MUNDO

Polónia reabre processo sobre Auschwitz

A Polónia retomou a investigação sobre os crimes cometidos pelos nazis no campo de concentração de Auschwitz, onde mais de um milhão de pessoas foram assassinadas durante a II Guerra Mundial.

O Instituto da Memória Nacional (IPN) polaco quer localizar os responsáveis pelo extermínio de mais de um milhão de pessoas no campo de concentração de Auschwitz, localizado nos arredores de Cracóvia, sul da Polónia. Aqueles que ainda estiverem vivos e forem encontrados serão julgados por crimes contra o país.

A decisão foi tomada pouco tempo depois de os investigadores dos crimes de guerra na Alemanha terem reaberto os casos contra possíveis colaboradores no genocídio.

O IPN é o organismo encarregue de investigar os crimes da era nazi e da era soviética, e perseguir os seus responsáveis.

Segundo dados oficiais, mais de 1,5 milhões de pessoas foram exterminadas em Auschwitz, a maioria polacos (judeu e não judeus).
Investigação alargada a outros campos de concentração

O responsável pelo IPN não descarta a possibilidade de encontrar vivas algumas das pessoas que trabalharam no campo de concentração de Auschwitz.

Em declarações à agência de notícias PAP, Piotr Piatek disse que a investigação incluirá outros campos de concentração dirigidos por nazis durante a ocupação da Polónia, como Treblinka e Sobibor.

A Polónia já realizou várias investigações à caça de criminosos de guerra nazis nos anos 60 e 70, mas acabou por arquivar os processos nos anos 80 sem ter feito nenhuma acusação por dificuldades em interrogar os criminosos e testemunhas no estrangeiro.

A Associação Americana de Sobreviventes do Holoausto e seus Descendentes celebraram a decisão do IPN “de levar ao banco dos réus, embora tardiamente, os responsáveis por tão monstruosos crimes”, considerando que “não se trata apenas de uma questão de justiça”, mas também um serviço à educação e à memória”, disse Elan Steinberg, em nome do organismo.

JA/Rede Expresso
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Comentário

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  • Um inquérito apenas para Auschwitz?

    De facto foi o campo onde o homem do gas acidulado com sabor a amêndoas mais terá trabalhado.

    Mas na Polónia havia muitos Campos de Concentração, onde, se não se matou pelo gas, matou-se pela fome, pela exaustão, pela ignomínia das experiências científicas em corpos humanos (crianças, mulheres, homens).

    E será que durante a ocupação nazi os polacos não tinham conhecimento destes campos? Claro que tinham conhecimento. Toda a população tinha conhecimento do que lá se passava.

    Que nacionalidade tinham os cabeleireiros (ou barbeiros se quiserem) que cortavam os cabelos às mulheres, ou noutros casos, não as rapando, «lhes diziam que eram para ir a uma festa?» Claro que eram de nacionalidade polaca. Eram polacos que trabalhavam em Auschwitz, e ganhavam bom dinheiro.

    Então qual a razão que eles durante a ocupação soviética não denunciaram estes casos. Será por que o Estaline também tinha efectuado algum “Pogrom” onde desapareceram muitas centenas de milhares de judeus?

    Então por que é que ao longo destes últimos anos os polacos não têm facilitado a vida aos descendentes dos judeus mortos no sentido de lhes ser devolvido os bens (casas e muitos outros géneros de bens) que os polacos se apropriaram?

    Mas neste caso não foram somente os polacos que se apropriaram de bens de judeus que foram a caminho dos campos de concentração e nunca mais voltaram. Também houve outros povos que lhes subtrairam (roubaram-nos enquanto eles estavam escondidos – mergulhados) e depois denunciaram-nos à Gestapo local (holandeses, belgas, franceses,….).

    E quando a Guerra terminou na Polónia o que é que fizeram às sinagogas? Preservaram-nas? Não! Destruiram-nas!

    Agora vêm chorar lágrimas de crocodilo? Quando tudo o que aconteceu de mal aos judeus na Polónia foi sempre do agrado da maioria da população polaca que os segregava e os confinava aos guetos, jamais os assimilando. Também é verdade que a comunidade judaica sempre preservou a sua identidade de forma muito especial, diga-se em abono da verdade.

    Auschwitz, hoje, ainda continua a ser uma próspera fonte de rendimentos para o turismo polaco. São milhares e milhares de turistas que anualmente ali se deslocam. A morte e a tortura depois de terminada ainda continua a ser geradora de riqueza para a Polónia.

    Eu deverei ter a minha parte de judaico enquanto baptizado cristão, mas tal não me impede de reconhecer a tragédia que foi o Holocausto.

    De Timothy B. Malchow respigamos o seguinte trecho «[…] Isso nunca mais vai deixar de estar presente; e a nossa vergonha não vai desaparecer, mesmo conseguindo substituir toda a força dessas imagens – os sapatos, os óculos, cabelo, os corpos – que resistem à abstracção. Apesar de rodeado de explicações, Auschwitz jamais será compreendido[…]

    (in Approaches to teaching Grass´s, The Modern Language Associaton of América, New York, 2008, p. 59)

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