PCP questiona o Governo sobre serviços de cardiologia no Algarve

Os deputados do PCP Paulo Sá e Carla Cruz fizeram uma pergunta ao Governo para que fosse explicado o motivo pelo qual está adiado sine die o projecto de criação de serviços submetido por médicos especialistas em Cirurgia Cardiotorácica e em Anestesiologia.

Também querem saber se o Ministério da Saúde está disponível para encetar com os proponentes desse projeto, e outras partes interessadas, uma discussão séria que possa contribuir para que o CHUA seja dotado das valências de Cirurgia Cardiotorácica e Cirurgia Vascular?

E, ainda, que obstáculo, concretos, vê o Ministério da Saúde à criação de um Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular no CHUA e que medidas tomará para vencer esses obstáculos e se está disponível fazer o que for preciso fazer para que, a curto prazo, o Serviço Nacional de Saúde no Algarve disponha de um Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular.

Quer também saber o PC “como avalia o Ministério da Saúde o facto de grupos privados da saúde terem conseguido criar serviços de Cirurgia Cardiotorácica nos seus hospitais da região algarvia, enquanto no Serviço Nacional de Saúde esse objetivo é adiado sine die e em que medida é que este adiamento serve o interesse público e os utentes do Serviço Nacional de Saúde”.

Estas novas perguntas surgem da sequência de, em dezembro de 2018, o PCP ter questionado o Ministério da Saúde sobre a criação de um Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular no Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Aquele ministério respondeu que reconhecia «que seria importante poder contar com a colaboração de médicos especialistas em cirurgia cardiotorácica e cirurgia vascular», mas acrescentava que «apesar das diligências efetuadas, não tem sido possível encontrar equipas médicas com as respetivas competências nessas áreas que assegurem uma resposta 24 horas por dia, tal como se exige de um centro hospitalar universitário, com serviço de urgência polivalente e tipologia de hospital central».

O PCP diz saber que, em 2016, médicos especialistas em Cirurgia Cardiotorácica e em Anestesiologia submeteram ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) um projeto para a criação de um Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular nesse centro hospitalar, o qual foi, subsequentemente, encaminhado para a tutela.

Em linhas gerais, “o projeto apresentado definia como objetivo principal a criação do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular no CHA, com uma equipa residente e fixada na região, para o diagnóstico e tratamento das diferentes patologias cardiovasculares e torácicas, em regime eletivo, urgente e emergente. Adicionalmente, propunha-se que a criação do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular no CHUA funcionasse também como base de apoio e de facilitação para o desenvolvimento futuro e sustentado da Cardiologia de Intervenção Estrutural e para a criação de um programa de ECMO para doentes cirúrgicos e doentes médicos críticos”.

Dizem ainda Paulo Sá e Carla Cruz que a proposta previa também uma equipa de Anestesiologia dedicada, integrada no projeto de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular, residente e fixada na região, com capacidade para colaborar, suplementarmente, na atividade do Serviço de Anestesiologia do CHUA. Para além da atividade clínica, afirmam, foi formalmente manifestado o propósito de desenvolvimento da atividade não assistencial, ao nível da formação pré-graduada e pós-graduada.

De acordo com os proponentes, o desinteresse dos decisores em relação ao referido projeto foi manifesto, o qual não mereceu a atenção suficiente e necessária para se passar à fase de discussão e de aplicação prática do seu conteúdo, entre todos os proponentes e as partes interessadas.

Entretanto, os grupos privados da saúde criaram esta área de intervenção nos seus hospitais da região algarvia.

Entende o PCP que o Governo “não pode continuar a adiar a criação de um Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular nos hospitais públicos da região algarvia, devendo criar condições para a concretização, a curto prazo, desse objetivo. No Algarve, o Serviço Nacional de Saúde, deve e pode ter as valências de Cirurgia Cardiotorácica e de Cirurgia Vascular”.

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