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Palestina quer ser estado-observador da ONU

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Assembleia Geral da ONU vota hoje estatuto da Palestina na organização. Áustria, Espanha e França já declararam apoio, EUA e Israel estão contra, obviamente

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A Autoridade Palestiniana vai submeter hoje a votação, na Assembleia Geral das Nações Unidas, uma resolução para elevar o estatuto da Palestina para estado-observador não membro da organização, um passo que considera importante para uma futura solução do conflito com Israel.

Os palestinianos esperam um apoio massivo e contam já com muitos defensores na Europa, incluindo Portugal, que anunciou na semana passada que vai votar favoravelmente.

Ao contrário do Conselho de Segurança, na Assembleia-Geral não há direito de veto e a resolução tem amplas hipóteses de ser aprovada. Caso se concretize, permitirá aos palestinianos, no futuro, integrarem-se nas diferentes agências e organismos internacionais, incluindo o Tribunal Penal Internacional.

Maioria deve votar a favor

Mais de metade dos países europeus deverá votar favoravelmente a resolução palestiniana, um ou dois contra e os restantes deverão abster-se, estima o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Áustria que, na sequência da posição assumida pela França – primeiro país europeu a anunciar que vai votar a favor – já manifestou igualmente o seu apoio.

Segundo a diplomacia austríaca, o apoio foi decidido depois de fracassar uma tentativa para haver uma posição comum europeia.

A petição, que conta com a oposição de Israel e dos EUA, recebeu nos últimos dias o apoio de países como França, Espanha, Áustria, Portugal e Japão, que convenceram o primeiro-ministro israelita a não aplicar sanções desproporcionadas perante o esperado reconhecimento da Palestina como Estado observador da ONU.

O Governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que tinha ameaçado com a aplicação de represálias, vai dar “uma resposta moderada”, avança o jornal “Yediot Aharonot”.

França diz ‘sim’ por “coerência”

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, justifica o voto da França a favor, ontem anunciado, “por coerência” com a posição historicamente assumida por Paris.

Numa entrevista à rádio France Inter, Fabius reconhece, no entanto, que esta votação pode gerar, a curto prazo, “mais tensões” entre palestinianos e israelitas e faz um apelo para que “sem condições e sem esperar mais se iniciem negociações” entre as partes.

“Votaremos sim pelo reconhecimento da segurança de Israel (…) e pelo reconhecimento de um Estado para os palestinianos”, argumenta Laurent Fabius depois de recordar que essa tinha sido a linha dos dois anteriores Presidentes franceses, os conservadores Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy, e também do atual chefe do Estado, o socialista François Hollande.

O chefe da diplomacia francesa assegura que “não existiu” uma suposta divergência entre o departamento dos Negócios Estrangeiros e Hollande, a quem se tinham atribuído certas reticências ao pedido que os palestinianos vão apresentar amanhã na ONU.

Espanha confirmou voto favorável

Entretanto, a Espanha anunciou esta quarta-feira que vai votar a favor do reconhecimento da Palestina. O ministro dos Negócios Estrangeiros Jose Manuel Garcia Margallo disse esta manhã no Parlamento que Espanha vai apoiar o pedido palestiniano por considerar que é a melhor via para a paz.

O anúncio de Madrid foi feito um dia depois de França. Já o Reino Unido e a Alemanha voltaram a não se pronunciar sobre o seu sentido de voto na sessão de hoje.

Numa conferência conjunta com o primeiro-ministro turco Recep Erdogan, o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, por sua vez, declarou que defende “uma solução negociada, justa, global e duradoura” para o conflito israelo-árabe, com “dois Estados que convivam em paz, segurança e prosperidade”.

Maria Luiza Rolim (Rede Expresso)

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