Programa de arte contemporânea do Allgarve’10 arrancou com inauguração de quatro exposições

“Algarve Visionário, Excêntrico e Utópico” –  um “arquipélago” de arte contemporânea         

O programa de arte contemporânea do “Allgarve`10” conheceu, no passado sábado, dia 12 de Junho, um dos seus momentos altos com a inauguração simultânea de quatro mostras que convocam diferentes olhares sobre o território algarvio. A uni-las um tema – “Arquipélago” – escolhido pelo programador Nuno Faria como conceito que atravessa toda a programação das artes, traduzindo as diferentes manifestações artísticas como “lugares” ou “ilhas”.

As exposições, que vão estar patentes até dia 30 de novembro , encontram-se distribuídas  pelo Museu Regional do Algarve, Galeria Trem, Museu Municipal de Faro e a Sede do Parque Natural da Ria Formosa (Quinta de Marim).

“Algarve Visionário” tem no século XX e na vivência artística e cultural local o seu campo de pesquisa, tentando estabelecer uma leitura do território e da sua influência nas pessoas, através de um conjunto de projetos utópicos e visionários de artistas com ligações à região. Esta exposição coletiva parte de um grupo de figuras – com o poeta João Lúcio à cabeça, exemplo do visionarismo e simbolismo, bem como do seu mítico chalé, construído para a  contemplação e escrita – e empreende uma “releitura da multiplicidade e radical individualidade do Algarve enquanto lugar de inspiração, reflexão e criação”.

Uma dupla faceta da região é aqui descortinada – a cosmopolita e a do recolhimento, bem como a da liberdade e a da privacidade, sem que a harmonia se quebre. É neste “bipolarismo” cultural que desponta essa “curiosa mescla de figuras singulares e idiossincráticas”, capazes de realizar “as mitologias e utopias individuais mais diversas”.

Mais do que uma mostra, trata-se de um projeto que pretende estabelecer-se como uma “incontornável plataforma de estudo para qualquer futura investigação sobre a produção artística contemporânea”, entendida no seu sentido lato, ocorrida no Algarve a partir da década de 50 do século XX e da forma como as especificidades materiais e imateriais do território algarvio influenciaram essa mesma produção. Nomes tão distintos como Manuel Baptista, Xana, Joaquim Bravo, Paulo Serra, René Bertholo, Otelo, Álvaro de Mendonça, Jorge Graça, Gustavo Sumpta, Manuel Santos Maia, António Ramos Rosa, Filipe César, Nuno Lorena, Bota Filipe, Vasco Célio ou João Viegas, dão-nos a conhecer essa dimensão “solar, maníaca e magnética” de uma região que inspira e contamina a poesia, a arquitectura, as artes plásticas, a música ou o cinema.

No claustro do Museu Municipal de Faro, pode ainda ser vista a instalação “And what about the enthusiasm?”, do artista polaco Jaroslaw Flicinski, que se encontra radicado no Algarve. A “Bancarrota”, do artista plástico brasileiro Fernando Marques Penteado, encontra-se patente no Museu Regional do Algarve. Conhecido por trabalhar o têxtil e pelo forte diálogo que estabelece com a arte popular, nomeadamente com formas de artesania tradicionalmente ligadas ao universo feminino, caso do bordado, traz-nos, em tempos de crise, “um apelo à reciclagem directa, intencional e muito cuidada”. Este seu trabalho surge da vontade de recuperar coisas e tentar encontrar um novo caminho para os objetos nas sociedades modernas que, cada vez mais, “têm tendência a ser jogados fora acumulativamente”.

No Centro de Educação Ambiental de Marim do Parque Natural da Ria Formosa, em plena Quinta de Marim, em Olhão, pode ser vista “Culatra”, uma exposição do alemão Joachim Brohm, um dos mais relevantes fotógrafos da sua geração.

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