SMS: Como que a servir de bombo da festa

Não se percebe que interesses poderão estar atrás do que parece ser uma manipulação até da informação meteorológica diretamente relacionada com o Algarve. Por vezes atinge as raias do ridículo. Pelo que já fácil comprovar, cada vez mais gente aguarda o que a televisão espanhola possa antever sobre o que se vai passar nos céus mais próximos do País, para se ter previsão mais aproximada sobre o que se espera por c em matéria de ventos, nuvens, chuvas, mais ou menos calores. No caso do Algarve, o que se diga sobre a Andaluzia e mais rigorosamente sobre Huelva, é válido para cá do Guadiana. Pelo que as televisões portuguesas anunciam, se chove no Norte do País, logo chove em todo o País, mesmo que no Algarve o céu esteja mais azul que a camisa de um clube de futebol e o calor seja de rachar. O erro parece ser calculado, tratando-se mais de um erro de precisão do que de um erro de previsão. Aliás, o Algarve nesse recitário cada vez existe menos, substituído por um Sul genérico, apenas ainda não se deixou sugerido que Monchique fica a norte de Évora, embora quase se garanta já que qualquer praia fluvial do norte ou do centro tem mais iodo que as praias de mar cuja indústria turística parece concitar o desprezo do estrelato das televisões, a não ser que recebam umas avenças municipais para fins específicos.

É óbvio que a pobreza geral da informação meteorológica portuguesa não se resume à secundarização do Algarve num assunto que lhe importa sobremaneira em cinco, seis meses do ano, por se relacionar direta e utilmente com a por ora a principal indústria regional. Tal pobreza é de todos os dias, não se saindo do anúncio ora de “bom tempo”, ora de “mau tempo”, em função do ser citadino que conduz a emissão, insensível a que o seu “bom tempo” é péssimo para muita gente e que o seu “mau tempo” é desejado.

Como se não bastasse o Aeroporto de Faro (ANA/Vinci) aconselhar ostensiva ou indirectamente que o Algarve é um destino errado ou evitável quanto a Turismo, vem desde há muito e até agora a meteorologia oficiosa corroborar que é um risco ou mesmo um erro rumar para baixo do Espinhaço de Cão, Monchique e Caldeirão. Não se diz isso de forma expressa, mas o que se pretende ainda por aí. Exemplo acabado de coisa muito feia e próxima da manipulação meteorológica é o que se ouve pouco antes, durante e depois dos escassos três dias de carnaval. Ninguém passou procuração, mas o Algarve a servir como que bombo da festa, e entregue a uns básicos que São Pedro colocou nos telejornais, isso não.

Flagrante pereira: Podia-se ler num enorme cartaz de estrada, plantado em pleno Algarve pelo chamado Turismo de Portugal, que a Região Oeste é “Um País dentro do País”, sem se explicar se a saída do Algarve equivalia a entrar em algum outro país… Se no Oeste que tem peras, tiver sido colocado um cartaz equivalente, à saída ou à entrada, tanto faz, que dissesse “Algarve, uma região e peras”, ficaria tudo pago.

Carlos Albino

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