Responsáveis da clínica dizem estar a analisar com autoridades causas que levaram à cegueira de doentes

Os responsáveis da clínica do Algarve, onde três doentes ficaram cegos e uma está em risco de cegar depois de uma operação, dizem estar “abalados” com o caso e afirmam que estão a analisar com as autoridades as causas do incidente.

Em comunicado divulgado na página de Internet da clínica, os responsáveis manifestam-se preocupados com a condição dos pacientes e afirmam estar a analisar em conjunto com as autoridades as causas que levaram a que os quatro pacientes contraíssem uma endoftalmite (infeção oftlamológica).

“A cirurgia, que deveria proporcionar boa visão, mas pode eventualmente terminar em fraca visão ou até mesmo cegueira, naturalmente provoca uma forte reação física e psicológica”, referem no comunicado.

Uma fonte ligada ao processo adiantou hoje à Lusa que as autoridades ainda não concluíram a investigação do caso.

Se a investigação conduzir à existência de matéria criminal o processo será encaminhado para o Ministério Público (MP) de Portimão, onde até agora não deu entrada qualquer expediente relativo ao caso, acrescentou fonte judicial.

O médico holandês que operou as quatro pessoas foi ouvido domingo à tarde no Algarve numa inquirição que se estendeu por mais de seis horas, tendo-se mostrado muito colaborante com a investigação em curso.

O médico é também o diretor clínico da I Q-Med, cuja actividade foi suspensa após as operações mal sucedidas, realizadas a 20 de julho, tendo na altura sido afixado à porta da clínica a informação de que a mesma estava encerrada para obras de remodelação.

Na página de Internet da clínica pode ler-se que o início das obras ficou planeado para o dia 24 de julho devido ao “menor volume de utentes e férias de pessoal”.

A clínica aproveita ainda para apresentar o historial da sua constituição, desde fevereiro de 2003, enumerando as datas dos pedidos de licenciamento às autoridades do setor e dos protocolos e contratos celebrados.

Das quatro pessoas operadas, internadas no Hospital dos Capuchos (Lisboa), três idosos, que foram sujeitos a cirurgia de cataratas a um único olho, estão irremediavelmente cegos desse olho.

A mulher de 35 anos, Valdeleine, que foi internada depois de uma cirurgia para a colocação de lentes intraoculares nos dois olhos mantém um prognóstico muito reservado.

Contactada pela agência Lusa, Josiane Soares, amiga da doente de 35 anos, disse que Valdleine apresenta algumas melhorias porque “já não tem tantas dores”, mas sublinhou não haver perspetivas quanto ao futuro, nomeadamente em relação ao prognóstico clínico.

Josiane Soares disse ainda que a família da doente está neste momento a analisar se vai ou não avançar com um processo contra a clínica e contra o médico que operou Valdleine, mas ainda não tomou nenhuma decisão.

A Lusa contactou hoje o Centro Hospitalar de Lisboa Central, que remeteu mais esclarecimentos sobre o estado de saúde dos doentes para o “final da semana”.

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