ALGARVE Primeira REPORTAGEM

Três municípios algarvios põem diabetes em movimento

Lagos, Portimão e Vila Real de Santo António integram grupo de 12 municípios de todo o país que desenvolvem o programa “Diabetes em Movimento”. É gratuito e consiste em três sessões de exercício por semana

DOMINGOS VIEGAS

Os municípios de Lagos, Portimão e Vila Real de Santo António fazem parte do grupo de 12 concelhos de todo o país onde está a ser desenvolvido o “Diabetes em Movimento”, um programa comunitário de exercício, gratuito e direcionado para pessoas com diabetes tipo 2.

Este programa é coordenado pela Direção-Geral da Saúde, através do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física, com o apoio científico do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Naqueles três municípios algarvios, a iniciativa resulta de parcerias entre as autarquias e os agrupamentos de centros de saúde da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve. Consiste em sessões de exercício físico supervisionado, três vezes por semana e cada uma com a duração de 90 minutos. As sessões decorrem em ciclos de nove meses, entre outubro e junho.

As sessões decorrem às segundas, quartas e sextas-feiras, no Pavilhão Desportivo Municipal de Lagos, entre as 16h00 e as 17h30, no Pavilhão Gimnodesportivo de Portimão, das 15h00 às 16h30, e no Pavilhão Municipal João Ilídio Setúbal, de Vila Real de Santo António, entre as 10h30 e as 12h00. Os interessados em participar devem informar-se junto do seu médico ou enfermeiro de família.

“Podem participar indivíduos de ambos os géneros, com diabetes tipo 2 diagnosticada e com recomendação médica para alteração do estilo de vida. É importante que as complicações da diabetes estejam devidamente rastreadas e controladas, como o pé diabético, neuropatia diabética autonómica, retinopatia diabética e nefropatia diabética, assim como o risco cardiovascular”, explicam os responsáveis.

Os mesmos responsáveis frisam que os monitores do programa “foram treinados para os potenciais eventos adversos agudos associados ao exercício neste população” e que “em cada sessão de exercício, pelo menos um dos técnicos presentes tem formação em Suporte Básico de Vida”.

O programa “Diabetes em Movimento” tem o patrocínio científico da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD), Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPDEM), Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).

Na próxima quarta-feira, 14 de novembro, assinala-se o Dia Mundial da Diabetes, estabelecido em 1991 pela Federação Internacional da Diabetes e pela Organização Mundial de Saúde, e reconhecido em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de sensibilizar e chamar a atenção dos cidadãos e governantes para a problemática.

A data foi escolhida por ser o dia do nascimento do médico canadiano Frederick Grant Banting, um dos descobridores da insulina, em 1921. Por este facto, recebeu o Prémio Nobel da Medicina dois anos depois, em conjunto com John James Rickard Macleod.

O que é a diabetes?

A diabetes é uma doença que se caracteriza pela hiperglicemia (aumento excessivo da glicemia, ou seja, de glicose no sangue), situação que se deve, nalguns casos, à insuficiente produção de insulina pelo organismo. Noutros casos, deve-se à insuficiente ação da insulina e, frequentemente, à combinação destes dois fatores.

As pessoas sem diabetes devem ter uma glicemia entre 80 e 110 mg/dl antes das refeições e entre 110 e 140 mg/dl depois das refeições. “Uma pessoa com diabetes deve tentar aproximar-se o mais possível destes valores ou atingir os objetivos indicados pela equipa de saúde, que são variáveis e individualizáveis, consoante a idade da pessoa e os anos de evolução da diabetes”, explica a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).

Refira-se que a insulina é uma hormona que faz, naturalmente, parte do organismo e que serve, essencialmente, para fazer com que o açúcar existente no sangue – que é a nossa fonte energética principal – seja bem aproveitado, para nos dar energia. Quando isto não acontece, as pessoas sentem-se com falta de forças e ficam com hiperglicemia. Quando a glicemia está muito elevada, podem existir sintomas com: urinar em grande quantidade e mais vezes; ter sede constante e intensa; sensação de boca seca; fome constante e difícil de saciar; cansaço; comichão no corpo (sobretudo ao nível dos órgãos genitais); ou visão turva.

“Um passo importante para ajudar a estabilizar os valores de glicemia na diabetes, e que depende exclusivamente de cada pessoa, é a aquisição de hábitos de vida saudáveis, o que implica seguir um plano alimentar saudável e ajustado às necessidades de cada um e a prática de atividade física, como, por exemplo, andar a pé no dia-a-dia”, explica a APDP.

Cada vez há mais diabéticos

O número de diabéticos tem vindo a aumentar no nosso país, que continua a situar-se, a nível europeu, entre os que têm mais percentagem da população com esta doença crónica. Atualmente, a diabetes é a mais comum das doenças não transmissíveis com elevada prevalência e incidência crescente. Atinge já cerca de 415 milhões de pessoas em todo o mundo.

Em Portugal, “as estimativas apontam para uma prevalência entre 9,8% e 13,3% na população adulta e idosa, ou seja, mais de um milhão de portugueses”, referiu recentemente Pedro Teixeira, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física da Direção-Geral da Saúde.

“A inatividade física é um dos principais fatores de risco da diabetes tipo 2, responsável por cerca de 95% de todos os casos de diabetes, sendo a atividade física regular um dos pilares do tratamento”, acrescentou o mesmo responsável.

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