OPINIÃO

SMS: A fraca qualidade da Informação que temos

CARLOS Albino
OPINIÃO | CARLOS ALBINO

O título deste apontamentozito ficaria muito comprido mas deveria ser assim: “A fraca qualidade da Informação, do Entretenimento e da Programação mediática que temos em Portugal”. Quanto à Informação, é de aldeia, sem visão larga, baratinha, confinada, reles. Quanto ao Entretenimento, a ausência de ética, de saber, de elevação, uma coisa própria de tasca medieval na pior baixeza. E quanto à Programação, a obediência cega a chefes desconhecidos, a interesses ocultos, e a negócios por baixo da mesa. E quanto à atividade noticiosa, estamos conversados – anda à pesca como se a notícia fosse peixe velho vendido como se fosse fresco. Se outrora, tudo isso começava na rádio e nos jornais, agora, com o colapso dos jornais, começa na televisão – as televisões marcam o tom, impõem-se como modelo.

O jornalismo já não é género de comunicação, é uma feira de amostras sem valor em que o penteado vale mais que o cérebro e em que a mão a apanhar moscas vale mais que a palavra arrastando um pensamento. Quando a exigência se torna imperiosa para espetáculo, pouco mais, o copianço apressado e a leitura submergida pela vaidade com rapidez, enche o tempo. E assim vemos e ouvimos entrevistas que deviam acontecer em Informação como género nobre do Jornalismo e executado por jornalistas, mas que ocorrem no Entretimento executado por “famosos” livres da obediência a regras deontológicas. Um ex-aprendiz de receitas culinárias pode assim surgir a dar lições a nobel de medicina e uma horoscopeira que não passa disso, pode falar de cátedra hoje sobre algo no âmbito do código penal, a seguir sobre matéria que divide o Tribunal Constitucional, e amanhã sobre paleontologia dispensando os conhecimentos do professor Galopim de Carvalho.

Se sabemos algo do mundo, é porque se consegue comprar no mercado noticioso algumas peças baratinhas, ou então com recurso a “correspondentes” com ares e voz de Espírito Santo perante os pobres e ignorantes lusitanos que os ouvem, A Informação em Portugal está confinada, não sai de casa, e se dá um salto à rua é negacionista pelo que anda sem máscara espalhando o vírus.

Se tudo isto no País ou a nível do País é grave, no caso particular do Algarve é muito pior. Os algarvios podem ser uns ases no combate ás alterações climáticas, mas no combate às alterações informativas estão à beira de serem vítimas do ar irrespirável, até pelo monóxido de carbono despejado para a sua atmosfera pelas centrais e lóbis que dominam a Informação (Televisão, Imprensa e Rádio) que deviam e ter e não têm, e que dominam o Entretenimento e a Programação mediática que brinca ao Portugal dos Pequeninos.

Flagrante paráfrase: Fica tudo na mesma etc. e tal, à exceção dos que julgam que vão salvar o mundo que tudo fizeram para afundar.

Carlos Albino

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