SMS: Noites de Portugal

Carlos Albino

O Algarve já teve dois Dias de Portugal e, em matéria de dias, não se pode queixar muito. Um de tais dias foi em Lagos, em 1996 (Alçada Baptista na proa da comissão organizadora). Outro, foi em Faro, em 2010 (António Barreto no leme). Dois dias, e depois? Depois continuam no Algarve as Noites de Portugal. Naqueles dois dias, todos discursaram muito bem, como neste ano de 2019 poderíamos ter ouvido Sidónio Pais a discursar muito bem em Portalegre, todos viram o desfile militar com as suas continências, o Presidente da República de então deixou cair os seus recados, enfim, dois dias de festa. Depois desses breves dias de Lagos e de Faro, voltaram as noites ao Algarve. E porquê, noites?

Enquanto não houver um Hospital Central do Algarve, há Noite de Portugal em todos os dias do ano. Enquanto os transportes públicos ferroviários se apresentarem nas linhas e nas composições como nos tempos dos comboios a vapor, há Noite de Portugal, haja ou não alguma atençãozinha no 10 de Junho. Enquanto os municípios contíguos, empurrados pelo centralismo, não planearem e não solucionarem problemas comuns como conjuntos comuns, solidários e metropolitanos, há noite. Enquanto o Algarve não tiver centros próprios de rádio e televisão pública, há noite. A lista é longa mas pode ser resumida – enquanto Portugal for apenas o mapa acima do Tejo, é noite abaixo desse rio e noite escura como breu na sua extremidade sul por mais luminosos que sejam os discursos cujo refrão seja a tal regra tão conhecida em todo o País – com papas e bolos se comem os tolos. E mais facilmente se comem à noite.

Mas seja dia aqui ou noite ali, não se percebe a razão pela qual o 10 de Junho sendo Dia de Portugal tenha que ser também “das Comunidades Portuguesas”, como o conceito de comunidades portuguesas não estivesse contido no conceito de Portugal. E muito menos se percebe porque é que Camões que foi quem primeiro deu nome ao dia, está, também ele, a entrar na escuridão da noite – neste ano de 1019 foi praticamente esquecido e nesse esquecimento de Camões se arrastou o valor da língua e da cultura portuguesa, em benefício da coscuvilhice e dos fazedores portugueses de recados, matéria em que somos mestres e em que até um Presidente da República foi genial. O 10 de Junho passou a ser o Dia de Enviar Recados, não havendo motivos de admiração se, em alguma das próximas noites, o Dia não voltar a ser Dia da Raça, porque do Camões já é muito pouco ou mesmo nada quando devia ser o principal.

Flagrantes quedas: Não se fala muito nisso, mas as eleições legislativas de 2019 são já a 6 de outubro. Bastantes, muitos candidatos querem cair do céu…

Carlos Albino

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