OPINIÃO

SMS: Que 2018 mostre o Algarve mais e melhor

OPINIÃO | CARLOS ALBINO

 

Quando se pede que o Algarve seja mostrado mais e melhor, não se quer dizer que dele se faça mais propaganda, mas sim que haja mais e melhor informação sobre factos, acontecimentos e ânsias desta região que, comparada com as outras, está esquecida. E quando se afirma que está esquecida, não se pretende dizer que o País sofra de amnésia para lá do Caldeirão, mas sim que o meio ou instrumento agora dominante na comunicação – a televisão -, não abre nem faz abrir os olhos para uma região que também tem cultura, também tem política, também tem economia, também tem saber organizado e também tem aspirações que partem da sua identidade muito própria. Esse meio ou instrumento de comunicação apenas abre olhos para o Algarve quando há por aí algum escândalo que se torne obrigatório cobrir em função da concorrência, algum desastre que seja útil para provocar emoções fortes, algum episódio fora do comum faça ele rir ou chorar, ou algum “evento” de que se dê conta a troco de boa paga por câmara municipal abonada. E quando se exige que o Algarve se mostrado no que, dia a dia, é e no que tem de próprio, não é uma esmola que se pede, mas um pouco de retorno do que o Algarve dá ao País ou que o País ganha no e com o Algarve, desde há muito e até agora sem retorno que se veja. É verdade que, salvo um outro desabafo, o Algarve tem ficado calado – mesmo que falasse ficaria a fa- lar sozinho, além de que aqueles que estão mandatados pa- ra falar em nome do Algarve atravessam o Caldeirão mudos e regressam calados. Temos muitos poetas nas horas eleitorais, mas raros ou nenhuns prosadores depois de contados os votos. Obedecem ao Senhor Silêncio, tenham ficado vencedores ou vencidos, por certo para não ficarem mal vistos para lá do Caldeirão.
As televisões privadas estão na legitimidade de fazerem ou não fazerem, mas a televisão pública, essa, tem a obrigação de fazer. E de fazer não tanto o que faz no Norte ou para o Norte no seu berço do Porto, o que faz no Centro e para o Centro na sua cama de Lisboa, porque Açores e Madeira estão governados com os os seus divãs. No Continente, para a televisão pública apenas há duas regiões – o Centro e o Norte.

O Algarve é um buraco negro para a televisão pública. Sem que haja um centro de produção na região, não há nem pode haver televisão que abra e faça abrir os olhos do País para o Algarve, para o que o Algarve lhe dá ou faz ganhar, para o que o Algarve anseia com legitimidade. O resto são cantigas, porque, nos tempos que correm, a televisão pública é um país dentro do País – as televisões privadas são as províncias que querem ou podem ser, cada qual à sua maneira.

Duvida-se que 2018 possa fazer o que 2017 e anos anteriores desde que a Televisão destronou a Rádio como monarca reinante, mas o desejo e a ânsia dos plebeus do Algarve ficam registados, muito embora quem representa ou devia representar o Algarve atravessem mudos o Caldeirão e regressem calados, e, como se diz na gíria parlamentar, “para contacto com os eleitores” às segundas-feiras. Na monarquia da televisão, não há marquês que não queira ser duque.

Flagrante mau gosto e péssimo senso: Na noite de Natal, uma mega discoteca espalhou por quilómetros e quilómetros em redor, uma estridente espanholada repetitiva e sem fim. Numa zona em que a sinalização das estradas pede silêncio e exige o limite de 30 Kms, para não incomodar o pessoal da gruta, aquele barulho musical e a sua espécie, só revelam o gosto do burro e o senso da vaca.

Carlos Albino

 

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