SMS: Lideranças do Algarve? Deixem-nos rir

Carlos Albino

Em Lisboa os responsáveis políticos falam da fragilidade das lideranças algarvias, da falta de massa crítica, da morbidez de reacção das populações. Assim justificam, umas vezes pela calada, outras em voz alta, o facto de a A2 ter chegado ao Algarve depois de as auto-estradas terem cruzado todos os outros cus de Judas de Portugal. O cu de Judas do Algarve ficou para o fim. Assim se justifica que o Hospital Central do Algarve seja uma miragem em papéis escondidos nos fundos das gavetas. Assim se justifica que os responsáveis políticos só apareçam por aqui quando na agenda sobeja um buraquinho de ano a ano, ou vão a caminho de Badajoz, ou precisam de bronzeamento. Assim se justifica que os projectos de Cultura se tenham esvaído sob os projectos da diversão para turista se divertir enquanto prova sardinhas, confundindo-se cultura com animação. Assim se justifica que os médicos não queiram descer até à região se não for para trabalhar no privado, assim se justifica que os intelectuais, cientistas e escritores raramente tenham agenda disponível para participarem nos encontros da região, com exceção para os artistas das tournées. Assim se justifica que as televisões, designadamente a pública, apenas liguem o Algarve ao País por crime que provoque emoções fortes no Porto, por vaca desembolada ou por incêndio espectacular. Isto é, aqui tudo pode esmorecer. Sabem que, ressentidos que estamos, não há reacção de volta. Ou então, em vez de ressentidos, neutralizados.

Mas os mesmos dirigentes políticos que dizem que a debilidade chama a debilidade, quando surge a oportunidade de passar os cargos para as mãos dos locais que amam a sua terra e deram provas de que assim é, escolhem figuras secundárias, vindas de qualquer parte do país menos do Algarve, que longe daqui nem chegariam a encarregados de limpeza da Caixa Geral de Depósitos, para poderem facilmente manipular e tornar esses cargos irrelevantes, submissos e sem voz activa para defender projectos condignos. Preferem assim, dominam a partir do centro, investindo na modorra dos cargos. Parabéns pelas escolhas. Ano após ano, década após década, ficamos servidos.

Se a aposta fosse em figuras fortes, com projectos consolidados e vozes autónomas, viessem elas de onde viessem, tudo ficaria bem. Não se defende que as pessoas fiquem aprisionadas num lugar, nem que se seja xenófobo entre regiões. Era o que faltava, o Algarve, histórica e culturalmente não é isso, é uma terra aberta, miscigenada, aceita quem se ofereça e oferece a quem se irmane – Joaquim Manuel Magalhães veio do Porto, Guilherme de Oliveira Martins, de Lisboa, Dom Manuel Quintas, de Trás os Montes. Amaram e amam a região, defenderam-na e defendem-na. Mas, infelizmente, são grandes excepções. Em geral, assim não é. Não amam a terra, usam-na, limpam os pés, e no final vão-se embora a fazer carreira para o outro sítio, depois do tirocínio às três pancadas nas terras do Algarve. E alguns, sendo do próprio Algarve mas que são da mesma espécie dos que limpam os pés, apenas visam evadir-se como se servir a terra fosse uma prisão, Desculpem que não lhes dê mais o benefício da dúvida. Passem todos muito bem.

Por estas e por outras – as outras ficam para mais tarde – é que se deve exigir a quem se perfile para o governo ou continuar no governo que diga e prove claramente o que entende por regionalização, o que se compromete a fazer pela regionalização no sentido rigoroso do termo, e o que está disposto a fazer para que as lideranças do Algarve e no Algarve não nos façam rir. Basta de brincadeira.

Flagrantes deputados: Os deputados eleitos pelo Algarve, analisando o histórico das suas iniciativas, ficam pela rama. E que rama!

Carlos Albino

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