Três jornalistas detidos por fotografar Chávez

Três jornalistas do diário venezuelano «Últimas Notícias», o jornal de maior tiragem no país, foram detidos quinta feira durante três horas por funcionários da Guarda Presidencial por tirarem fotografias durante um ato em que participava o presidente Hugo Chávez no centro de Caracas.

Segundo a direção do «Últimas Notícias», a equipa integrava o fotojornalista Héctor Castillo e os jornalistas Johnny Montenegro e Karina Pérez, que conjuntamente com John Lares, motorista da empresa, foram levados à Assembleia Nacional (parlamento) onde eram esperados por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência para a abertura de um inquérito.

Héctor Castillo explicou aos jornalistas que, ao ver a multidão, deteve-se a tirar algumas fotografias, tendo recebido indicações de um militar para retirar-se do local, ordem que acatou.

A escassos metros outro militar apontou-lhes a pistola, obrigou-os a sair da viatura, conseguindo um dos jornalistas comunicar com a redação para revelar o que estava a acontecer.

“Imediatamente comunicámos com o diretor (do jornal) Eleazar Díaz Rangel, que contatou com funcionários do Ministério de Comunicação para garantir a liberdade dos jornalistas”, explicou a responsável pela informação do Últimas Notícias, Hilda Carmona.

Os oficiais da Guarda Presidencial argumentaram que o fotógrafo entregou a câmara com um cartão de memória vazio, pelo que revistaram o carro onde encontraram um cartão com várias fotos da concentração.

Seguiu-se a identificação, incluindo fotográfica, dos detidos, enquanto partidários de Hugo Chávez gritavam impropérios contra os jornalistas.

O fotojornalista explicou que retirou a memória da câmara para preservar o material informático.

O cartão de memória foi retido pela Guarda Presidencial que alegou razões de segurança de Estado.

AL/JA

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