Perdi um grande amigo

Conheci o Fernando Reis em 1973, quando ambos frequentámos o então 6.º ano no Liceu de Faro, na mesma turma e na vertente de letras. Colegas de liceu, de carteira com carteira, ele ligeiramente mais velho do que eu, mas com os mesmos sonhos que podem ter os jovens de 16,17 18 anos.


Desde essa altura cimentámos uma amizade sincera, como são todas as amizades que nascem sob o manto da pureza, da identidade e da lealdade.

Almoçávamos na cantina do liceu, mas quando a carteira o permitia, demandávamos a Rua de Santo António à procura de outras experiências gastronómicas que a pobre, mas digna cantina liceal não poderia oferecer.


Depois de concluído o curso liceal, ambos demandámos Lisboa, ele para a faculdade de Letras e eu para a de Direito, situadas frente a frente, o que sempre permitiu a continuação dos encontros que regularmente continuámos a ter, agora já em plena liberdade que Abril permitiu.


Após a conclusão dos cursos, ele retornou para Vila Real, e eu para Loulé, ambos para as respectivas bases, conservando entranhado amor às origens, que ambos nunca renegámos.


Os encontros regulares continuaram e o Fernando embalado com os ventos de Abril e com o fim da censura avançou para o seu sonho que foi a génese da constituição da Sociedade Viprensa, proprietária do Jornal do Algaarve, de que foi director até à sua morte.


Os estatutos da mesma foram elaborados por mim e pelo meu colega Carlos Romba e formalizados no Cartório Notarial de Loulé. Desde essa data que me mandava semanalmente a edição do jornal que continua a ser um jornal de referência no Algarve,de que os algarvios se devem orgulhar.


Recentemente organizávamos um almoço de confraternização em Ayamonte juntamente com o Duval Pestana, o meu colega Carlos Romba, e o meu particular amigo e colaborador do Jornal, Humberto Gomes.


Estavamos longe de imaginar nessa altura o cruel destino que o aguardava.


Após o diagnostico e posterior internamento hospitalar do Fernando, era o meu distinto amigo, colaborador do Jornal, e tal como o Fernando, vila realense dos quatro costados, Neto Gomes que me ia dando informações do seu estado de saúde. As primeiras indicavam que a recuperação era possível, mas as segundas eram de sinal contrario, e os piores receios vieram infelizmente a confirmar-se para desespero de todos.


Perdi um grande amigo!


Para a viúva e filhas do Fernando, sei que são inúteis todas as palavras para diminuir a nossa dor em tais circunstâncias, mas não dispenso de afirmar que as acompanho neste momento de dor e grande tristeza.


O Fernando não nos deixou. Apenas passou para o outro lado do caminho.

Artur Gonçalves

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