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Portugal endivida-se mais para comer

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O excesso de chuva dizimou sementeiras e impediu que outras se realizassem. Portugal deverá ter uma das piores colheitas cerealíferas de sempre. Resultado: mais importações para matar a fome aos portugueses.

As sucessivas valorizações dos cereais nos mercados internacionais ainda fizeram sonhar os agricultores portugueses. Os incêndios na Rússia, durante todo o verão, dizimaram grande parte da sua produção de cerais. As inundações na Austrália e as fortes chuvadas na China, já este ano, devastaram milhares e milhares de hectares, sobretudo de trigo.

Porque é que isto é significativo? porque estamos a falar dos principais produtores mundiais de cereais. São estes países que alimentam o mundo. O problema é que, este ano, nem as suas próprias necessidades vão conseguir satisfazer. Ou seja, vamos ter escassez de cereais. A procura pode ser superior à oferta e as revoltas sociais por falta de comida, sobretudo nos países mais pobres, podem vir a ganhar proporções imprevisíveis.

Os preços destes cereais dispararam nos mercados, como se disse atrás, e os podutores nacionais chegaram a pensar que seria desta vez que Portugal iria ter uma recuperação no sector. Mas, na verdade, a chuva também jogou contra eles e o resultado é pior do que se podia esperar.

Balança de pagamentos mais desiquilibrada

As primeiras previsões agrícolas do ano, feitas pelo Instituto Nacional de Estatística não deixam margem para dúvidas: “as elevadas precipitações ocorridas até meados de Janeiro impediram a realização das sementeiras, levando inclusivamente à diminuição generalizada das superfícies semeada”.

Se 2010 já tinha sido um dos piores anos das últimas décadas, este ano ainda será pior: todas as áreas de cultivo de trigo mole e duro, triticale, centeio e cevada, diminuiram.

O ano passado Portugal importou 80% das suas necessidades de cereais. Este ano será seguramente pior. Ou seja, o desiquiíbrio da balança de pagamentos agrícola irá aumentar.

Por outro lado, a segurança alimentar do país diminui, pois Portugal fica mais exposto aos mercados internacionais.

JA/Vítor Andrade/Rede Expresso
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