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Quarteira invadida pela Operação Mancha Branca

Os responsáveis políticos e autárquicos louletanos querem garantir que as cidades e vilas do concelho estão tão limpas no chão quanto nas suas paredes e iniciaram uma operação que visa recuperar a dignidade das mesmas eliminando os graffitis. Garantem que vão ser persistentes e pedem a adesão da comunidade civil. Além da questão cívica está a imagem turística do concelho e até o sentimento de segurança existente no mesmo.

A operação “Mancha Branca” já começou a conquistar as paredes da cidade de Quarteira e promete chegar a todas as paredes do concelho que sejam vandalizadas. Esta operação despoletada pela Câmara Municipal de Loulé em estreita parceria com a Junta de Freguesia de Quarteira visa um combate intensivo contra a degradação visual que afeta as paredes da cidade De acordo com a autarquia, a ideia é contribuir para a melhoria da imagem das localidades, através da pintura dos espaços públicos, sobretudo edifícios degradados ou vandalizados, bem como a remoção dos graffitis que aí existem.

Para o efeito, os responsáveis pretendem atuar em várias linhas de combate, nomeadamente: pintar de branco todas as paredes grafitadas, trabalhar junto das escolas e da comunidade no sentido de sensibilizar os jovens para a importância de manter as cidades limpas e criar espaços próprios para que os jovens que se dedicam aos graffitis possam dar “asas” à sua criatividade.

“Não queremos pôr em causa a veia artística destes jovens que se dedicam as graffitis. Queremos antes, dar a possibilidade de – em articulação com outras entidades -, encontrarmos locais onde possam praticar a sua imaginação, mas de forma a que não degradem a imagem das nossas cidades, pois é uma situação negativa para todos nós”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Seruca Emídio, após as primeiras horas em que a operação foi para as ruas de Quarteira.

Sublinhando que esta é uma situação que também vem reforçar a importância do saber viver em comunidade e democraticamente, Seruca Emídio acredita que este é um trabalho que implica muita persistência. “Não vamos dar tréguas a esta situação”, garante o edil assegurando: “Entrámos nesta luta para vencer!”.

Por isso mesmo, além deste primeiro esforço para pintar as paredes grafitadas, todos os envolvidos vão estar no campo para ver se surgem novos graffitis que serão de imediato eliminados com a “mancha branca”.

Esta é uma iniciativa que nesta fase inicial está a contar com o apoio de funcionários da Junta de Freguesia, da autarquia e das InfraQuinta, InfraLobo e Inframoura. Já o material, tintas e trinchas, foram adquiridos com o apoio do empreedimento Four Seasons Vilamoura que contribuiu com cinco mil euros e as tintas Neuce ofereceram 250 litros de tinta e que estão a fornecer as restantes tintas a um euro por litro.

Para já, os responsáveis por esta operação querem avançar nas zonas mais afetadas por este problema, nomeadamente: Quarteira, Almancil, Loulé e Boliqueime. Seruca Emídio admite que estas zonas são mais afectadas porque também são as freguesias do concelho que têm mais jovens e mais escolas.

A próxima missiva da operação Mancha Branca vai realizar-se em Almancil no próximo dia 23. Vários alunos do Agrupamento de Escolas de Almancil vão deslocar-se ao jardim de Almancil para eliminar os graffitis naquela zona. Esta é uma forma de iniciar o processo de sensibilização junto dos mais jovens e uma forma de integrar toda a comunidade nesta missão.

“Agora, precisamos naturalmente de voluntários, pessoas interessadas da sociedade, coletividades, associações, que se disponibilizem para colaborar neste trabalho”, explicou o vereador louletano, Aníbal Moreno.

Outro dos aspetos interessantes desta iniciativa é o facto dos responsáveis estarem a prever a disponibilização de tinta de forma gratuita a entidades carenciadas do concelho e até a privados que comprovem não ter meios para tratar das suas áreas exteriores. Muros de jardins de escolas, muros de vedações, pintura exterior de habitações, são alguns dos exemplos referidos pelo vereador Aníbal Moreno.

“No fundo, o que se pretende com tudo isto é que, numa fase em que a economia está tão debilitada, nós possamos dar um sinal, um contributo para valorizar a nossa imagem turística. É uma forma de termos mais turistas e darmos um salto qualitativo na nossa oferta turística e com isto: ganhamos todos”, sustentou.

Graffitis no sítio certo podem ser uma mais-valia

Para o edil louletano, saber viver em democracia também passa por encontrar formas de diálogo e não tanto pelo estabelecimento de penalizações. “Penso que para muitos jovens esta é uma forma de mostrarem o seu descontentamento, de se autoafirmarem”, comentou. “Agora, esta não é a forma mais correta, nem aquela que mais respeita a comunidade e ninguém tem a ganhar com isto, todos temos a perder”, acrescentou.

“Se existirem locais onde eles possam fazer os seus graffitis e demonstrar as suas capacidades artísticas e até assinar os seus trabalhos, em que eles possam ser observados pelas comunidades e pelas pessoas em geral, penso que podem ficar a ganhar porque até poderão ser contratados para outros trabalhos… podem aproveitar essas capacidades também para ganharem a vida deles, porque não?”, comentou Seruca Emídio.

Com base nesta ideia, a autarquia e a Junta de Freguesia de Quarteira já estiveram a procurar espaços amplos e visíveis que possam ser reservados para os graffitis. “Espaços em que eles possam dar azo à sua arte e ter espaço próprio para fazerem aquilo que gostam”, explicou o vereador do ambiente, Aníbal Moreno.

É também com neste sentido, que foi aprovada uma proposta de protocolo que deverá ser celebrado com uma associação de jovens artísticas que se dedicam aos graffitis na cidade de Quarteira, a Policromia.

Aníbal Moreno acredita que se os graffiters aceitarem esta proposta, poderão contribuir também para valorizar a cidade. “Somos os primeiros interessados em querer que eles possam dar o seu contributo para que a cidade fique mais bonita”, acrescentou.

JA/Sofia Cavaco Silva
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