CULTURA

Remate certeiro: As curvas do Autódromo de Portimão e as curvas da pandemia

Oxalá as curvas do Autódromo de Portimão, não aumentem as curvas da pandemia

É difícil controlar», afirmou a Delegada Regional de Saúde no Algarve, Dr. ª Ana Cristina Guerreiro, aos jornalistas, no final do Grande Prémio, admitindo inclusive, que as coisas não correram bem dentro do Autódromo Internacional do Algarve, sustentando inclusive:

«Quando chegou aos 27.500 espectadores foram fechadas as portas. Algumas pessoas, não muitas, ficaram lá fora e estava a gerar-se algum conflito, pois tinham bilhetes. Foi então decidido pelas autoridades de saúde que deixassem entrar esse grupo.

Em relação ao distanciamento, houve situações complicadas porque as pessoas mudaram de lugar, aproximaram-se da zona superior das bancadas e é difícil controlar para não estar sempre a haver o confronto. Foi sugerido, os vigilantes insistirem, mas não houve uma medida de força. Eram várias bancadas e seria muito complicado», disse, assumindo ainda «ter ficado preocupada com algumas situações».


Como quem já pensa em nova e importante actividade no Autódromo Internacional do Algarve, com a realização a 22 de Novembro, quando da 14.ª e última etapa do Mundial de MotoGP, que contará, a não ser que algo corra mal, com a presença do piloto português, Miguel Oliveira, quem sabe se na discussão do título, Ana Cristina Guerreiro, admite: – «Eventualmente 27.500 espectadores poderá ser um número grande para haver margem de segurança.»


Entretanto, e relacionado com a Fórmula I, e por aquilo que foi dito e mostrado pela comunicação social, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Miguel Guimarães fala de «Um insulto aos profissionais de saúde».


A nossa visão sobre os acontecimentos, não pretende tanger qualquer política ideológica ou partidária, antes o protesto, que assenta num padrão bem antigo: «Quem não se sente não é filho de boa gente.»


Aqui não temos nada que esconder sobre os nossos valores, no que se refere à política, porque somos o mesmo, que subia a todos os palanques do Partido Socialista e antes de qualquer acto eleitoral, gritava: «Domingo, antes ou depois da missa, vote no Partido Socialista», e é sobre esta vaga que que continuamos a correr, na certeza que ela nos levará a praia segura, mesmo que o vento não ajude.


O que se passou em Portimão, e emocionalmente, familiarmente e como cidadão, temos a cidade no coração, por laços familiares, e por ter sido parte da nossa sala de aula, onde neste aprender constante, nos ofereceu algumas fantásticas lições, tem que esboçar um lição para o futuro.


Tivemos o privilégio, a convite do eng.º Paulo Pinheiro, de estarmos em Imola (Itália), não apenas para assistirmos à corrida de Miguel Praia, mas também para constatarmos a própria promoção do Autódromo, alguns dos seus passos e da sua força rumo à internacionalização.


Portanto, num tempo em que ainda gatinhava, depois de cair da própria incubadora e ter resistido aos que agoiravam o pior, com muito esforço, esforço humano e financeiro, sem esquecer as ajudas, numa constante conta de somar do Município de Portimão, que não poderia virar as costas a tão importante projecto, para a própria economia do País, da Região do Turismo, de empresários, do Ministério da Economia, mas também, repetimos, da competência e capacidade de gestão, da Administração do Autódromo Internacional do Algarve, sob a liderança de Paulo Pinheiro.


Logo, estamos à vontade, para juntarmos a nossa voz, às vozes e a outros sinais que nos chegaram, apesar do encolhimento de alguns repórteres nos seus directos para a televisão, para entendermos que se justificava outro cuidado, sabendo, sabemos todos, que ao contrário do que possamos defender e disciplinar em termos organizativos, quando se parte o cântaro, cresce a velha frase, que se desenvolveu pela defesa do 25 de Abril. «O POVO É QUEM MAIS ORDENA».

Multidão compacta assiste a um dos momento históricos do Autódromo Internacional de Portimão, com o regresso
da Fórmula I a Portugal


E esta onda, pelo amolecimento organizativo, voltou a encalhar de par em par com as portas do Autódromo tornando-o numa festiva e quase incontrolada romaria, que todos aplaudimos, pelo orgulho e privilégio de recebermos a Fórmula I, mas que logo a seguir descontroladamente criaram-se situações complicadas.


Portanto, oxalá as curvas do Autódromo de Portimão, não aumentem as curvas da pandemia, o que seria dramático para todos nós, sobretudo, para o esforço que o Governo de António Costa tem vindo a fazer para que o País sofra o menos e os mais graves efeitos no que se refere à pandemia, obrigando Portugal a dar um passo atrás e a trancar outra vez as portas, e que a economia deslise encosta abaixo levando tudo o que encontra pela frente, os empregos, as pessoas, o equilibro social, económico e humano das populações e obviamente dos empresários.


Mas voltemos à memória, porque enquanto escrevemos este REMATE CERTEIRO, já deixámos cair três vezes os óculos, certos, que alguém estará a falar em nós, mas é no soletrar da memória, que alerto estes faladores, que do tal palanque onde assumíamos que era preciso votar antes e depois da missa, demos a voz a tanta gente.


Oxalá as curvas do Autódromo de Portimão, não aumentem as curvas da pandemia, para que não voltem a fechar as fábricas, as empresas, a falência da hotelaria e da restauração, a economia, as escolas, as universidades, para que não se afundem ainda mais os lares da terceira idade, pois qualquer dia fecham as portas por falta de idosos.


Este olhar sobre os malefícios incontáveis da pandemia, desperta-nos também para a necessidade dos responsáveis pela saúde, entenderem, que em deliberações não pode existir retroactivos, ou seja, se foi autorizado um casamento em certo momento da pandemia, esta decisão deve ser alterada, se na altura em que decorre a boda, o estado da pandemia estiver mais acesso, como por agora vai acontecendo, impedindo-se tal realização, para que não se verifique o estranho e perigoso esvaziar do balão.


Repetimos: EM PANDEMIA, NÃO PODEM EXISTIR RECTROACTIVOS e é imperativo, que exista essa consciência, essa responsabilidade, para que não se ergam cada vez mais os muros da EVENTUALIDADE para nos escondermos atrás deles.


É um facto, que vivemos ainda o chamado tempo das adaptações, ou seja, todos ainda nos estamos a adaptar a esta estanha e cruel forma de vida, mas é a verdade, que quando abrimos uma greta, para nos adaptarmos, escancaramos tudo e fazemos desta greta, um portão que já não se consegue fiscalizar.


E esta nossa visão, parte da observação que fazemos neste processo terrível que enfrentamos, e pelas experiências vivenciadas constantemente, segundo a segundo, e quando pensamos que estamos a proceder analises, para novos comportamentos, que evitem maiores e mais agressivos confinamentos e consequentes constrangimentos ao sector económico do País, com consequências cada vez mais graves para as populações, vamos sentindo que estamos a construir uma falsa realidade.


Não se tratar, de estarmos aqui sentados no chamado lugar de maldizer, mas a Pandemia, não pode ser um jogo de empurra, que aqui vale e ali não vale.


Oxalá, cheguemos à boa praia, mesmo com o vento contra, mas o momento é grave, é muito complicado, e sabemos e sentimos, que podemos não gostar de algumas vozes, mas que dizer, da tese, que defende o Pedro Proença, presidente da Liga de Portugal, olhando ao cenário popular bem aconchegado, que se assistiu em Portimão.


Ora, a grande verdade é que temos que estar todos virados para o mesmo lado, numa conjugação de esforços, como aliás, defendia muito recentemente Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República, num apelo lançado às Deputadas e aos Deputados, e pegando nós na mesma luz, avancemos juntos e em força, para que a pandemia não se torne descontrolada e ainda mais dramática.


Como afirmou Ferro Rodrigues: «E é a esses “deputados e deputadas” que pede, “num momento tão difícil”, que “estejam à altura das responsabilidades” exigidas pelos eleitores e que “possam abdicar de interesses particulares e de convergir no que é absolutamente essencial”: enfrentar, “em conjunto, os muitos e exigentes desafios” que têm pela frente”.


É isto que também que se pede a todos os portugueses, que sejamos capazes de nos unir, no desigual combate que enfrentamos contra o Covid19, um inimigo invisível, que não o vemos, mas que anda sempre atrás de nós.


Claro que não devemos ignorar, que a Fórmula 1 levou Portimão, o Algarve e o País, pela mão do Autódromo Internacional de Portimão, ao ponto mais alto da internacionalização, pena o eclipse que a pandemia está causar, nos tivesse roubado o próprio sol da felicidade.

Neto Gomes

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