Projeto “EuroGuadiana 2020” apresentado em Castro Marim

A Casa do Sal de Castro Marim, foi palco para a apresentação do projeto transfronteiriço EuroGuadiana 2020, no dia 31 de outubro. Um projeto com um orçamento de mais de 1 milhão de euros.
O evento teve a participação da vice-presidente da Câmara de Castro Marim, Filomena Sintra; da presidente da Câmara de Ayamonte e presidente da Eurocidade, Natália Santos; o vice-presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Romão; a vice-reitora da Universidade do Algarve, Maria Teodósio; representantes das instituições que apoiam o projeto, bem como, as autoridades locais.
A vice- Presidente de Castro Marim, Filomena Sintra, mencionou que “a Eurocidade é um desígnio importante porque, Ayamonte sendo uma região periférica de Andaluzia tem os mesmos problemas que Castro Marim e Vila Real de Santo António, por estas zonas também serem consideradas periféricas na região do Algarve. Todos juntos conseguimos ser o epicentro de Andaluzia-Portugal, e é assim que nos temos de assumir, precisamos de estar unidos nesse projeto, e aproveitar que existe uma vontade europeia de valorizar esses territórios”. Filomena Serra, relativamente à economia social, pergunta “que sentido faz termos de resolver os problemas de saúde, educação, ação social a 50 ou 100km de distância, se podemos resolver neste espaço que é a Eurocidade? Destacou que dia 31 de outubro “é um dia importante porque é a primeira vez que vamos apresentar qualquer coisa de objetiva e prática para começar a trabalhar na Eurocidade”. A vice-presidente, considerou que não fazia sentido discutir partilhas, trabalhos conjuntos entre países nas zonas de fronteira e depois não existirem instrumentos de financiamento, de reconhecimento da personalidade jurídica e de aprovação de projetos.
A Presidente da Eurocidade, e presidente da Câmara de Ayamonte, Natália Santos, referiu que o “Euroguadiana 2020 é um laboratório de coordenação, de diálogo, de apoio recíproco, aproximação de laços entre os cidadãos. O que no projeto se designa por governação, não é mais que gerir os recursos, para tornar possível que vilarrealenses, ayamontinos e castromarinenses tenham melhores serviços, que os nossos jovens tenham mais possibilidades e que as nossas empresas tenham mais oportunidades. Por detrás deste projeto há um trabalho conjunto, para averiguar quais as nossas necessidades, e a partir de hoje, contamos com o apoio da união europeia para abordar nossos problemas e encontrarmos soluções às questões que se colocam”. A presidente da Eurocidade continuou dizendo que “este projeto abordará questões culturais, desportivas, sociais, linguísticas e de organização, mas sobretudo, vamos trabalhar na planificação do futuro e vamos contar com o apoio das universidades de Huelva e do Algarve, cujos investigadores são os que melhor conhecem a região à nossa volta, e que desde o ponto de vista científico podem encontrar soluções (…)”. Natália revelou que os três municípios têm técnicos centrados no euroguadiana2020 e que vão trabalhar em conjunto, e de igual modo, várias instituições vão cooperar com este projeto. As três regiões vão deixar de ser os extremos para passar a ser o ponto de conexão natural e estratégico de Andaluzia-Algarve.

Natália Santos, destaca que este é também um projeto para o conjunto de cidadãos das três povoações, por isso, anuncia que é ”um projeto participativo, queremos o maior número possível de opiniões, para que os resultados se aproximem o mais possível aos desejos das nossas populações e vamos criar um mecanismo acessível a todos os cidadão e cidadãs (…)”.
Luís Romão, vice-presidente da Câmara de Vila real de Santo António, explicou que “a Eurocidade é um agrupamento europeu de cooperação territorial (AECT), que foi constituído pelos municípios de Ayamonte, Castro Marim e Vila Real de Santo António, inscritos no registo de agrupamentos europeus de cooperação, desde o dia 07 de fevereiro de 2018. Um estatuto que nos permite ter personalidade jurídica, o AECT tem como objetivo facilitar e promover a cooperação territorial, especialmente, entre os seus membros, incluindo várias formas de cooperação transfronteiriça, transnacional e inter-regional com o objetivo de reforçar a coesão económica, social e territorial na união europeia. Apesar de ser um território pequeno, ele tem muitas disparidades legislativas, culturais, ou seja, há uma série de questões que têm de ser pensadas num todo e para o todo”. O vice-presidente de VRSA, afirma que “Espanha e Portugal formam naturalmente um espaço de cooperação histórica, mais concretamente o Algarve e o Alentejo, são espaços de transição entre a área metropolitana de Lisboa e de Sevilha”. O euroguadiana 2020 é um projeto que pretende concretizar seis ações: a primeira ação é a governança e a coordenação intermunicipal feita pela AECT; 2ª ação é a agenda urbana coordenada pela universidade de Huelva; a 3ª ação é a mobilidade e acessibilidade, coordenada pela Câmara de Castro Marim; 4ª estratégia e turismo, coordenada pela Câmara de VRSA; 5ª ação corresponde à gestão e coordenação feita pela AECT; a 6ª ação é a comunicação, que é realizada pela Câmara de Ayamonte. A mobilidade dentro da Eurocidade ainda não existe, e Romão, revelou que já têm uma proposta da empresa Eva, para criar um circuito na Eurocidade, principalmente, durante eventos ou verão. Luís Romão alerta que “a Eurocidade não vai funcionar a curto prazo”.
O projeto é apoiado pela Universidade do Algarve, a Universidade de Huelva, a CCDR Algarve e pela Federação Ibero-Americana de Entidades Inteligentes e Sustentáveis (FIEIS) que tem experiência no planeamento de espaços transfronteiriços.

Carmo Costa

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