OPINIÃO

SMS: Digam-nos alguma coisa, por favor

OPINIÃO | CARLOS ALBINO

Sim, todos sabemos que antes eram as vozes altas entre os partidos que sustentam a maioria no Parlamento e tudo isso dá que pensar, já que há os que tomam a desinteligência como uma peça de teatro, mas há outros que tomam essas vozes a sério e elas podem mostrar uma fissura a abrir-se, o que por enquanto não interessa a ninguém. Essas vozes têm sido tão altas que só não afogam o Mundial de Futebol e as crianças tailandesas presas nas cavernas. De resto, são o nosso assunto do dia.
Todos sabemos também que, precisamente, o Mundial que levámos a peito nos tomou tempo e esperança, e ficámos desiludidos com aquele Portugal-Uruguai que merecíamos ter ganhado, mas a bola é redonda como a fortuna e rolou para o outro lado. Claro que nos tomou tempo e energia. Não ficou lugar para mais nada.
Todos sabemos também que nos últimos dias ficámos suspensos das operações de resgate dos quinze jovens e seu treinador, que felizmente já saíram das grutas e os sete biliões de habitantes da Terra comoveram-se como não poderia deixar de ser. E assim, também não ficámos com tempo para pensar no que acontece entre nós, neste momento, muito menos para pensar no que pode e deve acontecer entre nós, daqui por uns anos.

Mas agora, destes três temas que movem as nossas almas, já só a primeira mexe. Deixem mexer. O que for soará. O que poderá acontecer, quanto muito, serão umas urnas de voto mais cedo no nosso caminho. Já o mesmo não se pode dizer sobre outros assuntos pendentes. Por exemplo, entre nós, o que é feito da candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura? O assunto já morreu? Évora foi tão explícita que Faro enrolou as vestes e desistiu? Faro ainda não desistiu, mas adiou para as calendas gregas mover-se dois centímetros, como a tartaruga de Aquiles, segundo Zenão de Eleia? Faro procura uma equipa e ainda não encontrou? Desistiu de consultar os parceiros no terreno? Já tem uma proposta consolidada mas conta apresentá-la na rentrée, com alguma pompa e circunstância, para nos manter vivos e crentes? No meio de tanto silêncio, por favor, precisamos de uma palavra. Uma palavrinha que seja sobre o assunto. Merecíamos. Agora que o Mundial arrefeceu, as grutas da montanha tailandesa ficaram entregues à sua ameaça escondida, e as vozes dos parceiros da coligação entretêm as contas da mercearia pública, falem-nos antes que o Verão abrase. Por favor, que Faro fale, democraticamente, que diga qualquer coisinha. Democraticamente, também, agradecíamos.

Flagrante vitória: Como se fosse um grande e exclusivo ganho para o País, televisões e jornais apregoaram que os hotéis de Lisboa, pela primeira vez ultrapassaram os do Algarve, não se percebendo muito bem se apenas em número de turistas/ou também em receitas. Se tivesse sido o contrário – o Algarve a ultrapassar Lisboa, como pelos vistos acontecia sem ninguém se aperceber – então, sim, teríamos terramoto…

Carlos Albino

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