CULTURA

Remate certeiro: O ensaio sobre o medo ou somos uns relaxados

As festas, as festinhas e a festas que deixámos de fazer uns aos outros, é o constante aflorar deste chamado ENSAIO SOBRE O MEDO.


A chegada do verão, onde vale tudo para uns, até tirar olhos, e não vale nada para outros, é mais um sinal de indecisão, sobre este soprar que nos abana a alma, a que chamamos de ENSAIO SOBRE O MEDO.


Ontem, tudo era proibido, com medo de uma segunda vaga (onda), e por causa da vaga/onda, até houve quem corresse para a Nazaré na esperança de poder desfrutar desta segunda vaga/onda, na perspectiva de sentirem o peso deste ENSAIO SOBRE O MEDO.


Era tudo proibido até a nossa presença em todos os palcos da vida: festa de aniversário, funerais, espectáculos desportivos, festivais, missas, baptizados, casamentos, divórcios, tertúlias, encontros culturais, festivais das várias marcas de cerveja e das modernices dos operadores de televisão. Até a minha tida Gertrudes, que tinha medo de atravessar a rua sozinha, não teve outro remédio… E tudo isso, essas terríveis interdições, por culpa do ENSAIO SOBRE O MEDO.


Até o Senhor Ministro das Finanças, nessa altura ainda era o amigo Mário Centeno, depois de acertar a conversa com o amigo António Costa, editou, que quem não pudesse pagar agora, pagaria depois, e quem não pudesse pagar tudo de uma vez, que pagasse em duas, em três, pagasse quando pudesse, e tudo isso, este constante isolamento, esta espécie de falso perdão, por culpa do ENSAIO SOBRE O MEDO.


Tenho uma amigo, que é mais à direita que o CHEGA, mas isso não invalida que não sejamos amigos, e que ontem me interpelou pelo telefone, para me dizer que também ia estar presente na Festa do Avante, e antes que lhe fizesse qualquer pergunta, disparou:

Aquilo é que pessoal determinado e até foram às Caldas comprar um grande manguito para oferecer ao Governo, e sem ais, «sem ais nem uis», puseram de pé a Festa do Avante. Chama-se a isso, dar um toque de anca, neste ENSAIO SOBRE O MEDO.

Calma, Francisco!

Mas qual calma!

Imagina que eles utilizam a mesma decisão para a realização da Festa do Avante e começam a aumentar as reformas do povo, a aumentar os salários. Quem é que os pára…

É pá! O País precisa de decisões.

Eu estou convencido, (ainda é o Francisco a falar) que se eles mandassem no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, aquela barraca que aconteceu no Aeroporto Internacional de Faro, não teria acontecido.


Aqui dou razão ao meu amigo Francisco, pois aquilo é fruto o actual ADN do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, pois em vez de prenderem os marroquinos, prenderam os ingleses. E a imprensa, marafadinha para colocar o Algarve no palco onde se faz o ENSAIO SOBRE O MEDO, andaram logo, gritando como quem geme, que já estávamos a pisar o risco vermelho.


A verdade é que a barraca, oxalá não, que aconteceu no Aeroporto de Faro, não nos obrigue a ficar outra vez de fora do corredor britânico. É que se isto acontecer a coisa vai ficar muito pior. Oxalá nos enganemos.


É preciso dizer a alguns senhores jornalistas, que, quem tem medo, vai para o aeroporto, com máscara e cão, mas não abandonem o Algarve, porque isto seria mais um ENSAIO SOBRE O MEDO.


Avaliando melhor o que foi transmitido pelo Francisco, doente militante do CHEGA, que até a dormir pensa no partido, andando sempre a dizer à mulher: «Alzira! CHEGA, pra’ qui…», isto é que vai ser uma reviravolta de bradar aos céus.


Os últimos acontecimentos no Algarve e no País sobre a Pandemia, não podem ser contrariados com entrevistas, que muitas vezes acumulam tanto disparate, que até nos beliscamos para sabermos se ainda estamos vivos e quando a lengalenga se refere à saúde, à economia, ao emprego, à fome. Sim, à fome, aos desempregados, ao pessoal, que nem tem dinheiro para comprar medicamentos, oh valha-nos Deus, que desencanto e tudo isso, porque continuamos a trilhar o ENSAIO SOBRE O MEDO.


A crise económica é dramática, e por isso, seria determinante, neste ENSAIO SOBRE O MEDO, que não avolumássemos as crises e olhássemos ao País, não no romantismos da imprensa colorida, mas à sua realidade, dos constantes medos que nos assaltam, porque, e com toda a razão, e oxalá corra bem, depois de Setembro, o País não pode regressar a Março e a Abril.


O País, sabe que pode acontecer o pior, assim a modos da abertura rápida das comportas de uma barragem, que não aguentam mais a água que suportam, porque ninguém quer ficar em casa, todos queremos ir à missa, para o trabalho, para os estádios de futebol, para a tourada, para as escolas, para o quartel, para o hospital, para a universidade.


Queremos ir às feiras, às vindimas, aos mercados, queremos ver o Algarve a abarrotar de turistas, o constante movimento na via do infante e na EN125, e andarmos sem medo no carrossel, nas pistas de automóveis, e exigirmos que as máscaras só regressem pelo carnaval.


Depois as constantes filas – quando começar a chover é que vai ser uma chatice à porta do minimercado, da farmácia, do banco, das bancas da raspadinha e dos jornais, do talho, como quem procura sobreviver ainda a este constante ENSAIO SOBRE O MEDO.


Portanto, temos de arranjar coragem, e irmos para todos os lugares que nos são comuns, sem que sobre as nossas cabeças, se mantena em palco o terrível ENSAIO SOBRE O MEDO.

A polícia marítima impondo a sua lei no relaxamento na praia


O pior é que agora até andamos a delirar, pelo papel importante que hoje ocupam os relaxados. E se relaxarmos tanto, que até parece que vai tocar arrebate, com mais eco, que o chocalho do carro que usava o «Chota diabo».


Naquele tempo, o relaxado não era fino como hoje, ou seja, ele está a relaxar numa esplanada e se não tiver cuidado, o COVID 19 ainda o agarra.


Antigamente, no meu tempo de miúdo, o homem mal punha o pé fora da venda, longo a mulher gritava: Bastião – ela era gaga – e não dizia a palavra de seguida: – Bastião, és um relaaaaxado…


E o Sebastião, também conhecido pelo bom do Sebastião Ratita, que a fazer a barba, dava com cada facada, que até o bigode vinha colado, até aproveitava a barcada para em cada bochecho desinfectar a cara ao cliente.


Pois naquele tempo a palavra relaxado, pelo menos para a malta como eu, que andava na vadiagem a jogar à bola e a partir os vidros e os candeeiros do cine-foz (atenção que o Tolica, partia dois de cada vez), ser relaxado era ser um bêbado.


Até havia termos mais simpáticos, como por exemplo está escarado, que nem te aguentas em pé.


Relaxado era ofensivo, magoava, doía, mas com a bebedeira, a malta nem se ofendia. Aliás, mais fino, era o Zé Aranha, que nem admitia apostas: Ter um copo, era como se lhe «tivesse entrado água na casa da máquina», nem mais, nem menos.


Isto do relaxado, era para gente mais modesta, que se sentava na valeta, e malta gritava: – Eh pá isto é que é uma barcada, que até tens a proa debaixo de água… E quando acontecia com o Rupia, até dançava sem muletas, quando as muletas não andava pelo ar…


O senhor Alen, tinha um irmão, que andava sempre com os copos. Um dia o Senhor Alen completamente desorientado, gritou:

– É pá o vinho devia custar a 100 escudos o litro e o irmão gritou logo. – Não faz mal mano desde que um copo de cinco tostões seja do tamanho do depósito da água…


Pois é, por isso, que sinto, que estamos a enfrentar um ensaio sobre o medo ou somos uns relaxados…

Neto Gomes

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