Relatório do FMI parte maioria

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Pedro Mota Soares diz que o documento “tem pressupostos errados”. Carlos Moedas acha-o “muito bem feito”. Autarca do PSD pede a demissão do secretário de Estado Adjunto. A refundação do Estado terá pernas para andar?

A coligação volta a tremer, desta vez com a receita do Fundo Monetário Internacional para cortar 4 mil milhões na despesa do Estado.

Pedro Mota Soares, o ministro da Solidariedade, do CDS, diz que o relatório do FMI “tem pressupostos errados” e propostas com que diz discordar. Mas o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro Carlos Moedas saiu em defesa do documento, para grande irritação de sectores do PSD. Carlos Carreiras, autarca do partido e indefetível apoiante de Passos Coelho, já veio pedir a demissão de Moedas.

Ao que o Expresso apurou, a declaração de Carlos Moedas, ontem à tarde, quando se referiu ao relatório como “muito bem feito”, foi articulada com o primeiro-ministro e as Finanças para compensar as declarações de Mota Soares que tinha posto em causa a credibilidade do trabalho do FMI.

Moedas reconheceu não se estar perante um documento fechado, mas elogiou o trabalho que disse ter “envolvido consultas ao Governo”. E o zelo do secretário de Estado incendiou os ânimos em sectores do PSD, nomeadamente os autárquicos, que temem pelo impacto político de medidas tão draconianas em ano de eleições locais.

“Um membro de qualquer Governo que tem a inteligência de produzir uma afirmação desta natureza, perante um relatório com este teor, só pode ter uma atitude: abandonar as funções governativas, deixar a política e assumir que aspira a ser consultor técnico”, afirmou Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais e candidato às próximas autárquicas.

A divulgação do polémico relatório do FMI estava prevista no Governo para antes de dia 16, dia em que Passos Coelho fará uma intervenção sobre a reforma do Estado na conferência que promoveu para lançar o debate público sobre o tema. Para já, o desafio de Passos é conseguir acalmar o fogo entretanto ateado.

Ângela Silva (Rede Expresso)

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