CULTURA

Remate certeiro: Milhares de portugueses não se entendem com a máquina do estacionamento

Existem milhares de portugueses, que não se entendem com a máquina do estacionamento, incapazes de retirarem o ticket, muito menos com a aplicação Stayaway covid

Se não fossem os subsídios que se recebem do Governo eramos quase 45% de pobres, e esta espécie de folga, também se deve aos minúsculos sinais, aos envergonhados e desconfortáveis cumprimentos da Constituição da República Portuguesa, que parece mais desperta para tentar alterar e acolher a polémica e tramada decisão de se aproveitar a obrigatoriedade de se descarregar a aplicação Stayaway covid, em contramão com um país, onde uma mão cheia de milhares de portugueses, os tais pobres não têm telemóvel, quando o que se pede é a diminuição dos sinais de pobreza, que afinal a Constituição defende.


Aliás, segundo dados oficiais, apesar de todo o esforço do Governo, porque o atraso era enorme, «em Portugal, o número de pobres e de pessoas que passam fome tem vindo a aumentar, em resultado da crise económica. As instituições de apoio e caridade social têm registado um aumento significativo do número de pedidos de apoio por parte das famílias portuguesas.


Segundo dados revelados pela Rede Europeia Anti-Pobreza, 18% dos portugueses são pobres. De acordo com esta organização, o número europeu que serve de referência para definir a pobreza equivale a um vencimento mínimo mensal de 406 euros.


Portugal surge na 141.ª posição do top dos países mais pobres do mundo, com um PIB (PPC) per capita de 23,185 dólares».
Mas regressemos à aplicação, que se fosse no tempo, em que o telefone, e eu trabalhei com alguns na RDP, que levávamos para fazer exteriores, pesando uns bons quilos, ou como aqueles, tipo mochila de ferro, que carregávamos às costas, durante a guerra colonial, na época dos aerogramas esgravatando picadas, talvez este Stayaway covid tão badalado, não saísse da montra e isto cansa. Sim, estamos cansados.


No outro dia, e outra vez e a respeito do Stayaway covid, estava um senhor em Loulé, frente ao BPI (sem publicidade), no outro lado da rua, a tentar tirar o ticket de estacionamento para o seu carro. E porque senti que o senhor estava com dificuldades, perguntei-lhe: – «Então, senhor, o que é que se passa? Precisa de alguma coisa?

Sabe – respondeu o homem, – não percebo nada disso, estou confuso, coloquei moedas que valem um euro e quarenta cêntimos, ou lá como se chama a moeda, e não sei onde carregar, para tirar o papelinho!


Olhei, olhei e lá carreguei num botão que rapidamente fez cair o ticket e algumas moedas (máquina séria, pensámos), que seriam o troco, puxámos pelo ticket, e acrescentamos: – Agora tire daquela gavetinha as moedas que são o troco. Inclinou-se, ofegantemente como quem se sente aliviado, fez um gesto de agradecimento e cada um foi à sua vida.


Este é um dos muitos milhares de portugueses, que não se entende com a máquina do estacionamento e muito menos com o tal Stayaway.


Daqueles milhares que se começam a sentir-se longe da realidade, das novas tecnologias.


Não acreditamos, que este velho, seguramente mais velho do que eu, ou então mais gasto, consiga saber o que é aplicação e muito menos funcionar com o Stayaway covid. Aliás, quando pronunciamos Stayawai, até mordemos a língua, e quando ouvimos pela primeira vez o nome da aplicação, até julgávamos que estivessem a falar sobre o Sartawi, que foi assassinado em Montechoro, Albufeira. (1)


Mas não, era bem claro, que se tratava de Stayawai, uma aplicação, que sabe tudo sobre nós, isto é, sobre aqueles que tiverem telemóvel e que consigam descarregar aplicação, e até dizem que é gratuito. Também o Baco Novo e a TAP são gratuitas…


Não se pode apontar o dedo a António Costa, eu nem imagino a sua luta diária para levar o País a bom porto, e até, o gerir da liberdade do próprio partido, quando surgem e ainda bem, as discussões e as opiniões diferentes, em nome da democracia, como aconteceu agora pela voz de da deputada Isabel Moreira, ao se assumir como: «uma voz crítica de medidas restritivas de direitos, liberdades e garantias tomadas pelo Governo durante a pandemia, em especial mostrou-se nesta quinta-feira contra a proposta de a utilização da aplicação StayAway Covid.»


E foi mais longe, numa publicação na rede social Facebook com o título «“Não nos ameacem, não nos tentem convencer a aceitar medidas inconstitucionais acenando com cenários de confinamento ou de estado de emergência”».


Hoje, segunda-feira, dia 19 de Outubro, o jornal fecha amanhã, quando estamos a escrever este REMATE CERTEIRO, as portas de Belém se abrem, não para entrarem os três pastorinhos, mas antes um vasto leque de personalidades ligados à área da saúde, com quem Marcelo Rebelo de Sousa se vai reunir. Nem sei, creio que não, se na quinta-feira, quando JA chegar às vossas mãos, já possam existir algumas decisões.


Além da Ministra da Saúde, o Presidente da República, reunirá com vários bastonários da ordem dos médicos, desde o actual aos mais antigos, o mesmo acontecendo em relação a mais antigos Ministros da Saúde, para que se defina uma estratégia, perante pessoas que sabem da poda, e não com gente que atafulha tudo. para que os portugueses não fiquem cada vez mais confusos, mais perdidos, mais isolados.


Confiemos em António Costa e em Marcelo Rebelo de Sousa, na certeza que também darão ouvidos a quem sabe, e aquela coisa do Stayawai, não será apenas uma aplicação (gratuita) será qualquer coisa, que não pode chegar a todos os portugueses e está perto daquela percentagem dramática de pobres que nem têm pão, quanto mais um telemóvel, além das indecisões com que se confronta com a Constituição.


Pedir ao Tribunal Constitucional que reforce os poderes da Constituição, para que existam menos pobres, menos gente marginalizada, claro que sim, agora assim a modos de aviar o tal Stayaway é um desconforto.


Já se sabe, já se percebeu, como noutras alturas que a AR tem dias, demasiados dias, em que empurra o futuro dos que mais precisam com a barriga ou então com um toque de anca, portanto, é preciso atrair consensos, que possam responder às necessidades do povo, do pais, da sua gente mais vulnerável.

Já começamos a assistir filas intermináveis às portas das farmácias, mesmo à chuva, sendo que talvez se tornasse necessário, criar espaços, sei lá, um velho salão de festas, os pavilhões das escolas, para onde pudessem ser transportadas as pessoas mais vulneráveis e aí receberem a sua vacina contra a gripe


Diz-se o que à AR o que é da AR, mas por vezes nem se percebe porque é que a politica no parlamento está tão estremada, e oxalá, que na linha das grandes decisões, o PCP e o BE se entendam com o Governo no que se refere ao grande anuncio da aprovação do orçamento, sobre todas as coisas, e sem equívocos, sobre aquilo que mais aflige os portugueses que 46 anos depois do 25 de abril de 1974, e faltam quatro anos, para se atingir os 50 naos do anterior regime, ainda se ande a contar tostões que permitam aliviar os males de que sofrem milhares e milhares de portugueses.


Portugueses, que não têm emprego, não têm dinheiro para medicamentos, não têm pão, cuja economia receia, como quem lhe aperta a garganta, um novo confinamento, apesar do peso social com que o governo os ajuda, e sobretudo as Câmaras Municipais, por forma a minimizar o sofrimento de gente que perdeu tudo, para ajudar o Banco Novo.


Agora vem ai a vacina contra a gripe, numa altura, e já começamos a assistir filas intermináveis às portas das farmácias, mesmo à chuva, sendo que talvez se tornasse necessário, criar espaços, sei lá, um velho salão de festas, os pavilhões das escolas, para onde pudessem ser transportadas as pessoas mais vulneráveis e aí receberem a sua vacina contra a gripe.


Em cada notícia sobre a pandemia, surge uma verdade e uma mentira, nesta espécie de polígrafo em que transformaram as nossas vidas.


A todos estes palcos da vida, sobem diariamente com sofrimento os mais velhos, os mais idosos, que vão apodrecendo sem esperança, batendo contra a muralha que se ergue e que já nem é uma crueldade desconhecida.


Cada vez mais somos vítimas de uma ofensa, no tratamento, na vida, no dia-a-dia, neste mundo tão cruel, que até nos pedem para descarregarmos uma aplicação (gratuita). Como? Se nós, nem a conseguimos colocar em cima do camião, ou seja, isto é, demasiada areia para a nossa camioneta, mas continuamos a acreditar neste futuro, que António Costa continua a desenhar.

Coronel Aguiã, um grande ser humano, que hoje desejamos abraçar, por todos os reconhecimentos

Joaquim Camacho Aguiã a nobreza de um grande ser humano


Lemos com alguma emoção a entrevista que o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Real de Santo António, Joaquim Camacho Aguiã, concedeu ao Jornal do Algarve e foi publicada na última edição.


Emoção pelo tema, emoção pela figura tão notável, como discreta, que conhecemos desde 1966, e que foi para nós, em certa fase da nossa vida, uma figura importante, decisiva, em pleno CISMI – Centro de Instrução de Sargentos Milicianos, em Tavira.


Foi ele me nos abriu algumas portas, que depois nós próprios escancarámos, para atamancarmos algumas dificuldades, exigidas pelo rigor do serviço militar.


Conhecemo-lo ainda como Alferes, assim como o começo do namoro com a sua esposa, Conceição Parra, hoje Conceição Aguiã, o que acabou por ser a cereja no topo do bolo, pois através desta paixão, quase todos os dias, num privilégio único, mal tocava o final da instrução, bem fardadinho.


E saía à porta de armas e sem passar pelas rigorosas e intermináveis filas para que nos conseguíssemos desenfiar, assim a modos de um contrabando barato, lá estávamos, minutos após, preparadinhos para embarcarmos rumo a Vila Real de Santo António, no seu Opel branco, denominado «ora porra», porque tinha um frente maravilhosa, mas a parte de trás, cuidado com ela… Coisas de engenheiros.


Nunca mais perdi de vista o meu bom amigo Coronel Aguiã, a quem devo uma fatura cada vez maior, pela sensibilidade, pela paixão, pelo amor, pela dedicação, como ele e toda a sua provedoria, funcionários e demais colaboradoras, tratam e acarinham os mais idosos, em todos os lugares onde são acolhidos pela Santa Casa da Misericórdia de Vila Real de Santo António.


Aqui, agradecemos também o olhar de ternura, com que tem tratado tudo e todos, e entre estas pessoas, que procuram quebrar a solidão, a amargura de um tempo que a pandemia tem agravado, também está a minha irmã Lina, e por isso, também reforçamos o nosso abraço.


Lemos a sua entrevista, conduzida com mestria, aliás, nem podia ser de outra força, pelo João Prudêncio, e toca-nos fundo, quando diz: «Nenhum de nós recebe um cêntimo. Até pagamos para cá estar, mas fazêmo-lo com muito gosto».


E depois leva-nos a um momento a que assistimos ao longo de alguns anos, não apenas no CISMI, mas por noutras unidades, como o RI3 (Beja) e o CMEFED (Mafra), onde antes das refeições serem servidas aos militares, eram provadas em primeiro lugar pelo Comandante da Unidade e pelo Oficial Dia, quando o Aguiã lembra: – «Todos os dias vamos ao lar provar o almoço, sempre o fizemos e vamos continuar a fazê-lo».


Joaquim Camacho Aguiã, senhor Coronel, recebe um abraço deste afilhado.

Neto Gomes

(1) No dia 10 de Abril de 1983, pelas nove horas da manhã, dirigia-mos nós, o Gabinete de Imprensa do Hotel Montechoro, Issam Sartawi, representante da OLP no XVI Congresso da Internacional Socialista, foi assassinado no átrio do Hotel Montechoro.
Diz a história, que um homem disparou seis tiros à queima-roupa, pondo-se em fuga, e que a arma, uma Beretta de fabrico italiano, foi mais tarde encontrada pelos jornalistas a 300 metros do hotel.

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