NATUREZA
OPINIÃO

Remate certeiro: João Barafunda, também está entre as mentes iluminadas

OPINIÃO | NETO GOMES

João Barafunda, também está entre as mentes iluminadas, mas também nada sabe sobre a durabilidade das vacinas

A nomeação de uma Comissão para um cargo importante da Revolução de Abril, e que creio será o responsável por mandar ou hastear um chaimite em todos os paus de bandeiras existentes nas aldeia, vila e cidades do País, trouxe à ribalta do debate algumas das maiores celebridades do campo da sociologia, para se tentar perceber, se é ou não verdade, que com aquele contrato que lhe está reservado, se estaremos ou não perante uma mente iluminada.


Acreditamos que António Costa escolheu bem, e que Marcelo Rebelo de Sousa também ficou encantado. Pessoalmente também nada temos contra, ainda que saibamos, que nestas e noutras coisas, as minhas decisões não têm o meu peso. Isto é que seria bom.


Também sabemos, apesar dos camuflados chapéus de abas largas e gabardines que por aí andam, que ainda somos livres de pensar e de colocar em escrita alguns destes pensamentos, aqui em Remate Certeiro, até que o Dr. Fernando Reis e a Dr.ª Luisa Travassos, o desaconselhem…


O que nos desgosta, é a durabilidade do contrato e a mancha salarial, tendo em conta as misérias franciscanas, que por aí sobrevivem, alguns e algumas, transformando em tenda/casa a velha mala de cartão, por culpa das reformas, dos ordenados e do destravado desemprego.

Diz-se que a ideia também está colada ao General Ramalho Eanes, no entanto por mais que seja a espessura dos alicerces da casa, isto não quer dizer, que a mesma não nos venha a cair em cima.

E depois, este saco azul, vai engrossar outros beneficiários, amigas e amigos, a chamada gente que nasceu para flutuar, e algumas e alguns, só não forma a contra-senha, porque ainda não tinham nascido.


Tem vindo gente sem rosto a apregoar, toda a história de Portugal, onde trazem à superfície as Comissões da Expo, do Euro dois mil e não sei quantos e outras engrenagens que fizeram mover este País. Mas mesmo que algum grão de areia tivesse entupido um ou outro movimento, não faz sentido fazer eco deste ontem e a isso chamamos um olhar afunilado, ao voltarmos a dar como exemplos vitoriosos, na compensação da hora que passa, as repetição de novos erros.


Repito. Pessoalmente não conheço o Senhor e terei que avaliar positivamente a decisão de António Costa que é alguém que conheço, e com quem falo sempre que nos encontramos, e até tenho orgulhosamente na roupa, o cheiro de alguns abraços, mas penso, que são muitas coisas a andar num carrossel um bocado traiçoeiro, por culpa do assombrado populismo, menos intelectual e nada humano, em contraste com a figura do anarquismo.


Os últimos dias, ou para melhor, durante o mês de Maio, e ainda bem que o Sporting foi campeão, até à final da Liga dos Campeões, era melhor que o vencedor tivesse sido o Manchester City, Portugal nunca mais parou, numa espécie de entupimento, mas que a ligação PSD/CHEGA, com o andar da carruagem e as chicotadas na democracia poderão ser suficiente para o PS manter a sua firme liderança, sem grandes sobressaltos.


Tudo serve para alimentar algumas tertúlias doentias, incapazes de fazerem a separação entre a água e a espuma, procurando desta forma rasgarem neblinas com ódios assentes num populismo doentio, que a todos ameaça, fragilizando a democracia, como aconteceu muito recentemente com os patéticos comentários sobre as visões diferentes assentes na liberdade de pensar, que tomaram Pedro Nuno Santos, Ana Catarina Mendes e Fernando Medina, em inventados estrados de polémica. Claro que Medina, já não fica tão bem na questão das informações levadas até à Embaixada Russa e algum atarantamento na validação da protecção de dados.


Se os políticos se preocupassem mais com a protecção dos portugueses, esta polémica, não passava da lesão que enche de vaidade todos os tenistas: Uma tendinite.


Mas regressemos às mentes iluminadas, para vos dar conta, que não gostamos muito do termo iluminada e muito menos luminoso, que sociologicamente até abarcam campos muito iguais, para vos dar conta de que há muitos anos, durante uma Monumental Corrida de Toros, em Ayamonte, o pobre do bicho, de seu nome Luminoso, acabou por dar à costa em Vila Real de Santo António.

Mas nós, contamos o feito e o efeito, com todos os ajustes, omissões e ressalvas.


Como era tradição, hoje não sabemos, porque o mundo está sempre às cambalhotas, havia sempre por ocasião das festas em Honra de Nossa Senhora das Angústias, grandes corridas de touros, e o último Toro, que esteve em praça, chamava-se LUMINOSO.

Tratava-se um bicho bem pesado, da Galeria Ferro Forjado, de tal forma pachorrento e parado, que afición do lado da sombra gritava:

Leva o bicho para o lado do sol, para ver se ele consegue brilhar!!!

Era o Inteligente [Director da Corrida], desta corrida, um homem de Carregal do Sal, de seu nome João Gabriel, mas como era pessoa que só arranjava confusão, passou a ser conhecido pelo João Barafunda.

Barafunda, sentado à direita do Alcaide, Don Rodriguez Escolástico, começava a ficar nervoso, pois a multidão já nem olhava para a corrida, pois o próprio toureiro, Páscoal Del Cano, que veio de Pamplona, ria-se às gargalhadas sentado no centro do redondelo, com o Luminoso encostado a ele.

Num repente, como uma mola, a massa humana que esgotava a Plaza de Toros de Ayamonte, virando-se agora para a tribuna onde se sentavam o Inteligente e o Alcaide, começaram a gritar:

Toro, à la calhe, à la calhe, à la calhe, isto é, touro para a rua e que venha outro touro.

De repente faz-se silêncio, na expectativa de se ouvir o sinal do Inteligente, para que o som do Trompete anunciasse a transição, a mudança de bicho…

Um silêncio, que era agora rasgado pelo ressonar do LUMINOSO. O Toro, dormia profundamente ao lado de D. Páscoal Del Cano, o toureiro.

Mais tarde veio a saber-se que touro e toureiro, tinham perdido a noite, na feira Dos Hermanas, perto de Sevilha, onde tinham actuada na Praça desse município andaluz.

A afición amotinou-se, evadiu a praça, e em tamanha barafunda, já nem se sabia quem era o Alcaide, o Luminoso e o toureiro Dom Páscoal Del Cano, estes dois últimos, meio a dormir, meio acordados, a multidão, lá empurrou o bicho até ao cais da alfandega, atirando-o ao Guadiana, onde dias depois deu à costa na Cabeça Alta.

Nunca mais se soube nada de nenhum dos intervenientes, mas por coincidência, vim a conhecer, muito recentemente um dos netos do João Barafunda, de seu nome Manuel Carvalho, mas que também é conhecido por Barafunda, residente em Mértola, e que por esta altura da época vende bolas de Berlim, numa das praias em Quarteira.

No outro dia, ouvi uma conversa entre o Manuel Barafunda e o meu amigo António, também de Mértola, de igual modo vendedor de bolas de Berlim. Não sei o que é que o Barafunda dizia ao António, pois este limitava-se a dizer:

Eu só vendi duas. E repetiu isso dezenas de vezes.

Eu só vendi duas, Barafunda…

Marafado, António desligou o telemóvel, e eu questionei:

Amigo António. Passa-se alguma coisa? Não me digas que a Polícia Marítima, prendeu as bolas ao teu amigo! Que barafunda é essa?

Não disso amigo. É que você nem conhece a peça. O moço com quem eu estava a falar é que se chama Barafunda, Roubou o nome do avô. O que se passa, é que eu perguntei, quantas bolas já tinha vendido e ele respondeu: Vendi uma bola e um apartamento.

Eu sei, que ele trabalha no Pomarão, na agência Maison Sem Telhado, gerida por um antigo emigrante, mas que tenha a lata de em vez de vir para a praia vender bolas de Berlim, vir vender apartamentos…!!!

Apesar de bem ancorado ao cais, o barco da pandemia, continua a ser quase que arrastado pelos abusos que se vão libertando aqui e ali.

É um facto todo o esforço que está a ser feito através da vacinação, mas o desrespeito de uns pelos outros continua solto, livre, como se nada se passasse e tudo tivesse sido esquecido.

Já ninguém se lembra dos afluentes descontrolados que as lágrimas fizeram crescer perante o silêncio dos cemitérios de todo o mundo.


Até o Luminoso, que naquela tarde em Ayamonte não queria trabalhar, sabe-se lá porquê, foi atirado ao Guadiana, sem que alguém lhe escutasse os males de que padecia.

Tal homem, tal bicho.

As velas e os mares são os mesmos, mas os navegadores são outros e nem a pandemia lhes reserva o respeito que temos que ter uns pelos outros, também na aritmética da vida, quando aportamos indisciplinadamente e sem distanciamento em todos os cais

Última hora: Precisamos de ouvir as vozes em que confiamos


Esta última hora, como designamos o fecho do nosso Remate Certeiro, que inclusive nos obrigou a substituir uma parte do texto que já tínhamos escrito, porque no Domingo à noite, a SIC, o Dr. Marques Mendes trouxe para os holofotes do comentário, a eficácia ou não desta e daquela vacina, e das dúvidas que cada vez mais assaltam os investigadores, por exemplo, sobre a durabilidade da AstraZeneca, e cuja eficácia não vai além dos 33% e inclusive, se existem vacinas da mesma marca, para quem ainda terá que levar a segunda dose, como é o caso aqui do velhote.

Depois a lengalenga sobre a Pfizer e a Johnson, e o testemunho de alguém da Direcção Geral de Saúde – estamos a citar Marques Mendes – de que ainda não teriam certezas sobre a existência de vacinas para a segunda dose, de quem tomou a AstraZeneca.


Mais tarde, já no final da mesma noite e na mesma SIC apareceu uma senhora jovem, com um belíssimo aspecto, a declamar, porque dito daquela forma parecia um poema, que já estamos perto da imunidade de grupo e de que era altura de nos começarmos a libertar do desconforto das máscaras.

Portugal tem um governo. Um governo em que nós temos total confiança, e é lamentável, que não apareça ninguém do Governo a confirmar ou desmentir essas informações, casos da Ministra da Saúde e da Directora Geral de Saúde, porque é nelas, mal ou bem, que alguns portugueses, como eu – até ver – confiamos.

As televisões não podem continuar a ser uma tortura, uma afronta, na verdade, na mentira e na ilusão, segundo a segundo, perante a passividade dos responsáveis pela saúde.

Pergunto:

Será que existe AstraZeneca, para quem levou a primeira dose?, Será que esta poderá ser substituída em segunda dose, pela Pfizer?

Será que é falsa a tal durabilidade da AstraZeneca, como se dizia há três meses atrás?


Eu por exemplo tomei a primeira dose no dia 17 de Abril e só levarei a segunda, se ainda for vivo, a 10 de Julho.

Já vimos, o que é triste, que a ficção da informação, andem à frente da realidade do País onde vivemos.

Neto Gomes

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