CULTURA

Ponte Velha de Silves classificada como monumento de interesse público

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A Ponte Velha de Silves sobre o rio Arade foi classificada como monumento de interesse público pelo Governo, segundo uma portaria publicada em abril em Diário da república (DR).

Na portaria n.º 330/2020, assinada pela secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Carvalho Ferreira, o Governo justificou a classificação com o interesse do imóvel “como testemunho notável de vivências ou factos históricos, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagista e ao que nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva”.

Implantada a eixo da Porta de Almedina da muralha da cidade de Silves, no distrito de Faro, o monumento tem sido, segundo o despacho do Governo, “uma das mais debatidas pontes nacionais, devido a opiniões contraditórias que atribuem a sua construção a três períodos distintos: à época romana, ao domínio islâmico ou ao final da idade média”.

“Na verdade, a estrutura que chegou até hoje só evidencia características desta última fase, permanecendo a dúvida sobre a sua real existência no século IV ou, mais tarde, no momento em que Silves foi capital de um reino islâmico”, lê-se na portaria.

O documento acrescenta que alguns historiadores, colocados perante o estatuto de Silves como capital de um reino islâmico medieval, atribuíram aos séculos X/XII “a construção da ponte, obra de prestígio, de requinte e de apurada engenharia, só possível pela estabilidade e desenvolvimento que uma ‘capital’ poderia transmitir”.

“Mas, em 1189, na altura da primeira conquista da cidade por D. Sancho I, o cruzado que acompanhou as tropas e que posteriormente relatou o feito, não refere a existência de qualquer ponte, elemento por demais importante para, caso existisse, ser obviamente mencionado”, indica o despacho.

Assim, sustenta o documento, “não é ao período de domínio islâmico, nem tão pouco ao século XIII, quando a cidade foi (re)conquistada e se tornou sede do reino cristão do Algarve e sede de bispado, que devemos atribuir a atual ponte. Ela datará já do século XV, em particular do reinado de D. Afonso V”.

“A obra da ponte deverá datar deste período, sintomaticamente o último capítulo de fulgor da outrora capital islâmica”, lê-se também na portaria.

A Ponte de Silves, monumento emblemático da cidade, era inicialmente composta por seis arcos, intercalados por talhamares, maioritariamente piramidais de tripla face, e elevados até à altura das guardas, tendo um deles sido suprimido aquando da construção da avenida marginal.

Segundo a portaria, informações relativas à ponte datadas do século XVII, indicam que a mesma “se encontrava muito degradada, sendo natural que, ao longo dos tempos, tenha recebido beneficiações, de caráter utilitário e imediato e não estilisticamente relevantes”. 

Em 1950, com a construção da nova ponte rodoviária sobre o rio Arade, a Ponte Velha de Silves tornou-se num espaço pedonal de lazer, associado, posteriormente, à zona ajardinada da marginal, assumindo, a partir de então e até hoje, o estatuto de monumento e símbolo do passado de Silves.

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