Remate certeiro: A saga dos velhos e dos idosos

A saga dos velhos e dos idosos e, contra a indiferença, marchar, marchar… no combate aos indiferentes

Os velhos, que agora uma certa iliteracia que roda no arco da vaidade, até afirma, que existem diferenças entre velhos e idosos. Enfim, são os tais casos de adormecimento mentais, que pensam que escrever ou falar redondo é falar bonito, EMPURRA-ME para o que chamamos da saga dos velhos e dos idosos.


Ainda a respeito de redondo e não existem redondos sem quadrados, e por isso vou fugir um pouco dos velhos, que algumas inteligências construídas por favores, defendem como idosos, leva-me a recordar, que faz muito tempo, durante um Congresso de Turismo do Algarve, lancei uma farpa que fez despertar um congresso adormecido.


Nessa altura havia congressos, havia turismo e havia Algarve, pelo que a meio da minha intervenção e vendo que naquele dia a casa estava a rebentar pelas costuras, porque tinha acabado de chegar um senhor importante para encerrar o congresso. São sempre pessoas importantes que encerram os congressos, e a meio da minha intervenção, afirmei: «Vejo aqui nesta sala muita gente quadrada, sentada em lugares redondos».


Logo a seguir nascia um zumbido, assim a modos de arrojar cadeiras, como quem deseja sentar-se melhor, sem que entre os quadrados, nenhum deles tivesse percebido, que as cadeiras estavam presas umas às outras.

Quando a sessão terminou, para dar lugar a um tempinho para se arrumarem as conclusões do congresso, assim uma espécie de uma voz de protestos escrita, mas que raro S. Bento ou o Terreiro do Paço respondiam positivamente, abeirou-se de mim um senhor de fato preto, camisa branca e gravata preta pendurada. Uma gravata pendurada, é como aquelas que usava o faroleiro, Donald Trump, que lhe roçavam na breguilha.

Não conhecia o senhor, mas a forma como vinha vestido, no chamado modelo do luto carregado, perante a sua mão estendida, dei-lhe as condolências, com o homem a responder-me com uma sonora gargalhada.

Não estou de luto. Gosto de estar assim vestido. Vim aqui dar-lhe os meus parabéns, porque sou uma pessoa muito viajada, acompanho de perto vários congressos e outras reuniões muito similares, sobretudo por esta Europa fora e nunca ouvi ninguém, dizer tanta verdade em vinte segundos: Vejo aqui nesta sala, muita gente quadrada, sentada em lugares redondos.

Quando nos 520 anos da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, o tema foi marcado pelos velhos e pelos idosos. Na foto e sobre a minha moderação, Dr.ª Margarida Flores, Directora do Centro Distrital da Segurança Social Faro, no usos da palavra


Claro que poucos foram aqueles que o aplaudiram – prossegue o homem – e eu estava entre eles, e aplaudi-o com satisfação, porque 90 por cento da sala era constituída pelos indiferentes, que estão ali apenas para se mostrarem e se deliciarem com a medalha e o diploma de participação – finalizou o homem.

Não vou hoje aqui escrever o nome dessa pessoa, que infelizmente já cá não está, que era um empresário do sector, mas ainda estão por aqui vivas, mais de meia dúzia dessas pessoas, que assistiram à minha intervenção, e às vezes quando me encontram, lá soltam a frase. Aliás, uma destas testemunhas, chama-se Ribeiro e foi Gerente de Zona de um Banco, aqui no Algarve. Não sei se hoje ainda existe esta classificação bancária.


É esse movimento de nos sentirmos mal sentados e não percebermos, que cabe perfeitamente na tal idiotice, porque é fino e soa bem, de se tentar alimentar um certo desassossego mental, na procura de diferenças entre VELHO E IDOSO.


Quer dizer. O velho mora num prédio de quatro andares sem elevador. O idoso mora num prédio de quatro andares com elevador.


O velho joga às cartas no jardim público. O idoso joga às cartas no jardim da sua vivenda.


No funeral do velho vão dez pessoas, por que nem toda a família foi informada sobre o terrível acontecimento.

No funeral do idoso, colocam bandeiras, estandartes e medalhas sobre a urna, até chamam excursos, mas ninguém, conhecia o finado. Vão a reboque uns atrás dos outros.


O velho é pobre. É esse título que lhe deram. É pobre de carreira, isto é, nasceu pobre, viveu pobre e morreu pobre.

O idoso é um letrado, um intelectual, um homem que usa bengala prateada, e não morreu, finou-se.


O velho fica em casa à espera de que alguém se lembre dele para ser vacinado. Aliás, aqui apelo para que o amigo Vice-Almirante, não se esqueça dos seus velhos grumetes.


O idoso, vão buscá-lo a casa de ambulância, onde entra fumando charuto, num dia em que os cromados dos bombeiros brilham como nunca, porque na véspera foram limpos com solarina. Bombeiros em dupla curva, pelo peso das medalhas que ostentam e pelo respeito ao idoso.


O velho porque vive num quarto andar sem elevador, está calcinado em casa, numa espécie de prisão, sem ter cometido qualquer crime.

O idoso, mesmo atrapalhado no andar, tem sempre umas irmãs que o vão buscar e o levam a rezar o terço, apesar dos safanões que dá, para ir tocando nos peitos das irmãs, é um brincalhão. Se fosse um velho era um ordinário.

O velho mesmo que mude o regime continuará na afirmação da pobreza. Nada mudará, pois nasceu com esta condenação, com este carimbo. Já no antigo regime, e não estou, nem quero fazer comparações com o actual, portanto na década de 50, por exemplo no concelho de Loulé, os velhos (os pobres) eram sinalizados com uma marca. Os idosos não. Estes mesmo que o regime mude, misturam-se depois como se fossem uma dinastia e até os nomes entram pela bimbe da vida, uma espécie de cafeteira mágica, e ficam a coabitar como se fossem primos uns dos outros.

Ser velho, aqui, é uma agonia, uma tortura. Atenção que os candidatos a idosos, podem vir a ser velhos…


Até na política, os velhos, os pobres, morrem sem saber o que isto é, porque nunca lhes toca nada, enquanto os idosos, ficam sempre no poder, é uma sequência familiar inevitável, quer usem calças, saias ou aventais, e até na hora da avaliação, preferem ser asnos, em vez de burros. Manias, às quais os velhos não têm acesso.

Um velho morre e ninguém sabe. Se for um idoso, Marcelo faz uma chamada.


Andamos todos com a cabeça untada, por uma espécie de brilhantina odiante, sem moral arrastando os velhos para a cova funda, e os idosos para o Jazigo da Família.


Onde os velhos ficam mais tempo que os idosos, é nos hospitais: os velhos ficam por ali abandonados, ou não têm família (os tais parentes e primos que as dinastias também políticas conseguem formar na elite das famílias, quando temos o carimbo de idoso), e quando têm família, nem ela se lembra deles. Em contrapartida os idosos, regressam a casa, onde são recebidos pela banda da terra.

Reparem nas diferenças entre velhos e idosos. O velho foi preso porque foi apanhado com uma dívida de três euros na mercearia da esquina.


O idoso, por exemplo, o primo Joe, aliás nem existem velhos com este nome, que por onde passa leva consigo o cheiro do NOSSO dinheiro, que esteve cárcere (se fosse velho tinha estado preso) num quarto privada na PJ, agora, na hora de ser reposto ao fresco, deu a sua bengala dourada como caução.


Aos psicólogos, que incendiam as pestanas tratando destas matérias, nestes solavancos, que nos endoidecem com estas descobertas, que nos arrastam cada vez mais para a iliteracia, que se eternizem como idosos.


Eu nem levo a mal, mas que não se esqueçam que um dia poder ser velhos.


Não se esqueçam que caiu o Muro de Berlim.


Que os chineses também já não se consideram invencíveis.

Que em 1974. é só lerem os cadernos do movimento democrático de mulheres, com testos de Maria da Graça Mexia e de Francisco George, a Saúde Pública da URSS) tinha um avanço incrível em relação ao resto do mundo! E agora?


Conheço uma senhora velha, que tem 90 anos de idade, que vive em Quarteira, para os idosos será NA QUARTEIRA, que ainda não foi vacinada, pelo menos até hoje, dia 5 de Julho, data em que estou a escrever este REMATE CERRTEIRO, esta falsa mistura entre velhos e idosos.


Eu prefiro ser velho, mesmo sabendo que assim nunca terei o privilégio de roçar o cotovelo pelas mamas das irmãs.


Até nos nomes existem diferenças. O velho é Manuel. O Idoso é Manoel.


Até na vida e na morte existem tremendas, injustas e injustificáveis diferenças, senão vejamos: O Nuno Santos, o jovem cantoneiro atropelado mortalmente no carro onde seguia o Ministro da Administração Interna, apesar de jovem, morreu velho. Sozinho, sem ninguém por perto, abandonado na estrada. Nem a família foi confortada. Apesar de jovem morreu velho. E como pobre desceu à cova.
Cabrita, o Ministro dos desassossegos, que na vida tem feito linhas de sucessão de uns lugares para os outros, daqui a Macau e de Macau aqui, por questões de parentesco, um dia será um fino idoso.


Ó já me ia esquecendo.

Diante da descoordenação e dos silêncios das Direcção Geral de Saúde, que traz cada vez mais dúvidas a todos nós, porque mesmo nas incertezas importa falar claro.


Diante ainda, de que os que as televisões mostram em relação às intervenções e ainda bem, das forças de segurança, estas imagens não passam de ser excepção, pois a regra, seria o aumento desta intervenção.

Diante do facto, que é raro, URGE a chegada da regra, isto é, a actuação de maior proximidade, não para as televisões, mas para a segurança e respeito, que DEVEMOS TER UNS PELOS OUTROS, na obrigatoriedade do cumprimento das regras, caso contrário, VIVEREMOS numa mentira, porque mais de 30% da população anda sem máscara e goza com os que a usam, pelo que é urgente:

CONTRA A PANDEMIA, MARCHAR, MARCHAR… NO COMBATE AOS INDIFERENTES, aos que diariamente rasgam as regras, perante a falta de fiscalização e das autoridades.

Neto Gomes

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