CULTURA

Remate certeiro: O homem parecia que tinha expulsado um vomito, quando na televisão afirmou que a questão da fome é especulativa

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Afinal a que mudanças nos obrigou a pandemia no nosso dia-a-dia e que mudanças nos nossos comportamentos e acções tendo a solidariedade com razão maior.


Apesar destas dúvidas que nos assaltam, dúvidas cruéis, é inevitável, que ao longo de toda esta avaliação, não faltaram os conselhos, quase jogos de adivinhas, de muitos dos chamados mestres da psicologia, encartados ou não, que diariamente, de laço ou gravata, de calça de ganga, ou saias arrebitadas, de óculos na ponta do nariz, ou de lábios engrossados, que se foram aproveitando das nossas fragilidades e entram pelas nossas casas, com o ar mais sério deste mundo.

Sejamos honestos, com a pandemia nada mudou, e muitas vezes a única coisa que se exigia, é que fossemos sérios, responsáveis, não atirando para cima dos outros todas as responsabilidade, num estranho fingimento, e na matriz marcante, como agora tão selectivamente acontece, que o País é Lisboa e o Vale do Tejo, e as restantes regiões infectados ou não, são uns sítios estranhos, cujos nomes ninguém consegue pronunciar.


Portanto, até nestas coisas da pandemia, nem isto mudou, ou seja, do País todo, só se fala de uma parte. Isto é má informação, isto é uma crueldade, e é por isso, que o Chega se manifesta e enche as nossas praças.

E é por isso, que a Pandemia, tem de ser reflectida, não apenas nos valores económicos, sociais e humanos, mas também no aperto que está a ser feito às nossas liberdades.


Porque se se pode encher uma praça de touros ou termos praias lotadas, sobretudo depois de «fecharem», sem ignorarmos os ecos que nos chegam da Austrália, da USA, do norte da Inglaterra, do Brasil, ou da Catalunha, é preciso fazer opções.


Todavia, a nossa mediação sobre a problemática do vírus, do contágio, ainda deixa muito a desejar, pelo que sentimos que a pandemia, só mudou nas nossas dividas, no nosso desespero, na nossa fragilidade social e humana, na nossa incapacidade de sermos filhos do mesmo pai, isto é, filhos do mesmo país, que trate todos de igual modo.

Existem pais, sem capacidade financeira e daí, com desvios de desorientação, que neste verão e às portas da reabertura das aulas, não sabem o que fazer com os filhos, porque perderam o emprego, porque ganham menos, porque são exploradores por força da pandemia, e o Estado, diz-se e eu acredito, não pode fazer mais, ou para melhor, terá que distribuir melhor o bem e o mal por todos, e acabar com esta violência constante, que é a corrupção, sem culpados, as cambalhotas do Banco Novo, que fica sempre em pé e nós de joelhos com as calças na mão.


Tem coisas na vida de todas nós, que é maravilhoso, ter-se memória, mas nem tudo, o que a se mistura com a seara serve para alimentar o cavalo.

O País, tem ou não condições para reclamar ao mundo, que façam favor de vir a Portugal? Se temos, não devemos frustrar as novas gerações, pelo seu irrequietismo, pela sua vontade de serem felizes, e essas condições permitem, que a nossa vida não seja condicionada, por uma segurança, que tem que ser mais elástica, mais presente, e não se limitar, como se houve por aí dizer, a apanhar os vendedores das bolas de Berlim.


Porque será, que com uns vale tudo, e com outros não vale nada? Por exemplo, no Calçadão em Quarteira, alugam-se agora umas motas eléctricas, que são umas aceleras impressionantes, sem que alguém, grite: alto e para o baile…


E tudo isso, porque em Portugal ficou parada no tempo a educação e formação rodoviária nas escolas. Pronto, a gente engole, vomita, volta a engolir, agora, fazer do calçadão uma pista é de loucos…


Podem alugar as motinhas, mas têm de existir regras, porque não se morre da pandemia, e morre-se com o embate da brutalidade daquelas motinhas. E se uma criança for apanhada no CALÇADÃO por aquela enxurrada, já vamos ser todos capa dos jornais, soltam-se de imediato os inquéritos e uma enxurrada de adivinhas, que já imaginavam que viesse acontecer, mas ninguém fez nada para travar.


Isto quer dizer que nada mudou com a pandemia, e por isso, é preciso criar um clima de confiança, para que todos tenham direito à vida, inclusive os empresários da noite, e esta confiança renasce através da segurança, de regras que permitam, que os jovens, não tenham que fugir para as praias durante a noite, tornando mais perigoso para a saúde pública, esta espécie de jogar às escondidas.


Nada mudou. Nem a honestidade, nem o respeito, por nós próprios, nem pelos outros, e diariamente as palavras que emergem rotuladas de esperança, apelativas de compreensão e de mudança, morrem no dia seguinte, porque são palavras de circunstância. É preciso que sejamos claros.


Ontem era o grito de Sua Santidade – estamos todos metidos no mesmo barco – para no dia seguinte, ainda com o barco em andamento, mas desesperadamente à deriva, o abandonarmos.


Depois, nem mais um tostão, para o Novo Banco, e no dia seguinte, com o Ramalho a rir às gargalhadas de todos nós, e disfarçadamente a tocar viola, numa das escadas de acesso ao metro de Picoas, com ar de mendigo, ver passar mais duas toneladas de notas para um dos andares do prédio, onde diz: Novo Banco.


Muito recentemente, um industrial de hotelaria, daqueles que apelido de fala-barato, radicado no Algarve, falava na televisão, com a baba a cair, dizendo, animalescamente: – A questão da fome é especulativa.


Não, nada mudou com a pandemia, e por vezes, coramos de vergonha, quando escutamos certas intervenções, em que se alimenta a homenagem e o reconhecimento, que depois mais tarde vimos a saber, que eram apenas palavras de ocasião.


Nada mudou. Imagine-se, que o desastre do Alfa Pendular, mal aconteceu, as televisões, até se empurravam umas às outras, já se escutava uma carrada de comentadores/adivinhadores, que já sabiam o que tinha acontecido, abrindo inclusive brechas na investigação, porque nós já sabemos como são estas coisas, que metem dinheiro, seguros e indeminizações. E é nessas ocasiões, apesar de vivermos, ainda vivemos, num país de liberdade, é que se torna viável, as autoridades, mandarem calar esta gente.


Não, a pandemia não mudou nada, apenas para quem morre, até porque, por quase todas as comarcas do país, já se levantam suspeitas, correm processos, alimentam-se sérias duvidas, quanto a uma mão cheia de trafulhas e trafulhices, com máscaras, produtos higiénicos, e outros derivados que num repente, ficaram à mão de semear dos especuladores.


Não, nada mudou com a pandemia, e aqui até recuperamos o que disse em certa ocasião Marcelo Rebelo de Sousa, ao questionar várias vezes se os portugueses estavam conscientes dos efeitos devastadores que está a ter tanto em termos de saúde, como sociais e na economia, alertando para a necessidade de ser dada uma resposta forte à crise atual.

Ana Mendes Godinho, Ministra da Solidariedade, foi bem clara ao afirmar, que o programa
alimentar vai abranger cento e vinte
mil pessoas


Também Tolentino Mendonça, foi bem claro, ao afirmar, que “Precisamos de uma visão mais inclusiva do contributo das várias gerações”, acrescentando ainda o cardeal madeirense assinalou que a “tempestade provocada pela crise sanitária obriga todos, como comunidade, a refletir sobre a situação dos idosos em Portugal e nesta Europa da qual somos parte”.


Para este responsável, os idosos são as “principais vítimas da pandemia”, do ponto de vista da saúde e socialmente, “mais sós, mais pobres, remetidos muitas vezes para precários contextos de institucionalização”.


“Temos de rejeitar firmemente a tese de que uma esperança de vida mais breve determina uma diminuição intrínseco. A vida é um valor sem variações”, acrescentou.


Também o primeiro-ministro anunciou muito recentemente que «não há razão para adiar as medidas previstas para a segunda fase do desconfinamento, garantindo que o SNS tem sido capaz de dar resposta à pandemia de Covid-19 e não só a evolução foi positiva como a capacidade de resposta do SNS continua a dar garantias de que, sem risco para a saúde pública, podemos avançar na nossa estratégia».


Segundo o primeiro-ministro, perante os dados conhecidos sobre a evolução da pandemia da covid-19 em Portugal, o Governo concluiu que “as primeiras medidas de confinamento que tomadas há 15 dias e que entraram em vigor no início deste mês não alteraram a tendência de controlo” da propagação do novo coronavírus.


Assim sendo, e tal como tínhamos dito há 15 dias, perante esta evolução, não há razão que nos leve a adiar ou retroceder ou a adiar qualquer das medidas que tínhamos previstas para entrar em vigor na próxima segunda-feira. Pelo contrário, tal como há 15 dias, nós continuamos a ter um sistema robusto de capacidade de testagem. Somos neste momento na Europa o quarto país com o maior número de testes realizados por um milhão de habitantes”, após a Lituânia, o Chipre e a Dinamarca, declarou António Costa.


Todavia, apesar de tudo quando se diz, quanto se escreve, com maior ou menor responsabilidade, quando se acreditava, que a pandemia viesse mudar alguma coisa, por forma a que ficássemos mais solidários, mais misericordiosos, mais afectivos, mais capazes de esticarmos as mãos e os dedos, para ajudarmos, quem mais precisa, não tememos reafirmar, o nosso grito de revolta, contra o hoteleiro babado, com os dedos entalados no nó da gravata, e a apregoar, com uma cara de enjoado, como se tivesse a expulsar um vomito: que a questão da fome é especulativa.

Neto Gomes

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