REPORTAGEM

Sagres recebe Festival de Observação de Aves

De pássaros a cobras e de libelinhas a morcegos, neste evento basta pegar em binóculos para ver, bem de perto, espécies com quem partilhamos o mundo e até registar o momento com uma máquina fotográfica. É um dos maiores eventos de natureza e de birdwatching a nível nacional e regressa a Sagres entre os dias 2 e 5 de outubro (sexta a segunda feira), em formato presencial, com diversas atividades e online através de webinars que vão decorrer na plataforma Zoom

O festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza de Sagres, de volta com a sua 11.ª edição, decorre anualmente nesta altura “porque tem a ver também com a questão da migração das aves, que é a base deste evento”, revelou a vereadora da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Rute Silva, ao JA.


O concelho de Vila do Bispo é uma das rotas migratórias de várias espécies de aves que anualmente, no final da época do verão, abandonam o continente europeu com destino a África.


Este ano, a programação conta com saídas de campo, passeios de barco, minicursos temáticos, palestras, ateliers de educação ambiental, sessões de anilhagem e de monitorização, caminhadas, cursos de fotografia, visitas guiadas históricas e observação de golfinhos.


Para Rute, um dos destaques deste ano é a atividade “As Mulheres a Mudar o Mundo”, um webinar que decorre todos os dias, entre as 21h00 e as 22h00, “com a presença de quatro mulheres que se distinguiram com excelência ao longo dos últimos anos” e que pode ser assistido online através da plataforma Zoom, após inscrição.

O festival recebe público dos cinco continentes

Centenas de espécies para ver

O festival vai decorrer também ao ar livre, na zona do Cabo de São Vicente e da Cabranosa e, para além da observação de aves, os participantes poderão contar com atividades ambientais e ver de perto outras espécies de animais como libelinhas, borboletas e morcegos e até de plantas.


Alma-de-mestre, pardela-balear, águias e abutres são algumas das espécies de aves que poderão ser observadas durante o festival e prometem surpreender os participantes que vão ter os olhos postos no céu.


Já no mar, será possível observar golfinhos, baleias, orcas, tartarugas, tubarões e peixes-lua durante passeios de barco na Costa Vicentina.


O “cabeça de cartaz” deste ano é a alvéola-amarela, uma pequena ave que visita a zona de Sagres em maior número no final do verão e início do outono, que está em destaque na campanha promocional do evento deste fim-de-semana.

Alvéolo-amarela


Esta espécie é conhecida pelo seu peito e ventre amarelo-vivos e o dorso amarelado que saltam à vista quando voa, pousa nas vedações e ramos ou anda no chão, abanando a cauda comprida para cima e para baixo.


A geologia é outra das áreas abrangidas por este festival, que vai dar a oportunidade aos seus participantes de ver pegadas de dinossauro na praia da Salema e na praia Santa, além de recifes de coral fossilizados no pontal da Carrapateira e na praia da Mareta e vestígios do tsunami de 1755 na Boca do Rio, na praia dos Salgados.


A programação encontra-se disponível online em www.birdwatchingsagres.com e as inscrições para as atividades e webinars encontram-se abertas desde julho, com algumas delas já esgotadas, em português e inglês.


O evento tem início pela manhã e termina à noite, com propostas noturnas como saídas fotográficas e audição de morcegos, proporcionando sempre momentos diversificados e originais aos participantes.


No website do festival, os interessados podem visitar uma exposição digital de fotografias, intitulada “Mar de Sagres”, da autora Carla Cruz, que se dedica à fotografia de natureza e vida selvagem.


No ano passado, os participantes tiveram a oportunidade de observar cerca de 126 espécies diferentes e duas aves raras.


O evento conta com um grupo de parceiros locais e alguns estabelecimentos comerciais e “quem faz parte deste festival terá descontos”, revelou a vereadora ao JA.


“A ideia é, também, envolver muito a comunidade e a questão turística, permitindo que durante o festival as pessoas conheçam também o território”, afirmou, contribuindo assim para o turismo do concelho.

Vertente solidária

A organização quer, este ano, ajudar as famílias do concelho de Vila do Bispo que foram afetadas pelas consequências sociais e económicas da pandemia de covid-19 e pelos incêndios que deflagraram no concelho este verão.


Está prevista uma ação solidária, com a entrega de alimentos por parte dos participantes no secretariado do festival no Forte do Beliche, durante os dias do evento.


Enlatados, massas, arroz, conservas, sumos, leite, azeite, óleo, vinagre, cereais, papas, bolachas, detergentes, gel de duche, champô, farinha e açúcar são alguns dos produtos solicitados.

Reconhecimento internacional

Nas edições anteriores, o festival chegou a ter a participação de pessoas de 36 nacionalidades diferentes e dos cinco continentes, mas prevê-se uma pequena diminuição este ano devido à pandemia.


“Há pessoas que vêm de propósito. Este ano, apesar dos corredores aéreos com o Reino Unido estarem fechados, o mercado inglês tem um grande destaque nesta área”, referiu Rute ao JA.


Para contornar esta situação e a pandemia, a edição deste ano do festival conta com várias atividades online como webinars que já começaram na semana passada e com algumas sessões esgotadas, “uma forma que se conseguiu para chegar ao nosso público estrangeiro” que este ano poderá não vir devido à pandemia de covid-19.


Este ano há novas regras no regulamento do festival, que inclui as normas da Direção-Geral de Saúde (DGS) relativas à pandemia, como a obrigatoriedade do uso de máscara, o cumprimento do distanciamento social e a higienização e desinfeção das mãos com álcool gel, que será distribuído pelos participantes.


O festival é promovido pela Câmara Municipal de Vila do Bispo, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e a associação Almargem.


O município venceu o “Prémio Município do Ano” em 2015 com este festival, distinguido em duas categorias: o primeiro prémio a nível nacional e a distinção a nível regional.

Gonçalo Dourado

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