Projeto pioneiro traduz pedidos de socorro de estrangeiros

Um português, um holandês e um suíço criaram no Algarve um serviço inovador na Europa, denominado “Em Caso de Emergência”, cujo objetivo é traduzir os pedidos de socorro e acelerar a ajuda aos cidadãos estrangeiros.

A ideia surgiu após muitas discussões com um grande número de residentes, turistas e pessoas que têm longos períodos de residência no Algarve.

“Descobrimos que a maioria das pessoas tem um sentimento de inquietação em relação à emergência médica por não compreenderem a língua”, explicam os três amigos.

O “Em Caso de Emergência” (ECDE) vai proporcionar aos bombeiros do Algarve e à Emergência Médica dados como grupo sanguíneo do doente, nome e contacto do médico de família, medicação necessária, alergias e patologias de que sofre e números dos seguros médicos, mas também informação sobre a morada com coordenadas por GPS ou o caminho exato através do Google Maps.

“Atenção, o nosso número não substitui o 112 ou o 117 [para alertas de incêndios]. A coordenação das forças de segurança e emergência é sempre realizada pelo 112”, explicou à Lusa Jorge Pereira, o português que ajudou a criar o ECDE, referindo que qualquer cidadão pode fazer parte da base de dados por cerca de três euros mensais. Uma anuidade de um casal fica em 109 euros.

O serviço com tradução 24 horas sobre 24 foi pensado, em primeira instância, para ajudar os cidadãos estrangeiros que vivem em Portugal e que não dominam o idioma.

O serviço arranca no Algarve porque se tratar da região “onde se encontram mais estrangeiros”, explica Mark Rink, o empresário holandês do trio, que vive há 10 anos em Portugal, sublinhando porém que também podem aderir os cidadãos portugueses.

O ECDE inclui uma base de dados onde ficam arquivadas informações pessoais, o contacto do cônjuge e de familiares ou mesmo o número de animais de estimação que o cliente tem e que necessitem ser alimentados em caso de incidentes, um serviço também garantido pelo projeto.

O novo serviço pretende reduzir o tempo de viagem da polícia e bombeiros, otimizar o atendimento médico e disponibilizar informação em cinco idiomas – inglês, alemão, português, francês e holandês.

Os interessados podem desde já fazer uma pré inscrição num formulário disponível no sítio da Internet do ECDE, encriptado para garantir a segurança dos dados e sediado na Suíça, país de onde é oriundo o terceiro sócio, Peter Graf, antigo capitão da Protecção Civil helvética e ex-responsável informático da USB, um dos maiores bancos daquele país.

Jorge Pereira, o poliglota do grupo, fala cinco idiomas diferentes e já foi intérprete em vários tribunais algarvios.

O passo seguinte é continuar a celebrar protocolos com os municípios algarvios e outras autoridades locais, nomeadamente com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

A Câmara de Faro foi a primeira a aderir ao serviço, mas também a Câmara de Olhão e Tavira, a Cruz Vermelha de Tavira e Faro e algumas corporações de bombeiros já celebraram protocolos.

Sem quererem revelar qual a verba envolvida no projeto, os sócios querem levar o serviço a todo o país até 2015, afirmou Mark Rink, o diretor financeiro do ECDE.

CCM.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

JA/LUSA

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