OPINIÃO

SMS: Abstenção, sinal de alerta

política
OPINIÃO | CARLOS ALBINO

Numas eleições antecedidas, aqui e ali, por insultos pessoais sem fundalhos de política e por propagandas a roçar o pior que o provincianismo possa ter, e já em período de propaganda legal eleições marcadas por ausência de ideias, projetos e propostas galvanizadoras do interesse geral, o que se poderia esperar se não a subida dos números da abstenção? Além disso, a falta de conhecimento do que esteve em causa. Votou-se para as câmaras e para as juntas sem que uma boa parte dos eleitores soubesse deveras o que é uma câmara e uma junta – votou-se num nome, o do candidato a presidente, vindo o resto tudo atrás. Votou-se para as assembleias municipais e para as de freguesia, sem que seguramente a maioria dos eleitores soubesse ou quisesse saber o que é, para que serve e como funciona uma assembleia dessas. E os que votaram, ainda assim, votaram dissimulando na entrega do voto o seu desconhecimento parcial ou total do que estava em causa. E numas eleições em que o leque partidário se mostrou desta vez ampliado com barracas de tiro ao alvo para todos os gostos, a abstenção apenas significa o pior do provincianismo – desconhecimento, ignorância, alheamento deliberado, ou o mais profundo egoísmo, individualismo, egocentrismo, ou nisto tudo o partido do Eu.

Foi uma abstenção em percentagem que não vale a pena ocultar com perdas para todos – eleitos e eleitores, ganhadores e perdedores, com partido assumido, sem partido, independentes com ou sem trela, caçadores ou mentirosos. Todos perderam, podendo-se encontrar várias explicações para esta derrota que em nada interessa para a ilustração das vitórias, sejam estas locais ou filtradas para o patamar de nacional,

Para abreviar, vamos por números para que, quanto a esta abstenção, nos possamos alongar em separado em apontamentos futuros.

1 – As televisões, a começar pela televisão paga através das faturas de eletricidade. Foi uma desgraça da independência que exige a um “serviço público”, acompanhada por mais quatro ou cinco desgraças de dependências.

2 – Os génios da opinião saída da egolatria, do egotismo, do pedantismo e da presunção que fazem o apogeu do autoconvencimento de genialidade nas redes sociais

3 – A crença exacerbada no on line, onde por um pequeno favor recebido se chega até à China, ou tendo que ficar apenas na Tailândia sem combustível para regressar ao Caldeirão.

4 – O facto de a Imprensa algarvia estar reduzida aos dedos de uma só mão, e mesmo assim com dedos parcialmente amputados, em contraciclo com as restantes regiões do País.

Até à próxima.

Flagrante omissão: O Algarve, cada vez mais, feito em adorno dispensável do que sai da capital.

Carlos Albino

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