OPINIÃO

Remate certeiro: Mano Velho (parte 3)

Remate certeiro
OPINIÃO | NETO GOMES

Mano Velho (parte 3) Fazer parar o taxista com um isqueiro/pistola.
Olinda fundada pelos espanhóis. “Só dás barraca…”

-Bom dia, passarinho.

-Bom dia, árvore.

-Bom dia, casa.

-Bom dia, sinhor.

-Bom dia, sinhora.

-Bom dia, passarinho…


Esta era a conversa que nos entrava pelos ouvidos todas as manhãs, quando o pequeno Ivan, com cerca de quatro anos, quando pela mão do pai, gerente da Pousada Berro do Jeguy, ou seja do grito do burro, em Pipa, seguia em direcção à sala do pequeno-almoço.


Era o despertar de cada novo dia.


Mas vamos ao começo. Chegámos a Recife, e logo nessa noite resolvemos ir jantar a um restaurante de carne argentina.


Para o restaurante fomos numa carrinha do Hotel, mas depois regressámos de táxi. A Luísa e o Mano Velho num, eu a minha Maria e a Teresinha, como lhe chama o Mano Velho, noutro.


Por essa altura, os relógios marcavam vinte e três horas, pelo menos esta era a informação de me dava o táxi, quando a minha Maria, bastante rigorosa nas orientações, o que acontece ainda hoje, me avisou:

Olha que o caminho para o hotel não é esse. De facto, olhei pela vidraça da janela, e verifiquei que caminhávamos por uma estrada de terra batida.

Nessa altura eu fumava de vez em quando um charutito, que o saudoso Serafim Ferreira batizara há muitos anos de imperativos de classe e sem saber porquê, para o Brasil levei comigo um isqueiro que era uma pistola em miniatura.


Não gostando do trajecto, chamo a atenção do motorista exclamando:

-Desculpe! Para onde é que nos leva? Esta estrada é de terra batida…

-Para o hotel, respondeu o motorista.

-Mas a estrada não é esta!, insisti…, mas já não ouvi a respostas e metendo a mão no bolso dos calções, gritei:

-Pare o táxi. Pare. Tenho aqui uma arma…


O taxista ficou tão atrapalhado, que cinco minutos depois estávamos no hotel.


Antes de abandonar o táxi, a Maria e a Teresinha pareciam que tinham molas debaixo do rabo, deixei dez reais ao motorista. Diga-se gorjeta antecipadamente programada, pois eu raro ando com dinheiro, e a minha mulher ainda no restaurante transferiu dez reais para meu bolso.


O motorista agradeceu. Era homem para os seus 35 anos. Depois olhou para mim com cara de entristecido:

-Sinhor escolhi uma estrada em obras para ser mais rápido e mais barato… Sinhor eu não sou desses. Tenho mulher e menino. Quero apenas ganhar a vida a trabalhar.


Mas não ganhámos para o susto, tendo inclusive arriscado demasiado com o meu atrevimento, de ter puxado por um isqueiro, modelo de pistola, para obrigar o taxista a seguir o rumo certo…


À porta do hotel já o Mano Velho e a Luísa esperavam por nós. Quando chegámos a Teresa estava amarela. E o Mano Velho perguntou:

-O que é isso?


E a Teresa respondeu:

-O meu pai queria dar um tiro no taxista com uma pistola de isqueiro. Ia morrendo de susto.


A gargalhando do Mano Velho foi escutada em Olinda. Depois acrescentou:

-Mó Neto. És sempre o mesmo. Só dás barraca.


Entramos no hotel em direcção ao Bar. Mano Velho deu-me um imperativo de classe (charuto), ele ficou com outro, dizendo:

-Mostra-me lá essa pistola, para acender el purito…


No dia a seguir, antes de abalarmos, em táxi colectivo, (o do hotel que era o mais barato), fomos visitar Olinda, este Património Histórico Mundial da Humanidade, que os portugueses fundaram em 1535.


Na visita a um convento, creio que de S. Francisco. Tem cosias que a memória já mastigou, entrei a falar espanhol a uso da Bila, defendendo diante da guia, que Olinda tinha sido fundada pelos espanhóis. Que sim, que não… e o Mano Velho a dar-me cotoveladas e dizer baixinho:

– Neto. Estás a enervar a senhora. Que pouco depois regressava com um livro a dar conta de que tinham sido os portugueses a fundar Olinda. Quando lhe disse em português, que estava a brincar, a mulher foi ao céu e voltou. Subiu com cara de zangada e regressou a rir às gargalhadas.

Este português é maluco – disse o Mano Velho…

Berro do Jeguy (O berro do burro), uma pousada simpática, engolida pela natureza


O Berro do Jeguy era uma pousada simpática, engolida pela natureza, ali a olhar ao mar de Pipa, onde passámos uns quantos dias até rumarmos a Natal, onde a convite do nosso conterrâneo Vítor Salas, na altura Director do Grupo Pestana…


Tínhamos chegado nesse dia a Natal. Almoçado um bom Rodízio na companhia de Vítor Salas, e já perto das 4 da tarde, regressámos ao Hotel, na disposição de nos três dias que ali ficássemos, fazermos a nossa praia, mas procurar levar acabo a edição de uma revista sobre turismo, que já estava meio adiantada, quando deixámos Portugal.


Dois dias depois, telefonema para aqui, faxe para ali, e ao mesmo tempo utilizando uma das máquinas de escrever do hotel, no Gabinete do Vítor Salas, lá conseguimos completar o trabalho, sobretudo a angariação da publicidade necessária para salvar os custos, que se diga foram bem salvos…


Eu escrevia uma coisa, o Mano Velho outra e a Luísa punha água na fervura… […]

Belenenses SAD – Benfica. Uma vergonha. Ninguém viu o primo Proença, no Jamor, no funeral do futebol


Tem coisas que a malta já não consegue aguentar. Sobretudo a malta que vem de muito longe, que nada tem a ver com o filme: O Homem que vem de longe, nem é pura coincidência, com a agravante que a imprensa, conforme a cor do clube que defende, aqui a ética e a deontologia já não contam, também confinadas a alguns escritórios de advogados, culpa tudo e todos, vão criando ainda maior confusão. Até os treinadores dos adversários do Benfica, por exemplo, também cantam de galo, mas presos à sujidade do poleiro.


O que me espanta. Minto, não me espanta nada, é o comunicado técnico, filosoficamente técnico, da Direcção Geral de Saúde, que aos costumes disse nada. Ou para melhor, respondeu a médicos, a advogados e mais uns quantos. E nós, os camelos, que aguentemos firme.


António Costa, sabe que são coisas muito seguidas no sector da saúde. Agora houve falta de resiliência por parte da DGS, porque não se esforçou o suficiente para clarificar, limitando-se a confundir.


António Costa tem que fazer qualquer coisa para evitar o calcinar destas pegadas, que podem ferir de morte o futuro, que é já a 30 de Janeiro.
A Liga de clubes, só vai a casamentos, ninguém viu o primo Proença, no Jamor, no funeral do futebol e limitou-se ao comunicado.


No tempo do PREC é que era comunicado para aqui e comunicado para ali, porque as condições assim o impunham.


Agora não. Por favor. Mesmo com máscara deem a cara. Não tenham vergonha e restituam a verdade ao País, ao Futebol e aos portugueses.

Nota: Para a próxima semana, regressaremos a Pipa e voltaremos a Natal

Neto Gomes

PUB
WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Tamanho da Fonte
Contraste