“Portugueses, espanhóis e gregos estão a pagar erros de outros”

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Presidente francês diz que chegou a hora de oferecer uma perspetiva “para além da austeridade” aos países em crise. E cita o caso de Portugal: “Não podemos infligir uma pena perpétua a nações que fizeram sacrifícios consideráveis!”

Na entrevista publicada ontem pelo vespertino “Le Monde” e cinco jornais diários europeus, o Presidente francês François Hollande diz que estamos perto da saída da crise mas considera ser urgente lançar planos de crescimento na Europa, contestando a drástica austeridade imposta aos países em resgate e em grave crise.

François Hollande alerta designadamente para os perigos que ameaçam a Europa, recorrendo a palavras duras e imagens claras: “A maior ameaça que paira sobre a Europa é a de deixar de ser amada, passar a ser olhada (…), em última análise, como uma casa de correção”.

Pena perpétua

“Não podemos infligir uma pena perpétua às nações que já fizeram sacrifícios consideráveis (…), os povos têm de constatar os resultados dos esforços que fazem (…)”, explica o Presidente socialista francês.

Defendendo a solidariedade dos países mais ricos para com os mais pobres, afirma, por exemplo: “Não se pode admitir que no mesmo espaço monetário países se financiem a 1% e outros a 7%, temos de evitar um efeito de renda”.

“Dirijo-me aos gregos e também aos espanhóis e aos portugueses, que estão a pagar caro os erros cometidos por outros… é tempo de oferecer a estes países uma perspetiva para além da austeridade”, acrescenta.

Outra vez os eurobonds

Na entrevista, François Hollande apela a um “novo fôlego” na União Europeia a caminho da união bancária, orçamental e política, que, segundo ele, passa pela mutualização das dívidas, através dos eurobonds.

“Quero que tudo fique resolvido até ao fim deste ano (na União Europeia)”, explica, antes de definir os passos essenciais que, segundo ele, devem ser dados antes de, em 2013, ser lançado o “grande estaleiro” do aprofundamento da União: “Em primeiro lugar temos de resolver definitivamente a situação da Grécia, que fez tantos esforços e que deve ficar certa de que vai continuar na zona euro; a seguir, temos de responder aos pedidos dos países que fizeram as reformas esperadas e que devem poder financiar-se com juros razoáveis; por último, devemos lançar a união bancária”.

Daniel Ribeiro (Rede Expresso)
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