SMS: Façamos as contas bem-feitas

Carlos Albino

Desde que a gente existe neste espaço insignificante, a seguir a cada eleição temos feito as contas. Não fugimos à regra. E desta vez tem importância relativa refletir sobre quem ganhou, quem perdeu, quem subiu, quem desceu ou quem ficou na mesma como a lesma. Festas ou derrotas ficam, cada qual, para os directórios regionais de cada partido e para simpatizantes, dos inflamados aos calmos. Com importância indesmentível fica a abstenção, o que significa, o que indicia, o que avisa. Não vale a pena cada qual lastimar esse facto ou mesmo assumir responsabilidades por essa mazela e depois continuar a “fazer política”, como se nada tivesse acontecido.

Pelos números, o Algarve registou este ano maior abstenção que em 2014, em eleições análogas. Com um número de inscritos (380.546) relativamente maior que em 2014 (272.673), os votantes do domingo passado representaram 26,92 por cento do total, enquanto em 2014 tal percentagem ficou-se nos 28,55 por cento. Os votos em branco e os nulos mantiveram-se praticamente em valores idênticos (entre os quatro e picos) e os brancos, mais coisa menos coisa nos três por cento. O número de abstencionistas é que engordou, e bem. Em matéria de abstenção, uma descida é sempre motivo de regozijo, uma subida, por pequena que seja, é uma desgraça. Foi o que aconteceu. E porquê?

Para se explicar a abstenção algarvia, das mais altas no País, há muitas conjecturas. Mas nenhuma delas foge de um facto incontroverso – não votou, quem não quis ou quem não pôde. À cabeça, quem não quis, para encurtar conversa desnecessária. Além disso, aos abstencionistas que mostram a cara, haverá que juntar o número incerto mas que deve ser volumoso, dos que residindo no Algarve há anos e anos, não se inscreveram nos cadernos eleitorais, nem sequer actualizaram o cartão de cidadão. Aqui vivem como que nas nuvens que estão fora da sua conveniência, mas que, sobretudo quadros, influenciam o voto alheio, a começar nas conversas de café.

Nestas circunstâncias, não cantaria vitória, nem choraria derrota e muito menos atiraria foguetes para reforçar por conveniência alguma festa. Uma percentagem de votantes de 26,92 por cento, é razão mais do que suficiente para soarem as sirenes de alerta. Alguma coisa está mal, alguma funciona mediocremente.

E porquê as sirenes? Porque a abstenção inexplicada ou inexplicável, pode ser muito amiga de uma maioria ganhadora e até lenitivo para uma minoria perdedora, mas será sempre uma amiga traiçoeira ou um lenitivo que esconde veneno.

Gostaria que a abstenção algarvia não fosse traiçoeira para uns e veneno para outros. Mas, não tanto o perigo, mas o aviso está à vista e entra pelos olhos.

Flagrante inverso: Na semana passada, aqui se escreveu “o Algarve ausente da Europa”. E assim se verifica o inverso: “a Europa ausente do Algarve”. Em matéria de eurodeputados, claro.

Carlos Albino

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