NATUREZA
OPINIÃO

Remate certeiro: A restauração volta a cair na cova funda

OPINIÃO | NETO GOMES

Não se percebe, porque é que só existem doentes de covid 19 ao fim-de-semana. A verdade é que o tema teve sucesso, quando se utilizou para Lisboa o mesmo horário dos supermercados, mas que acabou por se tornar num fiasco, porque foram medidas, que teriam um outro critério se tivesse o desenho de um cordão sanitário, com todos os riscos, sobretudo económicos, mas não tão dramáticos em termos de saúde pública.


Isto poderá ser interpretado com ironia, mas isto é muito, muito sério, porque existem restaurantes por todo o país, e por este castigado Algarve, que voltaram para a COVA FUNDA, para o desterro, mas a dramática situação de a pão e água, porque não têm como furar paredes em busca de uma esplanada, que lhes permita disfarçar o indisfarçável.

Terá que existir um fio da ciência, que encontre numa visão única e não cada um a dar palpites à sua maneira, como de um concurso se tratasse, para que se possam credibilizar e acreditar nas medidas, que como regras têm que ser cumpridas, mas que têm que ter a confiança nos seus promotores. E por vezes essa confiança não existe, entra-se no descredito, na desacreditação e acabamos por não sabermos em quem confiarmos.

Todos sabemos que a pandemia também trouxe cansaço, não apenas nos profissionais de saúde, nos bombeiros, nas forças de segurança e por aí fora, mas também na própria governação, e esta hora, em que cada vez são mais as pessoas que faltam à vacinação ou porque não lhes apetece ou foram de férias, é outro sinal que torna mais visível a raiz dos que não se importam nem com eles, nem com as suas famílias, nem com os outros.

E isso, quer queiramos quer não, vai fazer aumentar o cansaço do próprio Governo, que por ausência de obrigatoriedade nas vacinas, ficará quase sempre com os meninos nos braços. Mas atenção, que já existem países na Europa, que vão tomar medidas, para que se rompa com o cordão da voluntariedade, mas uma obrigatoriedade que proteja tudo e todos.

Até o Papa, na sua mais recente intervenção, ainda num período de convalescença, catalogou a saúde como gratuita em quase todos os países. Gratuita, mas também a pão e água, onde até as lentes que são utilizadas para a operação às cataratas, são lentes, não direi, de segundo olho, mas de segunda classe, e com problemas nalgumas disciplinas.

É isso Sua Santidade! por quem tenho enorme respeito e orgulho. Aliás, o Senhor Papa Francisco e João Paulo II, foram para mim, os grandes padres da Igreja da era moderna.

Mas voltemos à restauração e às medidas proibitivas que agora se impuseram, cuja ciência, cujos responsáveis pela saúde, evocam que é assim que acabaremos com esta barbárie em que se transformou a covid 19. Aliás, na Inglaterra, aquele País de loucos, basta olhar para o penteado de Boris Johnson, que enche os estádios de futebol como se nada acontecesse, como quem está autorizado a rasgar todos os compromissos, a empurrar para os outros doadores da pandemia. Felizmente que a Itália os comeu em penaltis com esparguete.


A Inglaterra dizíamos já vai a caminho da terceira dose da vacinação, e nós, gente mais fina começamos a pedir certificados, para irmos a um restaurante.

Existem pessoas que criticam António Costa pelo facto de ter estado no Algarve, em plena certificação da restauração, para apresentação dos candidatos do PS às autárquicas 2021.

Conhecemos António Costa há bastantes anos. Ainda alguns deputados nem eram nascidos. Ainda alguns, agora candidatos autárquicos não eram nascidos, e temos por ele um respeito e carinho, tornado fé. Gosto de António Costa. Aliás, já o escrevi dezenas de vezes.


Portanto, António Costa veio ao Algarve porque elegeu este momento como o da hora certa, para apresentar os candidatos do PS às autarquias algarvias, e não como medida provocatória.


Se analisarmos com toda a frieza a governação de António Costa, neste dramático cenário de pandemia, descrevemo-la como um trabalho de enorme qualidade, nem sempre bem acompanhado por alguns ministros ou ministras, sabendo inclusive ouvir as oposições democráticas, mesmo aquelas que aqui e ali esboçam entendimentos com as teias do populismo, assim a modos de «chega-te para lá».

Estamos a confundir a neblina, com uma parede branca.

António Costa, apesar das dificuldades da própria pandemia, tem realizado um trabalho notável, nem sempre bem acompanhado


António Costa sabe que está na hora de ganhar as eleições autárquicas, e esta hora, não tem o relógio certo com a hora das alterações que breve vão acontecer no governo, e aqui e ali, também tem havido mais Papa, que Marcelo, nestes tempos de presidência. E se nos lembramos do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa quando da sua tomada de posse, no que se refere concretamente à pandemia e aos portugueses, existem procedimentos que não são os melhores, sobretudo, para quem vive a agonia de perder tudo e se perder a ele próprio.


São bastos os estudos, sobre os dramas que a pandemia tem vindo a acarretar e a castigar, neste caso concreto, as famílias portuguesas, por isso, António Costa precisa de bons interolocutores, não de verbos de encher, pois só assim, todo o seu esforço de governação não ficará blindado.

Cada vez mais sem segurança e sem saúde não existe turismo, e a bazuca sendo uma espécie e uma roulotte de luxo, daqueles que 10 estrelas, é uma situação pontual e não devemos esvaziar o balão do turismo, porque dele dependemos, e não temos, de A a Z, qualquer outro plano. Aqui, é como no ambiente, não existe plano B, e ou temos turismo ou ficamos todos a pão e água…

A terrível e arrasadora pandemia, e como o povo costuma dizer, ainda nem sequer chegou ao adro da igreja, e assistiu-se agora ao facto, de que os mesmos vândalos que nos visitaram no Porto, quando do jogo entre o City e o Chelsea, foram os que agora entraram no assalto no Wembley. E são os mesmos, que andam a pregoar a sanidade por toda a Inglaterra, até com ataques racistas aos jogadores que não conseguiram converter as grandes penalidades, e os mesmos, estes agora de origem italiana, que incendiaram Roma, diante dos festejos de vitória, sem respeito pelos milhões de italianos que a pandemia ceifou em Itália.

Qual o governo que consegue parar esta gente? Nenhum… a não ser, que venham de valores formativos e educativos mais profundos, e isso vai levar mais gerações do que se imagina, pois as novas tecnologias estão a embrutecer o ser humano, no que diz respeito, ao respeito, à humanização, à solidariedade, à caridade, a sermos capazes de nos tornarmos pregadores da boa nova. O que existe agora é o paradigma do medo de coisa nenhuma, e que se lixem os que vão na parte de trás do avião, afinal onde guardaram os explosivos.

O que o mundo hoje enfrenta é uma sociedade que se perdeu de si própria, e que em Portugal está a pôr em causa a democracia. E está a fazer com que a mesma seja desacreditada, pois são esses elementos fundamentais da sua construção, que estão a falhar, que se deixaram de se regular pelos valores, e agora se orientam por eles próprios, e aqui por vezes, tal como nas bússolas, a agulha que nos indica a direcção avariou, levantando-se aqui a voz de justiça. Mas ela é tão lenta e morosa para os ricos, que as coisas amoleçam…

É por essas e por outras que a democracia está a ser posta em causas, e não me venham com as bagatelas da psicologia e sociologia, pois já o cabo Faustino, diga-se, o Senhor Cabo Faustino, dizia: quem passa por eles é que sabe…


Existe muita gente acomodada. Gente com responsabilidade. Acomodada na intervenção, mas bem na vida, alias, bem na rica vidinha, alguns até são rostos patetas da democracia, se calhar até me vou repetir, alguns levei para o palanque da vitória.


Mas existem outros que também ajudei no palanque, dois exemplos, os Drs. Correia Martins e Rui Lourenço, vindos de faculdades diferentes, mas que foram, em períodos distintos, dois grandes senhores de Administração Geral de Saúde do Algarve, que nunca foram pessoas quietas, isto é, fizeram na lealdade e profissionalismo do seu trabalho, alavancas de grande projecção, e nunca se intimidaram em confrontar, inclusive, aqueles que os tinham nomeado, porque estava em causa o Algarve e a saúde da região.


Os de agora não, parecem estar quietinhos e quentinhos no seu poiso, e qualquer tempestade por mais agreste que seja, não passa de uma leve brisa, como diria o poeta Augusto Gil […] Nem uma agulha bulia, na quieta melancolia dos pinheiros do caminho […].

Amigos para sempre. Saudades quando valia tudo

Em vez de um prato de lulas, sai um teste para a mesa 10


Tem que existir urgentemente uma clara a perfeita coabitação, entre a saúde e a RTA, isto é, a Região de Turismo do Algarve, e as diferentes associações empresariais do sector.


É que não existe turismo sem saúde, e a bazuca, sendo uma espécie de uma roulotte de luxo, de 10 estrelas, não passa de uma situação pontual, pelo que não devemos esvaziar a importância do turismo, sem nos reorganizarmos com medidas, que não nos levem a ver em cima da hora, o turismo ir todo por água abaixo e sem retrocesso.

Ora a existência de uma relação mais profunda, levava-nos a um outro tipo de situação, porque não pode ser pelas televisões que somos apanhados com a informação que os ingleses já não vêm, depois os alemães, depois o certificado, nem serve para entrarmos na Alemanha e vice-versa. Até os Marroquinos, e este até, nem é depreciativo, dizem não à nossa presença, dos espanhóis e dos franceses, no seu território sem o certificado de vacinação…

Até a Ilha da Madeira, tão célere a pedir contentores de euros, agora diz, que na sua terra, entra tudo e todos, nem importa se as vacinas são russas, chinesas, bolivianas ou criados nos laboratórios das Adegas do Senhor Berardo.


O turismo está doente, os restaurantes a pão e água, depois a malvada da doença, só nos ataca ao fim de semana, e agora passou a reinar com prosperidade a lei dos testes. E quem os faz? É isso! Quem os faz?


Creio que não pode ser um barman, que em vez de estar a fazer um cocktail, faz um teste, ou então, em vez de uma sangria e um prato de lulas, sai um teste para a mesa 10, encostada à montra dos carapaus.

Oxalá as medidas que agora afectam a restauração sejam reorganizadas e simplificadas, pois se vieram para ficar, temos com elas de abrir de par em par, os bares e as discotecas.

Mas os restaurantes, também começam a agora a enfrentar alguns clientes que perante cenário tão perturbador, pensam que têm o rei na barriga.


No outro dia, após a comida lhe chegar à mesa, o cliente disparou:

Mas este prato tem poucas ameijoas, tem pouca carne, como é que é!


E quando o empregado se preparava para se justificar, para responder ao como é que é, o cliente, tão encalorado, que até dava para atear uma fogueira, acrescentou: – Meta o prato pelo rabo acima…


O empregado engoliu em seco, não fosse o cliente pedir-lhe para cortar o bigode, ou determinar que a empregada que estava ao balcão subisse a saia dois dedos…


Destes bravos de faca e garfo, está o inferno cheio…

Neto Gomes

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