Rui André defende intervenção da UE na situação de seca no Algarve

O presidente da Câmara Municipal de Monchique, Rui André, participa esta quinta-feira, dia 21 de novembro, em Bruxelas, enquanto membro do Comité Europeu das Regiões, na Comissão do Ambiente, Alterações Climáticas e Energia, onde se discute a implementação de um Pacto Ecológico Europeu em parceria com os órgãos do poder local e regional.

Para Rui André, “a situação no Algarve é mesmo a mais preocupante dos últimos anos e, tal como o problema não é circunstancial, também a resposta e as medidas a adotar terão que ser estruturais e com a certeza de que situações semelhantes se podem repetir com mais frequência no futuro”.

O autarca algarvio defende, por isso, “a criação de um plano de contingência para fazer face a esta situação de seca e a necessidade de implementação de algumas medidas de emergência, com destaque para a criação de uma central de dessalinização da água do mar, através do processo de ‘osmose inversa’, tal como sucede na vizinha região espanhola da Andaluzia, ou em Porto Santo, na Madeira, a única em território português”.

“Fenómenos de seca extrema cada vez mais frequentes e a contínua desertificação do país continuarão a potenciar a perda de biodiversidade e o desaparecimento de algumas espécies, o que torna esta questão um problema global no âmbito das alterações climáticas em curso”, frisou Rui André.

O presidente da Câmara de Monchique defendeu por isso nesta comissão, onde esteve presente o co-presidente do Painel Internacional de Recursos das Nações Unidas, Janez Potocnik, que “a sustentabilidade das regiões europeias e o grande objetivo da neutralidade carbónica obrigam também a uma alteração das políticas públicas europeias sobre o uso dos solos, privilegiando as florestas e os seus múltiplos usos e habitats”. “O necessário repovoamento das zonas rurais precisa de claras e objetivas políticas e apoios comunitários sob pena de se perder o equilíbrio fundamental para que, a também cada vez mais evidente desertificação física do território, se possa combater com a presença humana, associada aos seus hábitos e ações, com destaque para a agricultura e a consequente presença de animais que desempenham aqui um papel fundamental. O espaço florestal, rural e a presença humana constituem um valioso tríptico necessário à prossecução dos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas e as mudanças necessárias implicam também o apoio europeu a pequenos projetos, a nível municipal e infra-municipal que podem fazer a diferença na resiliência e sustentabilidade do território nacional e destas comunidades em particular”, concluiu.

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