POLÍTICA

Presidente justifica discurso de posse

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Cavaco Silva aproveita prefácio de mais um volume dos “Roteiros” para explicar tom do discurso que proferiu a 9 de março.

Cavaco Silva diz que foi a “complexa crise” que vive Portugal que o levou a fazer o controverso discurso de posse no dia 9 de março e a propósito do qual foi acusado de sectarismo e desunião.

A explicação vem referida no prefácio do último volume do seu “Roteiros” (as deslocações feitas pelo Presidente da República em 2010). “No decurso do último ano, Portugal foi confrontado com uma realidade que há muito se desenhava no horizonte e enfrenta hoje uma das mais complexas crises da sua História”, escreve o Presidente da República.

“Daí que, ao tomar posse para o meu segundo mandato, tenha concentrado a minha atenção nas linhas de orientação e nos rumos para a economia nacional que permitam responder às dificuldades”, acrescenta. Segundo Cavaco Silva, “para delinearmos o melhor caminho para atingirmos o futuro que ambicionamos, temos de saber de onde partimos”.
Alertas sucessivos

O Presidente recorda que foi fazendo sucessivos alertas, ao ponto de referir que o país caminhava para uma “situação explosiva”, mas que só quando se agudizaram as dificuldades de acesso aos mercados é que essa realidade “foi reconhecida por todos, a começar pelos decisores políticos”.

Cavaco Silva aproveita para lembrar que pelo menos desde o início de 2010 colocou a questão da realização de entendimentos interpartidários. A situação das contas públicas, escreve, “lançava um desafio de regime aos partidos representados no Parlamento”. Segundo diz, sempre insistiu na “necessidade de um esforço adicional de entendimento entre o Governo e a oposição”.

Mas, também escreve, “a responsabilidade primordial de um Presidente da República é a de unir os portugueses, em vez de impor a sua visão do mundo a uma parcela do país”.
Projeto europeu em causa

No mesmo prefácio, o Presidente da República diz que se o euro não for defendido o projeto europeu pode estar em causa.

“Se não defendermos o euro, que continua a ser um instrumento decisivo para a Europa enfrentar o mundo global, revigorando, nomeadamente, a União Económica, a sobrevivência do projeto europeu pode estar em causa”, escreve.

Cavaco Silva aborda a questão europeia a propósito do seu papel na área das relações internacionais e do balanço dos 25 anos da adesão às Comunidades europeias.

Segundo o Presidente, fora da Europa e no atual tempo de crise, as dificuldades de Portugal seriam muito maiores, mas adverte que a atual crise desafia os próprios fundamentos da integração europeia e gera grande responsabilidade sobre os líderes nacionais da União.

JA/Rede Expresso
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