DESPORTO

Portimonense perde nos descontos com o Marítimo e falha quinto lugar

Portimonense viu, pela segunda vez na primeira parte, um golo seu ser anulado

A derrota do Portimonense, esta tarde, por 2-1 frente ao Marítimo em jogo da 17.ª jornada, impediu a equipa de Paulo Sérgio de ascender ao quinto posto da classificação.

Rafik Guitane abriu o ativo aos 45+7 num final de primeira parte polémico e com os ‘nervos à flor da pele’, imediatamente após um golo anulado aos locais e já depois de uma grande penalidade marcada por Carlinhos, aos 31, ter sido anulada por dois toques na bola do brasileiro, que escorregou.

No segundo tempo, aos 68, Fabrício assinou a igualdade, de penálti, mas o Marítimo voltou a surpreender os algarvios nos ‘descontos’, com Joel Tagueu a decidir o encontro aos 90+1.

A equipa da Madeira continua no nono lugar da tabela, agora com 20 pontos, menos quatro do que o adversário de hoje, que ocupa a sexta posição, contrastando o bom percurso fora com apenas duas vitórias nos nove encontros disputados em casa.

Várias ausências obrigaram os dois treinadores a alterações nos seus conjuntos: o Portimonense teve três novidades no ‘onze’ face à derrota com o Sporting (3-2), enquanto no Marítimo houve quatro mudanças em relação à vitória (2-0) sobre o Vizela.

O conjunto algarvio esteve mais ativo nos minutos iniciais, mas o jogo foi pouco animado na primeira meia hora e só Aylton Boa Morte criou perigo, aos 13 minutos, dando um toque a mais e deixando a bola fugir pela linha de fundo ao tentar ultrapassar o guarda-redes adversário.

À passagem dos 30 minutos, Cláudio Winck tocou a bola com a mão na grande área e, na marcação da grande penalidade, Carlinhos escorregou, tocou na bola com o pé esquerdo e rematou com o direito. O jogador ainda celebrou o golo, antes de o videoárbitro alertar André Narciso para a irregularidade dos dois toques na bola.

O mote para um final de primeira parte emocionante estava dado: aos 36 minutos, Diogo Mendes obrigou Samuel Portugal a grande defesa para canto, enquanto no terceiro minuto dos descontos da primeira metade, Rafik Guitane conduziu um contra-ataque desde a entrada da área madeirense e isolou na hora certa Ali Alipour, que desperdiçou de forma flagrante, rematando cruzado muito perto do poste.

O Portimonense voltou a celebrar pouco depois (45+5), mas o golo seria anulado a Aylton Boa Morte. Numa fase anterior da jogada, o VAR descortinou fora de jogo do extremo, que não parece tocar na bola embora se movimente – esticou a perna – com intenção de o fazer.

Com os jogadores algarvios a rodearem o árbitro André Narciso em protestos veementes, o guarda-redes Paulo Victor repôs a bola de forma rápida para o contra-ataque de Guitane, que correu para a área e atirou em jeito ao ângulo superior direito da baliza de Samuel Portugal (45+7).

O Portimonense voltou dos balneários sedento em busca do empate, que Nakajima falhou num lance cortado por Léo Andrade em cima da linha de golo (50), mas a resposta do Marítimo teve um Samuel Portugal à altura, com três defesas de grande categoria (57), em remates de Winck, Joel Tagueu e Guitane.

Os algarvios mantiveram a pressão sobre os madeirenses e, aos 67, Zainadine cometeu grande penalidade sobre Angulo: Fabrício não desperdiçou, convertendo a respetiva grande penalidade na estreia a marcar nesta edição da I Liga.

Face à igualdade no marcador, e apesar do ascendente do Portimonense, o jogo estagnou, até que, nos descontos, o Marítimo voltou a surpreender. Após transição rápida, André Vidigal rematou para defesa de Samuel Portugal e Joel Tagueu não falhou na recarga (90+1).

Declarações após o jogo no Municipal de Portimão

Paulo Sérgio (treinador do Portimonense):

“[A derrota com dois golos nos ‘descontos’] Tem um sabor terrível. É um jogo com muitas peripécias.

Gostaria de ver uma imagem que mostre que o Aylton tocou na bola no golo invalidado. Já vi dezenas de imagens e ainda não vi nenhuma. Talvez tenham alguma que eu não tenha visto.

Depois, a infelicidade na forma como perdemos aquela grande penalidade com os dois toques na bola [de Carlinhos].

Não deixa de ser uma ingenuidade nossa, mas a bola que dá o primeiro golo do Marítimo é uma bola ‘à traição’, digamos assim, e também gostaria que vissem onde o fora de jogo foi marcado e a bola foi reposta, fora da área, mais à frente.

Mas, somando a tudo isso, acho que foi uma grande partida da equipa, que se fartou de criar jogo e encostar o Marítimo ‘às cordas’.

Estávamos a avisar os jogadores para o perigo de irmos à procura do segundo golo e destaparmos [a defesa], mas cometemos o erro que vai proporcionar a felicidade extrema à equipa do Marítimo.

Se o empate já saberia a pouco, não levar ponto nenhum deste jogo, face à prestação da equipa, estamos bastante frustrados com isso, ainda que positivos com o desempenho.

Estar nesta posição [sexto lugar], com um trabalho que é feito a desenvolver jovens que saem da equipa de sub-23, acho que estamos orgulhosos do que estamos a fazer bem, mas sentimos, principalmente nos jogos em casa, que podíamos ter mais uma boa meia dúzia de pontos sem favor de ninguém. Estamos satisfeitos com a classificação, mas há muita coisa para conquistar e, portanto, muita humildade e os ‘pés no chão’ porque nada está feito.

Perdemos pontos em casa por motivos diferentes. Cada jogo tem a sua história e fazer um resumo global da situação não me parece objetivo. Na maior parte dos jogos em que deixámos fugir pontos em casa, tivemos melhor qualidade de jogo e supremacia sobre os adversários. Mas o futebol é pródigo nestas coisas, nós também estamos a conquistar pontos fora.”

Vasco Seabra (treinador do Marítimo):

“Foi um jogo muito competitivo, com duas boas equipas a jogarem para ganhar.

Nós temos quatro grandes oportunidades de golo e falhámos três, o Portimonense tem duas oportunidades de golo e falhou uma. No cômputo geral, foi um jogo extremamente competitivo, com o Portimonense, a espaços, melhor do que nós, a empurrar-nos mais para trás, e nós com capacidade para sair e chegar com muito perigo à baliza do Portimonense.

Muito orgulhoso da raça e determinação da equipa e muito feliz pela vitória que, parece-me, no final das contas apareceu com justiça.

Feliz com os jogadores, com a sua entrega, com a forma como a equipa aborda os jogos com vontade de vencer. Hoje, em alguns momentos, ainda com menos capacidade para pressionar tão à frente como desejávamos, também fruto do mérito do Portimonense, mas sempre com intenções de jogo coletivo e combinativo para podermos crescer no jogo com bola.

Vamos ter muito trabalho pela frente. Neste campeonato, se não trabalharmos, estamos a dar vantagem aos adversários. Temos um longo caminho pela frente numa segunda volta com muita vontade de crescermos, de sermos melhores e de sermos uma equipa com mais qualidade, com mais domínio no jogo e, naturalmente, com mais vitórias.”

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