OPINIÃO

Remate certeiro: A natureza deixa mais um sério aviso e esmaga Schuld

JORNAL
OPINIÃO | NETO GOMES

A natureza deixa mais um sério aviso e esmaga Schuld, uma aldeia na Alemanha, goleando dramaticamente os palácios alcatifados

Era por vos contar em tamanho grande a história de um casal, ele um pouco mais velho, mas ambos carimbados pela democracia, mas que apesar destes desenhos, por medo de confrontarem quem vos deu a mão, lá vão caminhando apenas com o destaque de notas de rodapé.


Ele ainda apanhou o vinte e cinco do quatro, de mil novecentos e setenta em quatro de calções e suspensórios. Ela um pouco mais nova, com memórias zero sobre a data e o ano, talvez pelo que foi lendo, no intervalo de outras campanhas.


Recorda-se de ver os soldados passar à sua porta, desfilando pelas ruas de Faro, e que sorria para eles da janela do primeiro andar de sua casa. Sorria e acenava-lhes com a sua mão de menina.


Breve o casal entrará num divórcio, porque tudo, não dura o tempo todo. Diga-se, um divórcio pacífico, pois os dinheiritos que irão receber de reforma, assim a modos de caído do céu, nem lhes dará ânimo para basculharem qualquer protesto.


Mas voltemos ao casalinho.


Ela traz à memória, o que guardou da janela de sua casa, quando via passar os militares bem alinhados, formados a três, num pelotão que se espreguiçava por toda a rua de Santo António, em Faro, de G3 inerte colado ao corpo até onde o braço bem esticado chegava.

Levados pelas pernas e bem esticadas e em sintonia, que pareciam uma perna só, em direcção ao RI4, onde mais tarde ficou aquartelada a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve.


Pena e peço-vos desculpa pela minha cegueira, que se tivesse apagado toda a memória do RI4, nem umas fotografias nas paredes, nem uma pequena sala museológica. Afinal o velho Quartel de Faro, guarda acontecimentos marcantes da história do exército português.


Ela sorria para os soldados. Abril trazia-lhe sinais de que só mais tarde entenderia, mas em sua casa, ninguém queria falar do vinte e cinco do quatro. Até o velho televisor a preto e branco, que parecia a cores quando se colocava uma espécie de pelicula colorida, instalado na cozinha tinha sido deligado. O mesmo acontecera ao Salora, o primeiro televisor a cores, também estava mudo.

A mãe sabendo que se passava lá fora, na rua de Santo António, enquanto arrumava o quarto fez-lhe um sinal para fechar a janela.


Em casa a data nunca era recordada com razões de festa. Seu avô materno, Isaías Assunção, antigo chefe da PIDE, tinha sido preso em Elvas, onde fazia serviço.

Ela cresceu, formou-se em medicina, mas ainda pouco mais que gatinhava, quando Abril aconteceu, por isso sorria para os soldados.


Mais tarde, sem que a política lhe medisse a temperatura, foi colocada no poial da liderança em sector chave do Algarve, onde hoje está, mas também não é culpada…


Enquanto o outro, o seu marido, alguns anos mais velho, foi sempre mais católico que protestante, ou seja, fez da sua vida uma marcha constante de silêncios de cumplicidades. Aliás, quando rapaz era conhecido pelo queixinhas amuado, pois na sua falsa timidez e depois com aquela cara de sonso, lá ia levando a água ao seu moinho. Creio ter vindo de Lagos, mas não temos bem a certeza. Bastava falar, para através da pronúncia saber se seria ou não lacobrigense. Mas ele estava sempre calado e amuado. Manias…


Uma prima minha, disse-me que o conheceu em Bruxelas, numa visita ao Parlamento Europeu a convite da minha amiga e ex. Deputada Europeia Jamila Madeira. Mas nesta visita de três/quatro dias, pouco se soube sobre ele. Aliás, esta comitiva integrava muitos comandos dos Bombeiros do Algarve, e em certa altura, porque só abria a boca quando bocejava, ficou entre a comitiva, conhecido como o infiltrado. E mais clara ficou essa ideia, segundo a minha prima Zulmira de Aragão, quando numa noite, saíram todos do hotel, e foram visitar as montras com luzes vermelhas, que aliás, integram o roteiro turístico de Bruxelas, mas ele optou por ficar no hotel.


É evidente que é uma figura estranha, mas apesar destes negativos predicados, e andar sempre amuado, tem subido na vida, e mesmo agora, nem se dando por ele, talvez por incompetência, também ocupa um lugar chave, e o que dele se conhece, é que lá vai fazendo pela vidinha.

Pois é sobre este casal, mais fantasma, que fantástico, que hoje me apetecia escrever, porque tenho em arquivo muitas coisas, mais sobre ele, do que dela. Dados, que ficaram mais definidores da pessoa que é, depois das notas que me forma enviadas pela minha prima Zulmira.

Apenas mais um dado. De uma e de outro, não se conhece nada de especial, isto é, com papeis interventivos na política partidária. Eu pelo menos, que andei dezenas de anos em cima dos palanques da política e do PS, nunca encalhei nem com ele, nem com ela, mas depois de ter visto, o que se passou recentemente na Alemanha e na Bélgica, já acredito em tudo. Breve voltarei ao tema do casalinho afortunado pelos sabores da política partidária.

A natureza acaba infelizmente por golear a Alemanha e matar gente indefesa. Os donos do mundo nunca mais acordam

Tratar da natureza não é aumentar o preço do gasóleo e hastear bandeiras, a franja dos municípios


Diante dos graves acontecimentos que varreram do mapa lugares onde havia vida e amor, na rica e forte Alemanha, com centenas de mortos e outros tantos desaparecidos, é mais um sinal, que a natureza não está dispostas a ser constantemente esmagada pelos senhores do mundo. E agora, foi mesmo ao cofre dos mais ridos e mais poderosos.

Angela Merkel, não tem medidas nas palavras quando afirma: “Que a Alemanha precisa de fazer mais contra as mudanças climáticas”, e acrescenta: “É uma situação surreal e fantasmagórica “.


Na terça-feira, o número de mortos, na grande Alemanha, já chegava aos 112, e na vizinha Bélgica, sede do Parlamento Europeu, que também tem telhados de vidro, já tinham sido somados mais 48 mortos.

Estas tragédias vão acontecer em qualquer lugar do mundo. Mas se fosse em Portugal, já tinham pedido a demissão do governo e os especialistas, armados em cromos, nunca mais paravam de vomitar os segredos da pólvora.

As mudanças do clima, são muito mais do que a birra de se continuar a aumentar o preço dos combustíveis, e depois o Ministro da tutela, faz uns grandes filmes na Assembleia da República. Sempre foi assim. Mas existem políticos, em que até temos medo das caras deles. Este senhor é um deles, e também porque nunca mais de soube da tal caçada, em que uns senhores espanhóis, pagando a peso de ouro, entraram por uma herdade e mataram tudo o que mexia. Só inquéritos foram mais de mil e por aqui nos ficamos. É como a história da Raríssima. E se assim nos vamos guinando.

Ontem o senhor Joe, no dia seguinte o Rei dos Frangos e senhor Luís Filipe Vieira, cuja justiça ainda nada decidiu, mas que durante dias foi um ver de se avias em filmes constantes de condenações antecipadas.

Por vezes a Procuradoria, procura, procura e encontra umas réstias de esperanças contra os possíveis condenados, mas logo a imprensa atafulha-se de cenários rocambolescos e a malta a delirar no facebook e noutras espaços que nos permitam chamar nomes a toda a gente sem darmos a cara.

A pandemia, onde tanta e tanta gente morreu e continua a morrer passou para terceiro ou quarto plano. Afinal, o que importava ao País era conhecer o rei dos frangos e o Luís Filipe Vieira. Os outros, os que entupiam os hospitais e entopem, eram agora apenas a moda dos certificados.

Ingleses comemoram a Liberdade. Oxalá assim seja. Nós não acreditamos


No outro lado da mancha, os britânicos desprenderam-se das argolas, e somam festas como tivesse conquistado o mundo. A liberdade de uns acabada, onde não se vai trair a liberdade dos outros.


Acredito, oxalá esteja enganado, que a Inglaterra vai virar em breve, num grande manicómio. Loucos chefes já têm.

Neto Gomes

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