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OPINIÃO

SMS: Estamos no reino da violência verbal

OPINIÃO | CARLOS ALBINO

E eis que chega o que tanto se temia – A violência verbal atingiu aquele ponto em que as palavras começam a não bastar para exprimir sentimentos, depois de já não se ter sido capaz de limitar a contenda a nível dos argumentos. Eis que recuamos, dia após dia, jornal, após jornal, telejornal a telejornal, ao nível do pugilado verbal que antecede o pugilato da ação. Se melhor exemplo não houver, pense-se naquele participante no 6 de janeiro, no assalto ao Capitólio, em Washington, que em tribunal disse que tinha agido assim porque julgava que era assim que deveria agir, depois de ouvir durante vários meses a Fox News. Hoje, infelizmente, entre nós, cada publicação dá voz a opinadores que esgotam ameaças como se tivessem aprendido nos corredores dessa estação de televisão do mundo mais avançado do mundo, que afinal, tem dentro de si, o mundo mais recuado do mundo – os Estados Unidos da América. Nesse país, acontece o melhor do mundo, e acontece o pior do mundo. Nós, que não somos capazes de imitar o que de melhor por lá se faz, somos rápidos a imitar o que de pior lá acontece. Os últimos dias, perante a enigmática e ainda por explicar o que aconteceu com os ativistas russos, de súbito, o mundo da irracionalidades subiu de tom a um ponto que só falta sair-se para a rua com uma corda e uma força, e assaltar a Câmara de Lisboa para se imitar os espectadores da Fox News.

Naturalmente que tudo isto tem uma leitura – Estamos em vésperas de eleições. Não se pense, pois, que o Algarve, onde as pessoas são pacíficas e pacientes, que fica à margem desta onda de violência verbal, antecâmara da violência física. De modo nenhum. Preparem-se – Em breve vai confundir-se o que são faltas e insuficiências e até gestões deficientes, com crimes. A descrição dos programas e das promessas que devem orientar o debate político pode vir a confundir-se com mentira e insulto. E o debate, que sempre deveria haver, em todos os municípios, sobre o futuro, pode vir a ser substituído por publicidade enganosa, mentiras que não se consegue desmontar, insinuações sobre os perfis pessoais que desonram. E isto, de lado a lado, tanto da parte dos governos autárquicos quanto da parte das oposições.

Que se evite, que se recue. Ninguém ganhará com violência verbal à Fox News que vai desembocar em assaltos a instituições, nem com a violência verbal que a propósito de Fernando Medina se está a incendiar o país. Que ninguém esfregue as mãos de contente. Ao dobrar da esquina, alguém, em vez de vos saudar, poderá dar-vos uma estalada na cara como fizeram há duas semanas atrás ao Presidente Emmanuel Macron.

Flagrante razão: Tinham outrora os de Monchique: “Adeus Algarve que vou para Faro!” .

Carlos Albino

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