“Palavras como corrupção e escândalo estão em todo o lado nos artigos sobre a FIFA”

Luís Figo
Luís Figo

“O futebol é a minha vida, essa é a chave desta candidatura. Devo ao futebol o que sou, e sinto que chegou a hora de retribuir tudo o que recebi ao longo de tantos e tantos anos.”

A entrevista ao Expresso é por escrito, mas nela se percebe a extensão da ambição de Luís Figo. Diz o antigo internacional português que deve tudo ao futebol. E porque o futebol que jogou e viu jogar não é o futebol de hoje, decidiu avançar para limpar um organismo, a FIFA, ao qual falta “transparência, credibilidade e capacidade mobilizadora.”

“Olho para a reputação da FIFA neste momento e não gosto do que vejo. Foi uma decisão ponderada, assente na vontade de mudança, numa visão reformadora, na necessidade que vejo de dar mais transparência a uma instituição que vai perdendo credibilidade e a sua capacidade mobilizadora.”

“O futebol”, garante Figo, “merece melhor”. “Ao longo das últimas semanas, meses e até anos, assisti a uma acentuada degradação da imagem da organização e sinto que é tempo de inverter esta realidade.”

Cinco federações apoiam Figo

“Garanti o apoio das cinco federações que são necessárias”, confirma Figo na sua declaração por escrito. “Portanto, sim, sou candidato com os requisitos exigidos.”

O antigo jogador não detalha quais são as cinco federações mas, claro, a Federação Portuguesa de Futebol é uma delas: “Gostava, naturalmente, de agradecer à Federação Portuguesa de Futebol, na pessoa do seu presidente, Dr. Fernando Gomes, por ter sido a federação proponente, por ter acreditado nas minhas capacidades e na necessidade de apresentar uma alternativa a uma organização que precisa de ser renovada.”

“Somos um país que vive como poucos o futebol, que tem uma história única com 5 Bolas de Ouro [uma de Eusébio, uma de Figo e três de Cristiano Ronaldo], por isso faz sentido ser a Federação Portuguesa de Futebol a apresentar uma alternativa de mudança”, acrescenta o jogador.

Problemas na governação

“Não há nada de errado com o futebol, mas a história é outra quando pensamos na sua governação”, acrescenta Luís Figo. “Existe uma grande falta de transparência, clareza e solidariedade na FIFA.” O jogador exemplifica: “Se fizer agora uma pesquisa no Google sobre a FIFA, verá o que o mundo pensa dela, e não é nada bom. Palavras como corrupção e escândalo estão em todo o lado nos artigos escritos sobre a organização. Quando falo com os meus amigos no futebol, e tenho muitos, não há ninguém que tenha uma visão positiva da FIFA. Precisamos de mudar esta imagem, e precisamos de fazê-lo agora.”

Será possível vencer Blatter, o presidente histórico da Fifa? “Entrei nesta campanha para iniciar um debate”, responde. “Sepp Blatter está na FIFA há muitos anos. É presidente desde 1998 e por isso tem grande influência na organização. Mas, se não concorreres, não podes ganhar. Há muitos meses pela frente, e vou trabalhar ao máximo para convencer as pessoas de que devem votar em mim. Não vou concorrer contra ninguém, vou concorrer a bem do futebol. O que digo a todas as federações é que não tenham medo da mudança!”

Figo diz que já “tinha falado desta ideia em privado com a família e amigos há alguns meses” e já “tinha contactado recentemente com algumas pessoas influentes no mundo do futebol”. Mas o que o convenceu “foi toda a controvérsia em torno do relatório Garcia e todas as histórias negativas sobre a FIFA e o futebol mundial. Pensei, é esta a imagem que as pessoas têm da governação do futebol? Quer dizer, este foi um ano de campeonato do mundo, e tudo o que ouvi foi as pessoas dizerem coisas negativas sobre a FIFA. Isto não é aceitável. É necessário promover uma renovação da organização.”

A 29 de maio, Luís Figo concorre contra Blatter, Jérôme Champangne (ex-dirigente FIFA), David Ginola (ex-jogador francês), Michael van Praag (presidente da federação holandesa) e o príncipe jordano Ali bin Al-Hussein.

RE

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