SMS: Um exemplo de sobranceria, displicência, menosprezo…

Os sinónimos para a palavra a usar são muitos e todos vão bater à porta da empresa pública Infraestruturas de Portugal. Vem a propósito da 125 e da Fonte de Boliqueime que já foi um poço de polémica barata, também por uma questão palavra. Com a chamada requalificação da estrada no sítio onde a 125 atravessa a localidade adjacente a Boliqueime, onde outrora havia uma rotunda mal-amanhada, surgiram duas rotundas contíguas, e onde outrora quase dava para ouvir os passarinhos, hoje dá para ouvir a passarada que vai às compras – uma, duas grandes superfícies comerciais e anuncia-se uma terceira igualmente pendurada à 125 para dar o movimento que, como se sabe, escasseia nessa via. Haja progresso.

Então a que propósito vem, esse título dando conta de um exemplo de sobranceria, displicência, menosprezo, ou talvez de insensibilidade, desinteresse, indolência, negligência, displicência, descuido… um comboio de sinónimos?

Por ocasião das obras que colocaram duas rotundas no lugar de uma mal-amanhada, questionei responsáveis da empresa espanhola que, sem ouvir ninguém, demoliu uma edificação emblemática da fonte ou do poço (foi sempre fonte, até surgir a antiga Junta Autónoma das Estradas que baptizou tudo sem ouvir padrinhos nem padres). Os espanhóis montaram um cenário para dar ideia de extremo cuidado e respeito – convocaram uma arqueóloga, um consultor, sei lá, gente suficiente para inspecionar um local onde pouco ou nada havia para inspecionar. Bastava colocar em vez do mamarracho anunciador da Fonte, uma evocação que, com a arte possível, marcasse o novo tempo de progresso. Até porque a Fonte de Boliqueime e mesmo Boliqueime, além da igreja, nada ou pouco possuem que se veja. Uma arqueóloga espanhola chegou a garantir que seria construído um memorial.

Ficámos à espera do tal memorial. Até hoje nada. Apenas duas rotundas e, na maior que serve diretamente a 125, crescem ervas. Falta o gado. A empresa espanhola levantou voo e a nossa pública Infraestruturas de Portugal lava as mãos e nada diz, como se a 125 não a implicasse em nenhum ponto.

Pode ser sobranceria, nunca se sabe, mas displicência é. Pode ser coisa próxima de descuido, mas total insensibilidade é.

Flagrante requerimento: Descentralizar para corredores de fundo, para cotados lançadores de dardo ,ou até mesmo para nadadores recordistas dos 100 metros costas, aceita-se e até se defende. Mas descentralizar para carapaus de corrida, poupem-nos de tal sacrifício. Infelizmente, desses carapaus há muitos e já atravessam cidades e vilas com ares de Terreiro do Paço.

Carlos Albino

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