VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Por imperativos profissionais que decorrem do facto do Município de VRSA assegurar a vida corrente, executiva, da AICEI (Associação Internacional de Cidades e Entidades do Iluminismo), processo para o qual foi reeleito para os próximos três anos, poderes executivos que me foram sempre delegados pela presidência do município, tive a necessidade de me deslocar a Valência para uma tão curta como produtiva reunião de trabalho, com a direcção do Museu Valenciano da Ilustração e da Modernidade, sócio da AICEI. Para além das questões internas que tínhamos de resolver e dos compromissos que acabaram por ser firmados que conduzem à responsabilidade, por todos assumida, de criarem uma nova exposição itinerante da Associação, modernizar o site e construírem um novo catálogo ilustrativo do que a AICEI representa. Tudo firmado num clima de cooperação, com custos mínimos, deu-me por si só, apesar da violência da viagem, ditada pela preocupação da economia de meios financeiros, o prazer de um momento partilhado com gente de enorme responsabilidade e de grande criatividade e afectividade. Nem sempre podemos ter a oportunidade de discutir, partilhar ideias, dispor de disponibilidades oferecidas, no único objectivo que nos movia, ou seja, valorizar a Associação que ali, embora em planos diferentes, representávamos.

O MuVIM, Museu Valenciano da Ilustração e da Modernidade, produz ideias representadas por grafismos, que dão modo à criação de exposições, sempre suportadas por uma rigorosa investigação cientifica que dá origem a catálogos de enorme qualidade cuja venda a par da receita provocada pelo preço de entrada no Museu, somam uma receita que ajuda a diminuir os gastos suportados pelo governo da Comunidade Valenciana.

Neste contexto tive a oportunidade de visitar e receber, por generosidade, os excelentes catálogos que as suportavam. Exposições tão diferentes como a dedicada à banda desenhada que nos reporta à nossa adolescência, a outra que se ocupa da resistência de três mulheres já idosas, que diariamente, ao longo de meses, protestaram nas ruas do seu bairro, ocupada por pescadores, contra à sua demolição. Exposição titulada como “Mulheres Valentes“ e uma outra “Mulheres Rapadas“ dedicada à denuncia da prática franquista, uma vez ganha a guerra civil contra os republicados, de para além de ter assassinado os maridos, mandar cortar o cabelo raso às suas mulheres, ou àquelas que defendiam o lado oposto dos vencedores fascistas, empurrando-as para a rua, a contas sobre o que tudo o que tal gesto significava, como humilhação, julgamento público, desprezo e cobardia dos acomodados com o regime vencedor. Tais práticas viriam a ser objecto praticado pelo regime nazi na segunda guerra mundial. Muitas dessas mulheres vieram a suicidar-se ou a morrer em condições degradantes. Constitui nos momentos em que na Europa surgem movimentos neofascistas, um tema de grande actualidade e, no actual contexto político de Espanha, uma manifestação de grande coragem diria que só possível pelo facto de disporem de um poder regional, mesmo que maioritário de direita, porque tem de perto uma sociedade desperta.

De resto do pouco tempo que dispus para visitar o Centro Histórico, já que estava afastada a possibilidade, por imperativos de tempo, de mais uma vez visitar a “Cidade da Ciência e da Cultura“, espaço onde tive a oportunidade de estar, pouco tempo após a sua inauguração, Valência estava cheia de gente, novos e velhos, de tal maneira que me vi em dificuldades, em pleno centro histórico, de encontrar um sítio sossegado onde pudesse almoçar, antes da partida de volta.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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