CULTURA

Remate certeiro: ODIACHO, oxalá o baile não seja proveta

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Ainda hoje, o povo mais enraizado na beleza dos valores do passado, quando tocam os sinos das igrejas, ainda costuma exclamar para dentro de si: quando os sinos dobram é porque morreu alguém!


Na semana passada ou perto disso, ou se calhar já foi há mais tempo, um baile que teve lugar em Odiacho, isto é, em Odiáxere, sob o simbolismo de uma amizade tão forte, que dos vinte esperados, se alguém não tivesse gritado: alto e pára o baile!… esgotavam três vezes a lotação e iam acabar dançada na EN 125. Mais, estava a ver que os sinos dobravam…


A verdade, é que em certa altura do baile, que num repente se transformou numa espécie de baile de «finalistas da vida», a marcha dos aderentes era tão grande, que alguém chegou ao meio da sala e gritou:

– «Todos os convidados da aniversariante, por favor encostem à direita». Para aquele lado foram como que despachadas mais de 80 pessoas. Depois a mesma voz sentenciou: – «Os convidados do aniversariante para a esquerda».


Como se esperava, para a esquerda se soltaram mais do dobro. No meio da sala e já incluindo, os que estavam na EN125, ficaram cerca de 100 pessoas, incluindo crianças, o que levou a voz do pregador a gritar:

«Por favor, os convidados da aniversariante e do aniversariante, façam o favor de sair da sala, porque esta festa é referente a um baptizado.


E foi assim, após o trabalho, diga-se bem organizado, a quem a Direcção Geral de Saúde agradeceu, que se chegou à conclusão, de quantas pessoas teriam estado no baile que teve lugar no Clube Desportivo Odeáxere (é assim que vem escrito no sitio da AFA, leia-se Associação de Futebol do Algarve), que apesar ter sido fundado, a 17 de Março de 1981, isto é já lá vão 39 anos, só no dia do baile, é que teve a sua noite de glória vivida à escala europeia.


Uma noite de tanta glória, que teve mais impacto, que apresentação do tal segredo mal guardado, ou seja, a informação por parte das mais altas individualidades do Pais e da UEFA, da realização em Lisboa da «Final Eight da Champions», com sete jogos entre 13 e 23 de agosto a decorrer no Estádio da Luz e no Estádio José Alvalade para decidir o campeão europeu de 2020. Aliás, a notícia, até dizia, que era entre um estádio e outro, estava a ver que ia jogar no «Colombo…»


Nenhuma voz, nem a de Marcelo Rebelo de Sousa ou de António Costa, chegaram tão longe, como a do pregador do «baile de finalistas da vida», que teve lugar em Odiacho, isto é, em Odiáxere, apesar da tal espécie de defesa local pela voz do Presidente da ARSA, que não eram assim tantos de Lagos, como se o local do berço onde nasceram ou residiam fosse vital para o inquérito, para a revolta e para a idiotice em que se transformou o salão de festas do CDO.

É proibido jogar futebol na praia. Em cima da esq. para a dir.: Gica, Lito,
Nogueira, Neto Gomes, Pescada e Vasquinho. Em baixo pela mesma ordem: Gemadinha, Vitoriano, António Francisco, Zé Noy e Américo


O povo dita, nós repetimos, e nestes ditos e reditos, a lengalenga nunca surge esclarecida, isto vem a propósito de ODIACHO, de Odiáxere, pois segundo rezam as histórias, que passam de boca em boca, andava Deus a semear os nomes das terras, quando de repente, a poucos quilómetros de Lagos, alguém lhe teriam perguntado:

Mestre, e que nome damos àquele povoado que ficou para trás? Sem pestanejar, o Divino Mestre terá respondido, por imperativo do seu esquecimento:

Odiacho! Diz-se que foi assim que nasceu o nome de Odiáxere, terra bem velhinha, mas que foi sempre considerada importante, porque ali também se vendiam jornais. Aliás, uma forma de classificar a qualidade das aldeias, era precisamente o facto de venderem jornais.


Claro que existem avaliações sérias sobre este assunto, como respigámos no outro dia, em «Universos Assimétricos», no sitio:www.universosassimetricos.blogspot.com, e onde se lê:


«É histórico que a abadessa do convento de Odivelas, madre Paula, era amante de D. João V, de quem teve vários filhos. Tenho ouvido, ao longo dos anos, atribuir a origem do topónimo Odivelas aos ciúmes da mulher de um rei que teria dito ao marido, agastada, «Ide vê-las!»


Sempre achei que esta atribuição toponímica era uma história mal contada, fundada, quase só, numa candura de observação de similitude ortográfica e fónica. Sempre reparei no prefixo «odi» ou «ode» na composição de vários topónimos do sul do país: Odeceixe; Odeleite; Odelouca; Odemira; Odivelas; Odiáxere. »


Claro que sobre o baile de Odiáxere, sem se puxar pela culatra, disparou-se logo, assim a modos, aquilo são coisas de mouros, com multas pesadas e ainda bem, mas não se ouviu o mesmo peso e a mesma medida, para os cenários vividos, em Carcavelos, no Porto ou no Campo das Hortas, em Braga, e calculávamos que seria assim, pelo facto do baile de Odiáxere, ter conseguido ofuscar o mundialmente conhecido evento desportivo, que Lisboa vai receber.


Dizia no outro dia, com toda a razão, um sindicalista da PSP, ou seria da GNR, não interessa: oxalá não façam disso um caso de polícia! Qual polícia?


Nem marítima, nem militar, nem de segurança pública, nem guarda nacional república, nem fuzileiros, como se anunciava. E o pior, é que raro cumprimos os editais, pois se assim tivesse acontecido, não estaríamos agora a encerrar algumas freguesias de Lisboa e o verão algarvio ainda não começou, nem escancararam de par em par, quase até rebentar com as dobradiças, as portas das fronteiras com Espanha, por exemplo, que são vitais para a economia.


Em Quarteira por exemplo, nem a sombra de uma autoridade e seria interessante ao cair da tarde, quando apetece ficar mais um pouco na praia, e os grupos engordam ao som do bater dos dentes…


Até parece um poema «Ao Cair da Tarde»… mas não é, é mesmo ao cair da tarde, que as pessoas se agrupam, e seriam mais ou menos, quatro ou cinco grupos, ou seria seis ou sete, não interesse, lá estava, incluindo crianças. Mas também não interessa, o que interessa, é que não vimos nem GNR, nem Polícia Marítima, nem polícia militar, nem sequer o soldado zero.


Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, mas se fosse assim no tempo de D. Afonso Henriques, ou do Copcon, não interessa, isto malhava mais fino.


Nessa altura, nem os infectados eram tratados como analfabetos, ricos, pobres ou remediados, ou os pais accionistas de todos nós, isto é, do Novo Banco. Ou seriam acionistas do defunto Espírito Santo e Comercial de Lisboa, não interessa.


Mas voltemos à confusão, de que se alimentam os bailes de Odiáxere e os malditos encontros que vão resistindo, para mal dos nossos pecados um pouco por todo o País, alguns até recebem a polícia com ofensas e agressões, e por isso, chamamos ao cepo central deste Remate Certeiro, o que defende a CM de Monchique e a reação da ARSA, ou seja, a Administração Regional de Saúde do Algarve, que em vez de se sentarem à mesa, falam pela televisão.


O que chega à imprensa, e o Jornal do Algarve, via agência Lusa, não perdeu tempo, é que: «A Câmara Municipal de Monchique adquiriu duas máquinas de ozono para purificar o ar como prevenção para a covid-19, mas as autoridades de saúde questionam a eficácia deste método de desinfeção.


Os equipamentos foram adquiridos “como meio complementar de desinfeção” dos meios de transporte camarários e salas da autarquia, e também facultados aos comerciantes e às escolas como “medida adicional ao plano de limpeza e desinfeção” revelou à agência Lusa Ana Silva, do gabinete de veterinária e saúde pública da autarquia.


Segundo aquela responsável, “um ciclo de quatro minutos permite desinfetar uma sala de 20 metros quadrados”, sendo o aparelho colocado a funcionar “sem pessoas no espaço”, com a mais-valia de a máquina ser “autossuficiente”, não havendo a necessidade de “utilizar detergentes nem desinfetantes”.


Estes aparelham funcionam “captando as moléculas de oxigénio do ambiente” e convertendo-as em ozono, um gás “muito instável” que, quando se liga às bactérias e vírus, “os destrói”, libertando o oxigénio de novo à atmosfera, sendo também eficaz para o coronavírus, sublinhou Ana Silva.


No entanto, as autoridades de saúde regionais questionam a eficácia deste método e afirmam não existir evidências científicas que comprovem o seu efeito no combate ao novo coronavírus, que provoca a doença covid-19.


Contactado pela agência Lusa, o presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve (ARS), Paulo Morgado afirmou que “não existe nenhuma evidência científica que comprove a sua eficácia do ponto de vista da covid-19”, e alertou para eventuais problemas em pessoas mais sensíveis à presença de ozono.


Segundo Paulo Morgado, há pessoas “muito sensíveis à presença do ozono”, sentindo “tosse e irritação respiratória” como consequência de elevadas concentrações daquele gás no ar e, por isso, “usá-lo em espaços fechados” sem medir depois a sua concentração no ar “pode eventualmente ser perigoso”.»


Além desta clara falta de entendimento, como se caminhássemos para o caos, acreditamos e o povo tem que ter certezas e confiança, sobre o que defende Monchique e resposta, quando à «existência de alguma evidência cientiíica», como assume a ARSA, que é preciso que a DGS ponha um travão a estas confusões, para que possamos acreditar em alguém.


Não se trata de ozono, antes das nossas vidas, e por isso temos a certeza que é preciso consciencializar e responsabilizar, porque, repetimos, não é um problema de polícia, é um problema mais amplo…


A situação é bastante grave, e não existe grande capacidade de intervenção para as mudanças que se exigem, porque o próprio período de verão que começa agora a existir, o calor de que se faz sentir, a vontade de liberdade, não pode deixar que não se agravem estas situações.


É preciso um acompanhamento constante, em que se ponha em prática, o desenho que vem no mapa, isto é, que as intervenções, as autoridades, não só de saúde, mas de segurança e da própria segurança social, correspondam ao que está em causa.


O Algarve tem determinadas características, que se repercutam ao mais pequeno estalar dos dedos, onde existe, como no resto do país, uma população com condições sociais dramáticas, onde emerge o desemprego, e aqui saúde e segurança social não podem ficar de fora, para que saiba como é que as pessoas estão, se a quarentena por exemplo é boa ou má, é preciso que tenham condições para viver.


Neste momento, existe muita gente a passar fome, sem dinheiro, porque foi todo para o Novo Banco, e muitas vezes nem temos a ideia de quem são essas pessoas, como é que vivem, onde é que vivem…


Quatro meses depois da chegada do Covid19, deste terrível e desconhecido intruso, é verdade que é capaz de já estar tudo pensado, mas a verdade maior, é que ainda temos carradas de dúvidas sobre algumas das questões centrais.


O que se passou em Odiáxere é um sinal do que vai acontecer no Algarve, se de facto, não existir uma intervenção policial mais visível, porque mesmo nas questões de confinamento, é preciso que estas pessoas sejam responsáveis, não sejam idiotas, tenham assistência, emprego, para que assumam também as suas responsabilidade, como cidadãos, mas o estado tem que saber responder a tempo e horas, sem zangas, nem corrida às medalhas, apenas na responsabilidade, e que não seja uma moda, isto é, faz-se hoje, e amanhã depois se vê… é preciso insistir, vigiar, controlar, fazer um trabalho de grande proximidade, reforçando inclusive equipas de cuidados de saúde.


A espécie de confronto, que nem é sadio, entre Monchique e à ARSA, não pode existir e não se revolvem pela televisão em conversas separadas, resolvem-se com a própria soberania do sector da saúde, de uma forma rápida e discreta, para se evitar que a responsabilidade de uns e outros, e com a saúde de todos nós, não se brinca, para que ela não deslize pelas arribas e venha cai no mar.

Neto Gomes

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