SMS: Ão! Ão, ão!!! E mais ão! Grr… Para além dos miaus.

O estado atual da democracia começa a ter piada, muita piada, termo que, nem a propósito, designa originariamente o pio das aves. Mas também se aceita que designe a quantidade de azeitona que entra de cada vez no pio do lagar. Aves ou azeite, tanto faz, interessando mais, para efeitos políticos e ilações partidárias, os sentidos figurados da palavra mais correntes – piada igual a graça ou engraçado, e a chalaça; um dito supostamente cómico que arrasta ou sugere uma censura a alguém; ou então um designativo de pessoa considerada ridícula e desfasada da realidade. Tanto faz.

Há por aí um grupo informal de amigos de clínicas veterinárias e lojas petshop que, muito a sério, começou a ter piada, quer no sentido original do termo quer em sentido figurado. A piada mais recente consistiu na proposta da criação no próximo governo, das funções de Secretário de Estado dos Animais, ou para melhor de engolir a ação, Secretário de Estado de Bem-estar e Proteção Animal, e, para que não se diga que tal proposta, assim isolada, não é humana, também uma Secretaria de Estado para a Terceira Idade. Fica tudo mais equilibrado para os humanos que não saibam distinguir a visão horizontal da visão vertical das coisas de Estado.

Com piada atrás de piada, foi do novo e engraçado petshop da política portuguesa, que partiu o maior número de iniciativas legislativas no parlamento, segundo quem já as contou – um só deputado, garante-se, esticou na sua gaiola o dedo para cerca de 316 objetivos de lei ou de resolução além de 1.281 perguntas e requerimentos ao Governo, mais, mas muito mais do que a soma dos grãos de milho painço lançado pelos deputados da maior gaiola da gerigonça (257 iniciativas legislativas).

Algumas de tais iniciativas, revelaram-se à evidência como prioritárias para a vida nacional. Por exemplo, com tão poucos lobos na vida pública, então não há que proteger o lobo-ibérico, garantindo-lhe alimento no bico das serras e no fundo dos vales? E com tão baixa facturação nas lojas de animais, não há que promover a alimentação de colónias de gatos na via pública, garantindo-se para tal verbas municipais? E quanto ao abate de cães vadios, os resultados estão à vista… E ainda como se não bastassem os problemas do serviço nacional de saúde dos humanos, então não há que criar um serviço nacional de saúde animal? Por aí adiante.

Faltaram, no entanto, algumas iniciativas que o País acolheria com enormíssimo entusiasmo. Por exemplo, além da criação de uma internet dos animais, a proposta de um acordo ortográfico canino já que são cada vez mais os cães que escrevem Ão-ão com as patas e com H.

Flagrante incompetência: Por aí se saudaram os festivais como uma aposta forte do governo na cultura. Nada temos contra os festivais, desde que neles se gaste com adequação, visão e garantia de retorno. Mas que noção de cultura tem essa gente que saúda a despropósito?

Carlos Albino

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