OPINIÃO

SMS: Noção de independência

Algarve
OPINIÃO | CARLOS ALBINO

De uma ponta à outra, aí temos mais uma vez um número apreciável de independentes. Uns são, outros à vista desarmada fingem ser por diversos motivos e causas nem sempre abonatórias, havendo mais alguns cuja independência começou quatro semanas antes do sufrágio e acaba sobre a hora do anúncio dos resultados consoante se perca ou ganhe. Sejam, finjam, ou administrem com oportunismo o rótulo, todos não invalidam que se questione a noção de independência. De independência política, claro. A noção é fácil de entender e muito mais fácil de invocar e usar, a prova de que se está vestido e revestido dela é que é difícil. Além disso, ainda mais difícil é avaliar se, num contexto de sufrágio eleitoral, a independência é um valor – Valor com letra grande.

Como se pode constatar, os dicionários são unânimes quanto à noção geral e sentidos da condição de quem se declara “independente”. Isso tanto pode traduzir o carácter de quem goza de autonomia e usa da liberdade de pensamento e ação em relação a alguém ou a algo, resultando daqui outro sentido bem acolhido numa sociedade livre, que é o perfil daquele que pensa pela sua própria cabeça e que perante o mau uso do poder não se deixa influenciar, ou que face a algum exercício de julgamento, é imparcial sem precisar de ser Salomão ou Pilatos. E aqui é que a porca torce o rabo.

Sejamos claros. É de longe preferível que o Salomão esclareça para que lado vai cortar com a faca e que o Pilatos seja franco e diga que está a lavar as mãos com ácido sulfúrico e não com água de Monchique e sabão de Albufeira, a que as duas figuras bíblicas com tanta preponderância na nossa política autárquica corrompam a noção de independência e o valor da independência. Independência de espírito que é algo compatível, diríamos até que é a base e a condição dos partidos, porquanto sem essa independência no seu interior e nas suas margens, os partidos morrem, definham, são partidos de Salomões ou de Pilatos incapazes de derrotar os grupos acéfalos que congeminam no escuro as suas dependências, avessos e até inimigos da independência de espírito que a coisa que faz os dicionários.

Flagrante palavra: “Comigo”, com certeza! E se o salvador local da pátria não sabe nadar?

Carlos Albino

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