SMS: É claro que os tempos mudaram e muito

Carlos Albino

Sobre questões fundamentais do Algarve e para o Algarve, há por aí gente que decide ou se pronuncia como se a região não tivesse sofrido profundas alterações em muitas perspectivas e como cidades, vilas e aldeias tivessem parado nos tempos. Para uns, parado há dez anos, para outros há vinte, e para quem de nada se lembra e apenas de si próprio de tudo se recorda, parado há trinta, quarenta anos. O bairrismo no mau sentido da palavra, leva tal gente a fechar ou confinar o Algarve ao horizonte da aldeia que há muito é vila, da vila que se fez cidade e da cidade que faz paredes-meias com uma, duas outras cidades. E, se calhar, até vêem o Algarve ainda mais confinado do que isso, reduzindo-o ao tamanho do seu quintal fechado por muros justificados para o cão não saltar. Com esses tais é inútil debater questões como a da saúde, do ensino, da cultura, da habitação, da mobilidade, etc.. E mais inútil será trocar argumentos acerca da demografia ou mesmo da expressão eleitoral do Algarve, coisas que tanto podem explicar tudo como não esclarecerem absolutamente nada. Quer se trate do miserabilíssimo Algarve ou da Sereníssima República de San Marino que tem 32.538 habitantes em 61 km², cabendo portanto em Messines.

Além disso, Faro dista de Olhão mais ou menos o mesmo o que, em Lisboa, vai do Campo Pequeno aos Restauradores, com casas coladas a casas. E se imaginarmos Loulé num extremo da Ponte Vasco da Gama, chega-se a Faro no outro extremo sem a água do Mar da Palha à esquerda e à direita, mas como casas e estabelecimentos comerciais e de serviços uns colados aos outros com pequenos intervalos que pouco custará para serem preenchidos. Mais, a extensa malha urbana surgida desde Almancil até Quarteira incluindo algumas das maiores urbanizações turísticas do País (Vilamoura, Vale do Lobo e Quinta do Lago, entre outras), confere à área central do Algarve as características de verdadeira área metropolitana que, como tal, deve ser pensada e não na perspectiva das antigas vilas que eram aldeias ou das aldeias que eram apenas cidades em uma ou duas das suas ruas por onde passavam as procissões a começar do largo. Tudo mudou e apenas por mau perder ou para se ganhar mal, é que se apela a pensar o Algarve como se este não tivesse mudado. Mudou e muito. Para os lados de Portimão/Lagoa e Lagos, semelhante reflexão igualmente caberia e para os lados de Tavira, idem aspas.

O Algarve deixou já de ser propriedade de qualquer aldeia e a ideia de servir o Algarve e os algarvios apenas tem pernas para andar e até ser ideia credível se impor planeamento por critérios de área metropolitana. Planeamento que já vem tardio e mesmo assim incompleto. Mas há aldeias que teimam em considerar o Algarve como coisa exclusivamente sua e que cabe na sua algibeira.

Isto é mau. Muito mau e mesquinho.

Flagrante grupo de pressão: O que por aí se nota e na área da saúde.

Carlos Albino

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