OPINIÃO

SMS: Nova temporada de mandatos

política
OPINIÃO | CARLOS ALBINO

Nem sempre nos apercebemos disso, mas não são só os autarcas, eleitos ou reeleitos, que envelhecem. Os que elegem envelhecem mais rapidamente. Um ano passa depressa, quatro já custa mais um bocado. Não pelo tempo que demora, é pelas expetativas, pelo cumprimento ou pelos incumprimentos, pelas promessas ou pelas frustrações, pela palavra dada ou pelas deslealdades. Agora que se inicia mais sum ciclo de mandatos para presidentes de câmaras e de juntas, para vereadores com ou sem pelouros atribuídos, e para representantes em assembleias municipais e de freguesias, chegou o momento de todos, sobretudo os que os elegeram, nos considerarmos mais envelhecidos. E então, quanto mais envelhecidos e assim mesmo termos a mesma ou mais esperança, tanto melhor. Se tivermos perdido a esperança ou não fizermos já conta de a renovar, isso é sinal de que seremos os futuros abstencionistas. Para não se dizer mais.

É por isso o momento de pedir a cada um dos eleitos, a bem de quem é guindado ao poder deliberativo ou à fiscalização das decisões, algumas coisas básicas – que não faltem à palavra, que expliquem muito bem e atempadamente algum recuo, que não escondam os motivos de algum avanço encomendado lá de cima, aqui ao lado e ou em baixo, que ponham longe de si a manha, a reserva mental e a máscara dissimuladora da face com que foram eleitos. Os eleitos podem crer que se assim procederem, os eleitores não envelhecem quatro anos, mas apenas um mandato.

Uns quantos sabem, muitos e cada vez mais não duvidam, e todos cada vez mais vamos tendo pistas e prenúncios de que o Algarve vai entrar numa fase decisiva da sua história futura. Decisiva nos rumos do desenvolvimento, decisiva no significado, alcance e expressão da sua identidade. Decisiva para a sua posição na escala de valores do País onde neste momento ocupa um lugar de humilhante retaguarda, por culpa própria e não deste ou daquele governo central, em nada nos adiantando que digamos ou discursemos até á exaustão que a região dá tudo e recebe muito pouco ou mesmo nada. Não adianta.

A responsabilidade de traçar essa fase decisiva cabe aos eleitos, para já aos eleitos locais – todos no seu conjunto e em especial o grupo de presidentes municipais. Seguir-se-ão, a seu tempo, os eleitos para o parlamento nacional para o que também não vale a pena continuar-se a fazer jogos. Para todos e para nós, a hora do Algarve é decisiva.

Flagrante divertimento: O Hospital Central do Algarve. Dá vontade de rir.

Carlos Albino

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