarve

O Algarve está na moda, não só pelo turismo, mas também para os estrangeiros viverem e trabalharem. Segundo os dados do SEF, a população estrangeira residente no Algarve cresceu 8,7% em apenas um ano, ultrapassando agora as 69 mil pessoas. A maioria destes 5.545 “novos cidadãos” tem origem na França, Itália e Suécia, sendo que o Reino Unido continua a ser a principal comunidade estrangeira na região. Estes quatro países representam mais de 68% do bolo total de novos moradores no Algarve.

Doentes esperam mais de um ano por primeiras consultas

Há utentes que têm de esperar mais de um ano por uma primeira consulta de especialidade nos hospitais públicos da região. A situação mais grave atinge os 856 dias de espera, ou seja, dois anos e quatro meses para uma consulta que deveria acontecer no espaço máximo de 120 dias. A justificação para estes atrasos é antigo e prende-se com a falta de profissionais. Mesmo assim, fontes hospitalares asseguram que o Algarve está preparado para responder às “solicitações próprias do verão”… excetuando em “condições muito adversas”

Erosão feroz das arribas ameaça provocar nova catástrofe

O aviso em relação à instabilidade das arribas no litoral algarvio repetiu-se este verão, mas com mais preocupação. E tudo por culpa da erosão costeira, que este ano está a avançar a um ritmo veloz. Apesar das derrocadas planeadas e reposição de areia, o perigo de desmoronamento é grande. Alguns casos são de tal modo graves que a proteção civil andou nas praias a alertar os banhistas para se afastarem de falésias instáveis que possam provocar uma nova tragédia. Mais tarde, em outubro, ocorreu a maior derrocada registada este ano, entre as praias do Vau e João d’Arens, em Portimão. Já em novembro registou-se a segunda derrocada mais grave, na praia Maria Luísa. Em ambos os casos não houve feridos. Mas, em agosto de 2009, o desmoronamento de uma arriba na mesma praia do concelho de Albufeira provocou a morte a cinco pessoas e ferimentos em duas, tendo sido o acidente mais grave do género ocorrido até hoje em praias do país.

Acidentes do passado ensinam a evitar mortes no futuro

Um investimento inferior a 150 mil euros poderia fazer toda a diferença para evitar mais tragédias nas estradas algarvias. Esta é a conclusão do estudo “Estradas do Algarve”, promovido pelo Observatório do Automóvel Clube de Portugal, que propõe soluções de intervenção “rápidas e de baixo custo”. O estudo aponta deficiências nas estradas como a má pavimentação, buracos, falhas de sinalização e erros nos projetos de engenharia, que se transformam em verdadeiras armadilhas para os utentes.

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AGOSTO

Fogo devasta a serra de Monchique

O fogo na serra algarvia, no início de agosto, foi o mais devastador de 2018 em todo o país. Arderam cerca de 27 mil hectares e 74 casas no concelho de Monchique ficaram danificadas, 30 de primeira habitação. O incêndio deflagrou no dia 3 de agosto e só foi extinto sete dias depois, a 10 de agosto, afetando com gravidade os concelhos de Monchique, Silves, Portimão e Odemira, causando ainda danos e prejuízos consideráveis em explorações agrícolas, empreendimentos turísticos, estruturas camarárias e em áreas florestais. As chamas galgaram montes e vales, engoliram árvores, carros e casas, e obrigaram à deslocação de centenas de pessoas. Pelo meio, houve momentos de grande aflição, com localidades completamente cercadas e ameaçadas pelas chamas sem que os bombeiros nem a GNR conseguissem chegar antes do fogo para ajudar os moradores. No final, falou-se nas falhas do comando operacional, na ação das autoridades junto da população, na “eucaliptização” da serra, mas, sobretudo, dos apoios institucionais às vítimas dos incêndios, que tardam em chegar.

Estará o Algarve condenado a ficar sem médicos?

O ministério queria reforçar o centro hospitalar algarvio com mais 67 médicos, no período entre 1 de junho e 30 de setembro, tendo lançado um mecanismo de mobilidade especial. Mas o resultado foi o mesmo – ou pior – que nos anos anteriores, com menos de quatro clínicos a voluntariarem-se para preencher os horários mais “críticos” dos hospitais algarvios. Apesar dos incentivos, que não existem em mais nenhum setor da função pública, a maioria das vagas ficam abandonadas na região mais carenciada do país. Perante esta ineficácia, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, admitiu que o Governo vai repensar a fórmula para atrair jovens médicos para o Algarve, depois de o plano de mobilidade especial ter falhado. Resta saber quais serão os resultados no próximo verão, já que os incentivos não resultaram em concursos anteriores.

A odisseia de viajar de comboio no Algarve

O JORNAL DO ALGARVE fez-se à Linha do Algarve para testemunhar o calvário de que se queixam muitos passageiros, numa viagem de mais de três horas, entre Lagos e Vila Real de Santo António. Comboios envelhecidos, falta de regularidade, degradação do material, poucos trabalhadores, supressões e atrasos diários é a realidade que encontrámos e descrevemos. Muitos utentes passam por um verdadeiro martírio, já que todos os dias estão sujeitos a atrasos e até à incerteza de haver ou não comboio. A solução passa pela duplicação e eletrificação da linha férrea, uma promessa com mais de quatro décadas que todos esperam ver cumprida em 2021.

Produção de vinho algarvio deve atingir recorde em 2019

A poucos dias do início das vindimas, as previsões dos produtores algarvios apontavam para que, apesar da vaga de calor registada no mês de agosto, a produção de vinho não será afetada e até deverá atingir um novo recorde, podendo ultrapassar os 1,7 milhões de litros. Depois de um salto na ordem dos 50% verificado no último ano, a produção de vinho no Algarve deverá atingir assim um novo recorde. Refira-se que, em 2010, apenas entravam no mercado 500 mil litros.

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SETEMBRO

Todos os dias surgem 26 alojamentos locais no Algarve

A quatro meses do final de 2018, o número de registos no Algarve já ultrapassava largamente o verificado no ano inteiro de 2017, noticiava o JORNAL DO ALGARVE na primeira edição de setembro. No início da década, havia menos de quatro mil estabelecimentos de alojamento local no Algarve. Oito anos depois, o número já está perto das 30 mil unidades. O mesmo é dizer que, desde 2010 e até aos nossos dias, o alojamento local da região disparou 725%. E não há sinais de abrandamento, muito pelo contrário: 2018 está a bater todos os recordes: todos os dias surgem uma média de 26 novos espaços destinados ao alojamento turístico na região.

Há um antes e um depois da Via do Infante

O JORNAL DO ALGARVE assinalou o 15º aniversário da conclusão da Via do Infante (A22) com um artigo onde mostra como a mortalidade nas estradas da região caiu desde esta data. Depois da conclusão da via, em 2003, e mesmo depois da introdução das portagens, em 2011, a mortalidade nas estradas da região desceu a pique: basta dizer que nos cinco anos anteriores à conclusão da A22 (1999-2003) perderam a vida nas estradas algarvias 588 pessoas. Nos cinco anos seguintes (2004-2008), morreram “apenas” 318 (menos 270 mortes!) E nunca mais foi ultrapassada a centena de mortes por ano, como acontecia sempre até 2003.

Construção volta a aumentar pela primeira vez em 12 anos

O número de edifícios concluídos voltou a aumentar no Algarve – o que não acontecia há 12 anos – e isso pode indiciar uma viragem no setor. Ainda assim, hoje constrói-se menos 84% de imóveis do que em 2003, conclui o JORNAL DO ALGARVE. No final de 2017, existiam na região algarvia cerca de 201 mil edifícios de habitação familiar clássica e 383 mil alojamentos familiares clássicos. Isto significa que, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), apenas foram concluídos 2.539 edifícios e 6.123 alojamentos desde o ano 2010 na região. Para compreender a queda da construção civil nos últimos anos, basta dizer que, antes de 2009, esse número era atingido todos os anos sem exceção. Em 2008, por exemplo, foram concluídos 2.560 edifícios na região, mais do que aconteceu no total dos últimos oito anos. Em 2017, o número de imóveis concluídos foi de apenas 584. Ainda assim, é uma inversão na tendência de quebra registada no setor, que desde o ano de 2005 vinha a acumular resultados negativos na região algarvia. O ano de 2018 pode ser, assim, um ano de viragem para o setor, até porque o mercado imobiliário está ao rubro no Algarve, impulsionado pelo sucesso do turismo.

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OUTUBRO

Algarve perde cerca de 12 mil habitantes em sete anos

A população residente da região do Algarve atingiu o seu valor máximo em 2010, quando ultrapassou os 450 mil habitantes. Desde então, o declínio demográfico tem vindo a acentuar-se em praticamente todo o território algarvio. Só em 2017, a população algarvia reduziu-se em 1.852 pessoas, número que sobe para os 11.687 residentes quando comparado com há sete anos. É o equivalente ao desaparecimento do concelho de São Brás de Alportel, ou de Alcoutim, Aljezur e Monchique todos juntos…! Desde 2010, apenas o município de Albufeira viu crescer a sua população, mas ainda assim de forma pouco expressiva.

Mais mortos e feridos com menos acidentes registados

O JORNAL DO ALGARVE fez um novo balanço da sinistralidade na região e conclui que o número de desastres rodoviários no Algarve desceu nos primeiros nove meses do ano. Porém, os dados oficiais indicam que foram registadas mais vítimas mortais e mais feridos graves. Ou seja, por enquanto, nem a requalificação de parte da EN125 está a conseguir travar esta tendência.

Espanhóis emperram navegabilidade do Guadiana

As obras para restabelecer a navegabilidade no rio Guadiana, entre Alcoutim e o Pomarão (concelho de Mértola, Alentejo), integradas num projeto cuja primeira fase (entre Vila Real de Santo António e Alcoutim) foi concluída no final de 2015, ainda não avançou porque Portugal continua “a aguardar o parecer das entidades espanholas”, explicou a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, em outubro. O projeto de navegabilidade prevê a reposição das condições e o assinalamento marítimo do canal navegável, estando apenas a aguardar parecer por parte das entidades ambientais espanholas. Duas semanas depois, acontece um acordo inédito que permite elaborar a carta hidrográfica do Guadiana. A nova medida permitirá aumentar a segurança da navegabilidade deste rio internacional e reforçará a cooperação entre Portugal e Espanha, unificando padrões, procedimentos e metodologias entre os institutos hidrográficos.

Faltam bancos e abrigos nas paragens de autocarro no Algarve

O JORNAL DO ALGARVE dá conta que há cada vez mais algarvios revoltados com a falta de condições nas paragens de autocarro, sendo que muitas nem sequer têm assentos ou estruturas de proteção. “Existem centenas ou milhares de abrigos que não abrigam coisa nenhuma”, denuncia Tânia Neves. A jurista da Deco revela que “as queixas estão a aumentar consideravelmente” na região e exige “mais e melhores condições” para quem aguarda pela chegada dos transportes públicos no Algarve.

Culatra reconhecida como núcleo residencial consolidado

O Governo reconheceu oficialmente neste mês a Culatra como “núcleo residencial piscatório consolidado” na União de Freguesias de Faro (Sé e São Pedro). Com a publicação desta portaria, fica aberta a possibilidade de legalização de casas. Os residentes têm agora até abril de 2019 para solicitar à Agência Portuguesa do Ambiente o respetivo título. Se não o fizerem no prazo estabelecido, terão que desocupar o domínio público marítimo.

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NOVEMBRO

Galp e ENI desistem da exploração de petróleo ao largo de Aljezur

Em novembro surge um novo capítulo na novela do petróleo. O consórcio formado pela portuguesa Galp e pela italiana ENI anuncia que desistiu da exploração de petróleo ao largo de Aljezur. “A Galp e a Eni tomaram a decisão de abandonar o projeto de exploração de fronteira na bacia do Alentejo. Apesar de lamentarmos a impossibilidade de avaliar o potencial de recursos offshore do país, as condições existentes tornaram objetivamente impossível prosseguir as atividades de exploração”, explicou a Galp. Esta decisão surge após o Tribunal de Loulé ter deferido uma providência cautelar, em agosto, para suspender a licença, interposta pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo. Depois da decisão do tribunal, o consórcio chegou a avançar que estava a avaliar as várias opções e acabou, neste mês, por anunciar a sua desistência da exploração. A reação dos movimentos ambientalistas, empresários e autarcas foi imediata, falando de uma “vitória para o ambiente e para o Algarve”. Mas será que esta novela terminou mesmo de vez…?!

População vai ser preparada para reagir a tsunami

O primeiro teste à sirene de aviso de tsunami foi realizado, no início de novembro, na Praia da Rocha, em Portimão. O JORNAL DO ALGARVE apurou que os próximos passos passam pela formação da população para interpretar os sinais e alertas de risco que serão instalados brevemente. Outras medidas passam pela identificação de zonas seguras e a realização de exercícios envolvendo a população das áreas inundáveis por uma onda gigante. O sistema prevê a colocação de mais três equipamentos do género na linha de costa do município, sinalética e mensagens sonoras em português e em inglês. A ideia é alargar este sistema a outras zonas vulneráveis no litoral algarvio.

Novo hospital ainda sem verba no Orçamento de Estado 2019

O Orçamento de Estado para 2019, cuja discussão e votação decorreu em novembro, não voltou a contemplar investimento para o Hospital Central do Algarve. Esta unidade foi preterida em favor de outros cinco hospitais noutras regiões do país. Recorde-se que o anúncio da construção do novo hospital do Algarve já remonta a outubro de 2002, quando o secretário de Estado da Saúde do Governo PSD/CDS veio à região fazer esse anúncio. Mais tarde, em 2006, o novo hospital até teve direito a lançamento da primeira pedra, no Parque das Cidades. Já em fevereiro de 2008, o Ministério da Saúde do governo socialista determinou o lançamento do concurso, seguindo-se diversas fases desse processo, mas tudo viria a ser interrompido em 2011, pelo governo PSD/CDS, com a chegada da troika a Portugal. Já passaram sete anos e o processo continua na gaveta…!

O Brexit é uma ameaça “muito séria” para o Algarve

Uma quebra de turistas britânicos após a oficialização do Brexit poderia ter consequências muito negativas para toda a economia algarvia. Apesar de outros mercados turísticos poderem ajudar a “disfarçar” essa situação, este é um mercado “insubstituível” para o Algarve. O alerta é de Vítor Neto, presidente da Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA) e antigo secretário de Estado do Turismo. Em declarações ao JORNAL DO ALGARVE, o empresário algarvio defende que este “é um cenário para o qual devemos estar preparados e procurar conter e atenuar efeitos negativos”, já que o ano de 2019 pode trazer problemas ao turismo algarvio. Atualmente, alguns sinais da retração dos turistas ingleses já se fazem sentir na região. Desde o início do ano, o aeroporto de Faro já registou numa quebra de 7% na chegada de passageiros do Reino Unido, que em 2017 saldaram-se em mais de dois milhões.

Inaugurada nova ETAR Faro/Olhão

A nova estação de tratamento de águas residuais (ETAR) Faro/Olhão foi inaugurada, em novembro, pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. A infraestrutura serve os concelhos de Faro, Olhão e São Brás de Alportel, ou seja, cerca de 115 mil pessoas, permitindo ainda desativar os sistemas de lagunagem das ETAR Faro Nascente e Olhão Poente que se encontravam subdimensionadas. A nova ETAR Faro/Olhão, uma obra da Águas do Algarve, custou mais de 21 milhões de euros.

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DEZEMBRO

Um fogo que ainda arde sem se ver

Quatro meses depois do incêndio que lavrou no início de agosto, deixando um rasto de destruição por toda a serra de Monchique, o JORNAL DO ALGARVE dá conta que os apoios institucionais tardam em chegar às vítimas. A própria população, que é maioritariamente pobre e idosa, revela que tem sobrevivido mais com a ajuda de voluntários e das instituições de solidariedade do que com as respostas do Estado.

Calendário para novo hospital ganha forma em 2019

Apesar de não terem sido inscritas verbas no OE 2019 para a construção do Hospital Central do Algarve, todas as bancadas da Assembleia da República aprovaram uma proposta que prevê o início, já no próximo ano, dos procedimentos para a concretização do projeto, que terá ainda de ser atualizado, por já ter mais de uma década e estar desajustado à realidade atual. Ou seja, após mais de uma década de impasse, a nova unidade de saúde – que está na lista das prioridades desde 2006 – poderá finalmente sair do papel. Em 2019 será divulgado o calendário das obras deste grande projeto regional.

Foto: Facebook Comissão Utentes Via do Infante

Há seis anos que não morriam tantas pessoas nas estradas

A menos de mês para terminar o ano, o JORNAL DO ALGARVE revela que 2018 caminha a passos largos para ser um dos anos mais sangrentos da década nas estradas do Algarve. As 38 vítimas mortais registadas até à altura já representavam o pior registo dos últimos seis anos. São mais onze mortes do que em igual período de 2017 e mais oito do que no total do ano passado, indica a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). A nível nacional, Faro é o quarto distrito que registou, este ano, mais vítimas mortais em todo o país (38), só ultrapassado pelos distritos de Lisboa (46), Porto (51) e Setúbal (62). Os acidentes rodoviários provocaram ainda 187 feridos graves na região, entre os meses de janeiro e novembro, mais quatro do que em igual período de 2017. Por outro lado, registaram-se desde o início do ano 10.077 acidentes rodoviários no Algarve, menos 121 do que no mesmo período de 2017. Ainda assim, este é o terceiro ano consecutivo que o Algarve alcança a marca dos dez mil acidentes, à média de 30 sinistros por dia…! A Comissão de Utentes da Via do Infante, que no dia 8 de dezembro assinalou o sétimo aniversário das portagens no Algarve, culpa a cobrança pela “tragédia” que se vive nas estradas da região.

O fim do comércio tradicional ainda não está à vista

Dezembro é o mês recorde das compras no comércio tradicional. Os comerciantes algarvios esperam “boas vendas”, mas dizem que “o problema é o resto do ano”, numa região que tem o maior número de metros quadrados de grandes superfícies por habitante na Europa. Mesmo assim, o presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), Álvaro Viegas, confessa ao JORNAL DO ALGARVE que o comércio tradicional “está a resistir melhor do que se esperava”, muito por culpa do crescimento do turismo algarvio. No entanto, Álvaro Viegas reconhece que o setor precisa de “dar saltos maiores” para enfrentar a atual mudança de paradigma do comércio, frisando a necessidade de se “acompanhar os novos formatos comerciais” e de se evoluir para a “venda virtual”.

Afinal, os contratos de petróleo ainda estão “ativos”

Apesar do anúncio do abandono do projeto de exploração de petróleo ao largo da região algarvia, os contratos de pesquisa e produção de petróleo continuam “ativos”, tal como os vários processos judiciais que deram entrada nos tribunais. A informação é clara e está acessível para todas as pessoas na página da internet da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), conforme revela o JORNAL DO ALGARVE. Por sua vez, uma fonte da Galp garante ao nosso jornal que, tal como foi anunciado a 29 de outubro, “o consórcio liderado pela Eni – do qual a Galp fazia parte – entendeu não se encontrarem reunidas as condições para a realização do projeto, pelo que decidiu cessar a sua participação no mesmo”. A mesma fonte acentua ao nosso jornal que “não houve, desde então, qualquer desenvolvimento que justifique a alteração desta posição”. Também o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, assegurou, durante uma visita a Faro, que o furo de Aljezur é um assunto encerrado e que “essa matéria está resolvida”. Mas, apesar destas garantias, a PALP denuncia que a Eni e a Galp não desistiram do projeto ao largo do Algarve e que a decisão de abandonar a concessão “parece não estar efetivamente a confirmar-se”. “A proclamação por parte das concessionárias de abandonar o projeto na bacia do Alentejo não se traduziu em qualquer ato que colocasse fim às ações judiciais em curso”, dizem.

(NOTÍCIA PUBLICADA NA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE DE 20 DE DEZEMBRO)

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