PAÍS

Socorro a náufragos celebra 25 anos e espera por mais dinheiro para a atividade

A Associação Madeirense para Socorro no Mar, conhecida como SANAS Madeira, comemora 25 anos de existência, mas ainda espera “por um contrato-programa com o governo para dar suporte financeiro à atividade”.

A saúde financeira da associação está dependente das quotas dos sócios, da prestação de serviços, de contribuições espontâneas e de “subsídios pontuais do governo regional”, esclarece o presidente Paulo Rosa Gomes.

O recente protocolo estabelecido com a ANAM, para a gestão do Centro de Salvamento Costeiro – Estação de Salva-Vidas de Santa Cruz, no âmbito da segurança do Aeroporto Internacional da Madeira, veio trazer algum suporte financeiro à associação, “mas não chega”, reconhece.

“Nós queríamos ter um contrato-programa como têm os bombeiros, que mesmo que não tenham saídas, têm verbas que lhes permitem equilibrar as contas”, reclama.

O historial da associação remonta à década de 80. Na altura, notou-se um crescimento das atividades ligadas ao mar e tornou-se necessário, “perante a carência de uma organização de socorro a náufragos”, a criação de um corpo de salvadores náuticos, relata à Lusa.

Em 1985, por iniciativa dos Escuteiros Marítimos, foi criado o SANAS Madeira, “a partir do modelo do Corpo Voluntário de Salvadores Náuticos que então existia e operava, para além de Portugal continental, em países como Inglaterra, França, Holanda, Suécia, Espanha, R. F. Alemã, Nova Zelândia e África do Sul”.

Ao longo dos anos foi-se munindo do equipamento necessário à sua missão, possuindo, em 1989, uma embarcação pneumática e um barco em fibra de vidro, “recuperado e adaptado pelos voluntários da associação”, recorda.

As instalações onde operou, até 2009, situavam-se no Varadouro de São Lázaro, no Funchal, cedidas pelo executivo regional. Por esses dias, desenvolvia a atividade com “cinco embarcações e prestava apoio às actividades náuticas que se realizavam na região”.

Especializou-se no salvamento e na evacuação marítima até 30 milhas da costa, “quaisquer que sejam as condições climatéricas”, adiantando que tudo “foi sempre feito em estreita articulação com a autoridade marítima local”.

“O SANAS Madeira tem sido, durante estes 25 anos, o responsável na Madeira pela segurança da maior parte das atividades ligadas ao mar, recreativas e desportivas, apoiando também, sempre que solicitado, a frota pesqueira na recolha de doentes a bordo, e a segurança dos utentes das praias”, realça.

Atualmente, as áreas de atuação repartem-se entre a busca e salvamento, a segurança nas praias, o apoio a eventos desportivos e o mergulho, dispondo para o efeito de 20 voluntários tripulantes salva-vidas e 130 nadadores-salvadores e vigilantes voluntários, “muitos deles detentores de formação especializada ao nível do que de melhor se faz no mundo”, concretiza.

Dispõe, nas suas duas estações de salvamento costeiro, no Funchal e em Santa Cruz, de meios técnicos, dos quais se salientam, por exemplo, as duas embarcações ARUN, com “características únicas no país, tendo capacidade de operar em quaisquer condições de mar numa área de ação de 230 milhas”, afirma.

De 2002 até ao ano de 2009, o SANAS Madeira efetuou 962 operações várias e 7065 assistências.

AL/JA

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